Brega funk amadurece e avança no cenário global 22/04/2026

Brega funk amadurece e avança no cenário global – 22/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Novos sons, batidas, passos de dança, estilos e uma ingresso no pop que ultrapassa o óbvio. O brega funk, que chamou a atenção do país na viradela da dez, passa por um momento de maduração nos últimos meses. O gênero hoje surge uma vez que um fenômeno espaçoso e deixa marcas que vão do topo das paradas de sucesso do verão a encontros com novas gerações de rappers, símbolos recifenses repaginados e até festas lotadas na Argentina.

“O brega funk está em uma novidade transição, outras vertentes acabam pegando algumas batidas e melodias do gênero, tem dança que vira ‘trend’ no TikTok, artistas uma vez que o Gordinho Bolado, por exemplo, que chega no top do Spotify e ultrapassa até Anitta”, diz Rayssa Dias, cantora e um dos principais nomes do estilo.

Oferecido o Sudeste uma vez que polo da indústria do funk, com grandes empresas e artistas girando em torno do próprio eixo, a versão pernambucana do gênero por muito tempo foi tida uma vez que primo distante da família. O curso cadencioso, os sons que emulam ruídos de lata e um protagonismo dividido com MCs cariocas e paulistas —sampleados em refrões— fizeram o brega funk explodir em 2020 sem prometer o torque em nível pátrio a longo prazo.

Nos últimos meses, porém, o brega funk mostrou que nunca esteve morto —estava em transformação. Embora não tivesse o mesmo impacto de anos antes, o gênero vinha avançando Brasil e mundo afora.

Rayssa Dias, que se apresentou no último festival Favela Sounds e sai em turnê pelo Brasil neste ano com o festival Coquetel Molotov, vê oriente momento uma vez que um ponto de mudança. “Estamos vendo uma viradela em que o brega funk se consolida nacionalmente e internacionalmente”.

Um dos maiores exemplos foi o mais recente hit do Carnaval. Em “Jetski”, o DJ e produtor carioca Pedro Sampaio se apoia na estrutura rítmica do brega funk do início ao termo. A filete, com participação dos MCs Melody, de São Paulo, e Meno K, do Rio Grande do Sul, tem mais de 114 milhões de visualizações no YouTube e outros 150 milhões de plays no Spotify.

Um nome de peso dessa novidade leva do brega funk é Anderson Neiff. Entre influenciador e MC, o recifense tem músicas uma vez que “Tua Ex é uma Delícia”, com 70 milhões de acessos no YouTube, e “Tá Calor Lá Fora”. Menos popular, esta ganhou um clipe imponente com símbolos pernambucanos, uma vez que o personagem carnavalesco La Ursa e a guitarra em overdrive do manguebeat —som que também surge na música.

Outro artista importante dessa geração é o MC e DJ Gordinho Bolado. Ele é possuidor de algumas das canções mais famosas do brega funk atual, uma vez que “Eu Tô Fazendo uma Mágica”, em parceria com Felipe Original —veterano do gênero. A filete deixa explícitos dois elementos importantes do brega funk, hoje distintos da sua tempo anterior —a sólida traço de plebeu e o rumor que emula um chicote em pleno ataque.

Nome em subida da atual escola do brega funk, o DJ Zoinho no Beat vê uma vez que obrigatórios esses aspectos em qualquer produção do gênero. “Uma música sem contrabaixo não é uma música boa, porque ele é a vida da música”, diz. “E, hoje em dia, se você não botar o ‘chicote’, é capaz de o MC te matar”.

Para o artista, o som do brega funk hoje é mais seco. “O objetivo na produção é não atrapalhar muito a música, não poluir tanto”, diz ele, que também vê um menor uso de trechos vocais de artistas de funk de outros estados —uma questão de fundo permitido, uma vez que essa prática, muitas vezes, não é autorizada. “Quando um artista daqui estoura uma música com ‘acapella’ de artistas do Rio ou de São Paulo, dá confusão, porque muitos querem receber mais verba do que outros.”

Esse modo de operação ainda hoje cria imbróglios. Febre do atual momento do brega funk, o “Passinho do Jamal” ganhou as redes sociais, os programas de TV, os vídeos de streamers e as comemorações de futebol nos últimos meses.

A maior vitrine da coreografia foi a música “Toma Botada”, dos pernambucanos Bacana no Beat e Eo Placa, com sample vocal do carioca MC Rogê. Tanto sucesso resultou em impasse entre as partes —no YouTube, os autores ocultaram o trecho da voz do MC com uma trilha mercantil.

O ímpeto de driblar amarras do eixo Rio-São Paulo também tem movido novos artistas do hip-hop pernambucano. Nome em subida na cena, a artista Relikia lançou no termo do ano pretérito o disco “Maioridade”, em que transita entre brega funk e rap ao lado dos rappers Brenu e Ruan Bryant.

No clipe de “Possessor da Espaço”, assinado pelo coletivo Videoculto, os jovens resgatam os encontros de funk da capital pernambucana conhecidos uma vez que “bailes da sossego”.

Esse contato não é novo. Nomes de sucesso no Recife uma vez que MC Draak já haviam feito a conexão do trap brega funk há alguns anos, mas a novidade leva de artistas procura uma escolha cada vez mais lugar para lucrar sucesso pátrio. “O brega funk já é segmento da gente, logo a gente introduz o hip-hop nisso”, diz Relikia. “E a gente traz um lado de Pernambuco que o Brasil não conhece.”

Para a jovem, o movimento também legitima o brega funk frente a seus opositores. No ano pretérito, o vereador do Recife Thiago Medina (PL) encaminhou um projeto de lei restringindo o uso de verba público para apresentações de brega funk aos moldes do projeto de lei “anti-Oruam”. “Se o brega funk for a cultura do Recife, estamos lascados”, afirmou ele em entrevista à publicação Portal de Prefeitura.

“Acho que ele é ignorante porque cultura é tudo que é aprendido e praticado em sociedade”, diz Relikia. “Para eles, cultura é só o que eles acham que é cultura, e por isso é importante que estejamos ali sempre dizendo que, sim, isso também é cultura, porque é praticamente impossível ser de Pernambuco e não gostar de brega funk.”

O atual momento do gênero também alça novas tendências de tendência e comportamento ao sucesso, caso do estilo ratão. Outrora pejorativo, o termo hoje é reapropriado por jovens de bairros desprivilegiados do Recife —locais onde a soma de canais fluviais e baixos índices de saneamento favorecem a proliferação de roedores.

De roupas de marcas uma vez que Seaway e cabelos coloridos, com cortes baixos que deixam somente uma mecha longa à mostra, os “ratões” surgem em vídeos nas redes sociais sempre ao som de brega funk. Não por contingência é um rato que estampa a cobertura de “Escama Trap, Vol. 2”, disco recém-lançado do rapper Brenu. “A estética do trap com o brega é alguma coisa nosso, alguma coisa que não dá para imitar”, diz ele.

O som do brega funk, no entanto, já é replicado não somente Brasil afora, uma vez que também internacionalmente. Na Argentina, a sarau Club del Funk chega a reunir 2.000 pessoas por edição. Na playlist dos DJs o que mais toca é brega e arrocha funk —uma versão similar ao gênero pernambucano. “As pessoas cá gostam desse ritmo porque dá pra dançar mais, alguma coisa que tem interação com outra pessoa”, diz Brian Alcuña, DJ e fundador da sarau.

A chegada do gênero ao país também se dá pelo paralelo do seu ritmo com o RKT, espécie de intercepção entre reggaeton e cumbia que faz sucesso em grandes cidades uma vez que Buenos Aires. “Começamos a fundir RKT com brega funk e artistas argentinos hoje fazem funk prateado”, diz Alcuña. “Em nossas festas a gente levanta a bandeira do Brasil.”

Nessa vaga de novidades do brega funk, há também o que não mude. Além das funções com o microfone, a MC Rayssa Dias trabalha em uma concessionária de carros durante a semana. “As mulheres ainda estão tentando ocupar um espaço no brega funk, a gente ainda luta por visibilidade”, diz ela, que almeja palcos maiores para si e para o gênero. “A minha teoria é fazer com que o brega funk seja cada vez mais pop.”

Folha

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