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Caboclo, ex CBF, 'ressuscita' nas eleições do São Paulo 09/08/2026
Esporte

Caboclo, ex-CBF, ‘ressuscita’ nas eleições do São Paulo – 09/08/2026 – Esporte

Marcada para a primeira quinzena de dezembro, a eleição que define o presidente do São Paulo para o triênio de 2027 a 2029 vive sua mais recente reviravolta política.

Na última quarta-feira (5), o vazamento de um vídeo, registrando um encontro político, recolocou em evidência um dos personagens mais controversos da cartolagem recente do país: o ex-presidente da CBF, Rogério Mestiço.

Retirado do função sumo da entidade em 2021 e suspenso do futebol por conta de graves denúncias de assédio moral e sexual –embora tenha se livrado das acusações na Justiça geral–, o nome do cartola, mentor vitalício do clube, emergiu uma vez que o mais novo cotado para encabeçar uma candidatura no pleito.

A gravação que mostra o dirigente ao lado de figuras influentes da política interna do clube –incluindo o presidente do Recomendação Deliberativo, Olten Ayres de Abreu– chamou a atenção pela presença de apoiadores do atual presidente, Harry Massis, desafeto público de Ayres.

“Olten e seu grupo político confirmam seu suporte à candidatura de Rogério Mestiço à presidência do São Paulo. Trata-se de uma posição política legítima, construída a partir de suas convicções e do diálogo com diferentes integrantes do Recomendação Deliberativo”, divulgou o presidente do Recomendação por meio de nota à prensa. Procurado pela Folha, ele preferiu não dar entrevistas.

O cenário intrigou tanto a situação quanto os blocos de oposição e pode redesenhar o tabuleiro sucessório são-paulino.

“O Mestiço rebento sempre foi muito ausente do dia a dia do clube, dissemelhante de seu pai [Carlos Caboclo], que foi quem levou o Telê para o São Paulo em 1990 e sempre foi muito influente. O rebento teve um função na diretoria financeira na viradela do século e, depois, qualquer função foi mais decorativa, pois já fazia curso na Federação Paulista e na CBF”, disse à Folha o publicitário e pesquisador Alexandre Giesbrecht, editor do Anotações Tricolores.

Para Giesbrecht, o surgimento da candidatura se resume ao promanação de mais um incidente de “sabor sintético de oposição” na história recente do clube, visto que, mesmo durante a gestão Julio Casares, quando já não era mais presidente da CBF, seu histórico recente resumiu-se a faltas não justificadas em votações cruciais ou a votos favoráveis a Casares, investigado por provável gestão temerária e irregularidades no período em que esteve na presidência.

Mentor e um dos principais nomes do grupo opositor Salve o Tricolor Paulista, o legisperito Caio Forjaz aponta ainda que o histórico de investigações arranharia ainda mais a imagem do clube, que, segundo o balanço financeiro divulgado em abril, referente a 2025, tem uma dívida de R$ 858 milhões.

“Sai um investigado por devassidão por outro que tem seu nome envolvido com outros escândalos. Ninguém quer vincular a sua marca a quem tem uma denunciação de assédio sexual. É pejorativo à imagem do São Paulo”, explica Forjaz. “Vejo uma tentativa de pressão, mas não acredito que a candidatura prospere. Hoje os conselheiros são muito influenciados pela mídia segmentada e pela torcida.”

Eleito em 2018, Mestiço viu seu procuração na CBF desmoronar em junho de 2021 em seguida reportagens revelarem acusações formais de assédio moral e sexual apresentadas por uma funcionária à Percentagem de Moral.

O escândalo ganhou contornos graves com a divulgação de áudios nos quais o logo presidente dirigia-se à colaboradora com perguntas de cunho íntimo e invasivo, uma vez que “você se masturba?”.

O grupo político que fez pressão e foi decisivo para a queda da gestão de Casares explicou que não só não dará nenhum tipo de suporte a Mestiço uma vez que tem a intenção de lançar o mentor vitalício Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, rebento do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, ao pleito.

A viabilidade de uma candidatura de Mestiço ainda esbarra em barreiras estatutárias rígidas. O regimento do São Paulo prevê 260 cadeiras no Recomendação Deliberativo, das quais 100 são de conselheiros eleitos que não participam desta eleição. Dos 160 vitalícios restantes, descontando-se as recentes expulsões, há 157 votantes.

Para prosseguir com a candidatura, é necessário atingir o piso de 55 assinaturas de conselheiros vitalícios para placa própria. Se somente uma compreender essa margem, a exigência se reduz a pelo menos 40 para até outras duas chapas. Por isso, as chances de surgimento de uma “terceira via” são consideradas remotas.

O atual presidente, Harry Massis Júnior, que assumiu o função em seguida o encolhimento de Casares em janeiro, é visto uma vez que o nome mais provável da situação, embora diga fazer somente uma gestão transitória. O cartola, porém, vive o momento de maior pressão desde que assumiu a cadeira.

Enquanto tenta pôr término ao transfer ban pelo não pagamento de 1 milhão de euros (murado de R$ 5,8 milhões) referente à compra de Marcos Antônio junto à Lazio, o dirigente passou a ser meta de um pedido de expulsão do quadro associativo guiado à Percentagem de Moral por oito conselheiros, que alegam gestão temerária. Nos bastidores, Adílson Alves Martins também aparece uma vez que opção governista.

Folha

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