BBB 26: Vitória de Ana Paula mostra que público quer

BBB 26: Vitória de Ana Paula mostra que público quer jogo – 22/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A vitória de Ana Paula Renault no BBB 26, na noite desta terça-feira, foi o vértice previsível de uma trajetória que, se não tornou a jornalista mineira uma unanimidade vernáculo, entregou o que os espectadores queriam e aquilo de que a Orbe precisava para revitalizar o reality —pulso firme, conformidade e dedicação ao chamado “jogo”.

Coroada pelos votos de 75,94% do público, Ana Paula passou por maus bocados nos últimos dias, e isso pode ter sensibilizado segmento da plateia pela forma com que foi televisionado. Ela descobriu ser finalista no mesmo dia da morte de seu pai, pouco antes da eliminação de Leandro Rocha, o Boneco.

O baiano saiu sem saber do luto da “sister”, mas ela logo deu a notícia para sua melhor amiga na vivenda, a recreadora Milena Moreira —que acabou em segundo lugar, ganhando R$ 150 milénio—, depois de tê-la confidenciado ao dançarino Juliano Floss —em terceiro lugar, com R$ 50 milénio.

A partir dessa rombo, a tristeza ecoou no apresentador Tadeu Schmidt, que tentou, entre lágrimas, confortar a participante na transmissão ao vivo de domingo, relatando a morte de seu irmão, Oscar.

O Brasil chorou, mesmo que parcela dos espectadores mais vocais nas redes tenha reclamado da forma porquê o programa lidou com a situação. Mas Ana Paula decidiu manter mais um pouco para ver quem embolsaria os R$ 5,7 milhões.

É um gesto compreensível para quem, estrategicamente, percebeu ter conquistado o público, dez anos detrás, quando foi expulsa por uma agressão quando estava bêbada, e que soube driblar uma passagem zero memorável pela Quinta, em 2018, que terminou com críticas dela à Record e à edição do reality rústico.

Ao longo do BBB 26, Ana Paula foi mostrando que a direção acertou ao reviver antigos participantes —porquê Sol Vega, Alberto Cowboy, Jonas Sulzbach, Sarah Andrade e Babu Santana— e combiná-los numa salada de anônimos e famosos de diferentes gerações —do novinho Juliano à atriz Solange Couto, dos tempos de Osvaldo Sargentelli.

Apesar de nem sempre ter a razão ou ser a mais aprazível e carismática da vivenda, Ana Paula aprendeu que o público não é truão nem vai ultimar com um participante somente pelas besteiras que falou no pretérito. Seus pares foram os melhores exemplos disso.

Sol Vega zombou da expulsão de Ana Paula no BBB 16 e acabou, ela mesma, eliminada por clamar e filar a rival. Babu Santana era um dos favoritos do BBB 20 pelo seu jeito sincero e relaxado, que conseguiu reproduzir nesta edição, pelo menos até adotar uma postura mais agressiva e rachar com sua portanto aliada, Ana Paula —acabou eliminado com quase 70% dos votos.

Outra parceira do ator, Solange Couto, já era conhecida, antes do programa, por ser desbocada e pelas opiniões conservadoras. Demorou para ir a um paredão, mas, quando saiu, com repudiação de 94%, viu que sua derrapada se deu por uma enunciação rápida, mas que indignou as redes. Afirmou que Samira Sagr era “infeliz” porque havia nascido de uma “trepada mal dada”, um “sarro de trem”.

Depois, em ocasiões distintas, Breno Corã e Couto também zombaram de Ana Paula pelo traje de ela não ter filhos. “Quando Deus não deu filhos a ela, é porque sabe que ela não teria capacidade de amar alguém, já que ela não gosta de gente. Um rebento seria gente. Ela daria o manjar do próprio corpo?”, disse a atriz.

Pelos quartos, Ana Paula chegou mesmo a manifestar que não “gostava de gente” pelas expectativas que depositava nas pessoas, mas que sabia escolher seus aliados. Não à toa, tia Milena e Juliano chegaram à final.

“Todo mundo não quer jogar comigo cá, tem que trazer uma coisa externa minha. Sobre minha posição política, religião, minha posição social. Por que não jogam comigo cá dentro?”, disse Ana Paula.

Talvez um dos grandes méritos da mineira tenha sido, além das suas alianças, entender que as redes não deixam evadir zero e se blindar contra possíveis ataques, peitando seus oponentes, mas deixando que eles caíssem por si.

O primeiro desentendimento dela foi com a dançarina Aline Campos, que lembrou ter sido criticada por Ana Paula, em 2016, por um look que a jornalista chamou de “vibe executiva de filme pornô”. A mineira reconheceu o glosa machista e se desculpou; já Aline, logo desgastou sua imagem com disputas banais —queria mais ovo, tofu etc.— e foi a primeira eliminada da edição.

Depois, foi a vez de Pedro Henrique Espindola cutucar as crenças políticas e religiosas de Ana Paula, sugerindo que ela teria feito um “trabalho” para que ele engasgasse —a mineira se diz católica, espiritualista e filha de Xangô com Iemanjá. Já Pedro, que se identifica porquê evangélico, acabou desistindo pouco depois por assediar Jordana Morais na despensa, e agora processa a Orbe por danos morais.

Depois foi a vez do gaúcho Matheus Moreira ser eliminado posteriormente uma série de atitudes consideradas homofóbicas e por ter dito que Ana Paula era “patroa” de Milena, glosa entendido porquê racista. Também não pegou muito para Alberto Cowboy ter citado o pai da mineira durante uma discussão, sabendo que ele passava por graves problemas de saúde.

Ana Paula, enfim, soube invocar a atenção para si nas horas certas e manipular os acontecimentos a seu obséquio. Não fez tudo sozinha —a amizade com Milena, caótica e serelepe, ajudou bastante. De dentro, alguns rivais a rotulavam de “ofídio”. Pela sua esperteza, pode até ter sido. Mas sua vitória mostra que o testemunha quer tudo, menos uma vegetal ou uma santa.

Folha

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