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Cannes: Fjord expõe polarização e hipocrisia progressista 18/05/2026
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Cannes: Fjord expõe polarização e hipocrisia progressista – 18/05/2026 – Ilustrada

Mais do que um drama familiar, o filme “Fjord”, de Cristian Mungiu, joga luz sobre a intolerância a ideias conflitantes e a polarização política, tornando-se um potente concorrente para a Palma de Ouro desta edição do Festival de Cannes.

Nele, os pais de uma família radicalmente cristã são acusados de espancar os filhos e, de um dia para o outro, precisam entregar as crianças ao serviço de proteção à muchacho.

O filme com Sebastian Stan, quase irreconhecível, e Renate Reinsve, indicada ao último Oscar de melhor atriz por “Valor Sentimental”, não dá respostas fáceis, expondo um julgamento que traz questões mais complexas sobre as relações humanas, uma vez que fez “Anatomia de Uma Queda”, de Justine Triet, em 2023, ainda que não com a mesma intensidade.

Stan e Reinsve são Mihai e Lisbet, o par de cristãos fervorosos que se muda para a Noruega, país da mulher, com os cinco filhos. Eles deixam os filhos de punição se descumprem alguma regra uma vez que, por exemplo, não competir. As crianças também não podem usar celulares, precisam rezar várias vezes ao dia, estudar a bíblia e decorar canções cristãs. Mesmo rígidos, são pais amorosos, porém.

A ensino cristã e a privação de tecnologia dos filhos logo labareda a atenção das professoras na escola. Todos acham inconvenientes os comentários sobre a Bíblia em meio às aulas. A moçoila de dez anos, por exemplo, diz a uma colega lésbica que sua orientação sexual é errada aos olhos de Deus.

A ódio é combustível para denunciar Mihai e Lisbet ao parecer tutelar quando hematomas são observados no corpo de Elia, a segunda filha, que tem por volta de 14 anos.

Em uma visitante da assistente social na escola, Elia e seu irmão de mesma idade afirmam que às vezes levam um tapa do pai no traseiro, e isso é suficiente para que as cinco filhos, incluindo o bebê, sejam levados pelo órgão de proteção à muchacho e ao juvenil.

Quando o julgamento começa, fica simples que a origem romena de Mihai leva a uma predisposição dos procuradores e da golpe a vê-lo uma vez que culpado, já que cresceu em uma cultura considerada subordinado, menos desenvolvida, até bárbara aos olhos dos noruegueses, que se intitulam mais civilizados. Mesmo diante de uma situação desesperadora uma vez que perder os filhos, qualquer reação emocional do par pode ser julgada.

Mungiu não tem temor de se machucar ao tocar em assuntos espinhosos uma vez que, por exemplo, a mistura do setor progressista de valores políticos com a justiça. Em visível momento, quando é denunciado de tutorar que a família deve ser formada por um varão e uma mulher, Mihai diz que não está sendo processado por suas ideias.

Na veras, Mungiu parece provocar o próprio testemunha —que no início do filme, se não for religioso e conservador, instintivamente seria contra a família. Até porque, em um primeiro momento, não fica simples se os pais batem ou não nas crianças.

Além do julgamento, outros conflitos secundários colocam à prova também a declarada complacência de Mihai e Lesbet. Por exemplo, o desenvolvimento de um sentimento romântico entre Elia e Noora, a vizinha.

Há ainda a amizade entre Lesbet e a mãe de Noora, Mia, que advoga para o par mesmo discordando de sua ideologia, ou o espeque a Mihai por secção de grupos ultraconservadores depois que o caso viraliza nas redes sociais.

Já “The Unknown”, outro filme da competição principal do festival que estreou nesta segunda (18), não causou tantos comentários entre as salas do Palace, onde acontecem as exibições.

Depois de assinar o roteiro de “Anatomia de uma Queda” com Justine Triet, que venceu o Oscar, e ver o filme ser coroado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2023, Arthur Harari agora dirige o seu próprio filme, protagonizado por Léa Seydoux.

É a segunda aparição da atriz na corrida pela Palma de Ouro, depois de “Gentle Monster”. Em “The Unknown”, ela, na veras, é ele: sua personagem inicial troca de corpo com um varão, um pouco uma vez que a comédia brasileira “Se Eu Fosse Você”.

O filme de Harari, porém, não tem zero de cômico, e é transportado por um clima de tensão permanente. O protagonista é David, um fotógrafo deprimido e solitário que, em uma noite, transa com Eva, a personagem de Seydoux. Ele acorda no corpo dela, e logo secção para restabelecer sua estrutura física.

Para a sua surpresa, porém, quando ele a encontra, já é tarde. Eva transou com outra pequena e trocou de “espírito” com ela. Ou seja, agora quem está no corpo de David é Malia, outra personagem.

Com toques de thriller, a premissa do filme interessa conforme David —no corpo de Eva, ou seja, interpretado por Seydoux— e Malia, no corpo original de David, tentam entender quem está trocando continuamente de corpo e por quê. Mas a narrativa não vai muito longe, apesar de pincelar uma ou outra questão de gênero.

Folha

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