Com sua imagem polida e estilo minimalista, Carolyn Jeanne Bessette-Kennedy conquistou o coração dos Estados Unidos e de um dos grandes galãs dos anos 1990, John F. Kennedy Jr.
Nos últimos anos, seu nome foi resgatado uma vez que o de um ícone fashion, em meio ao estouro do “quiet luxury” e da tendência minimalista, o que ajudou a alavancar a série “História de Paixão: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette”, que exibiu seu último incidente na semana passada.
Na dezena de 1990, Bessette nadava contra a fluente dos resquícios maximalistas dos anos 1980, quando ainda era provável ver nas lojas mangas bufantes e saias cheias de tule. No meio de tantas outras subculturas, uma vez que o hermafrodita grunge e o glam das supermodelos, a executiva da Calvin Klein trouxe um respiro de simplicidade para o guarda-roupa de muitos, deixando um legado que reverbera quase três décadas depois.
Empurrando o pêndulo das tendências para o outro lado, Bessette era sempre vista com roupas simples, mas muito ajustadas, de tecidos nobres e modelagem elegante.
Segundo Valeka Nakad, coordenadora do curso de design de tendência do Núcleo Universitário Belas Artes, seu papel na grife americana já tinha peso por si só. “E aí ela passa, obviamente, a influenciar porque ela vai namorar o solteirão mais cobiçado do mundo na era, que estava sempre na prelo”, afirma.
A internet ainda engatinhava, mas celebridades estampavam as capas de revistas e jornais e eram presença ordenado na televisão. Apesar da exposição, a persona reservada que Bessette mantinha ao olhar popular ajudou a formar a imagem idealizada e sofisticada da publicitária de tendência.
“Ela influenciou muitas pessoas nesse jeito mais ‘clean’ de se vestir, com paletas neutras, investimento numa superqualidade da matéria-prima, dos materiais. Mesmo nos acessórios, muito elegantes, seguindo o perfil de pessoas que têm muito moeda”, diz Nakad.
“As pessoas que já usam desde novinhas roupas de marca têm preferência por roupas mais discretas até para não invocar a atenção. Você está um pouco despercebido no cenário em que está. Ela fez o que reverberou uma vez que o minimalismo dos anos 1990.”
Apontada ao longo dos anos uma vez que um dos nomes mais reconhecíveis do chamado “quiet luxury”, termo na tendência utilizado para descrever peças luxuosas que optam pela discrição em vez do glamour ostensivo, Bessette era conhecida por não mostrar logos em suas roupas. Uma das poucas marcas reconhecíveis em seu guarda-roupa era a icônica Hermès Birkin n°40.
Entre os momentos fashionistas de Bassette, um dos mais importantes é seu matrimónio com John F. Kennedy Jr. No Google Trends, com a adaptação da cerimônia pela série no sexto incidente de “História de Paixão”, o interesse pelo vestido de prometida da protagonista cresceu a ponto de buscas pelo nome de Narciso Rodriguez, estilista e companheiro próximo do par, registrarem um pico no Brasil.
Bessete se casou com vestido simples, considerado por muitos alguma coisa inovador para a era. O padrão foi feito com crepe de seda, moldado em um decote drapeado e se estendendo de forma fluida até os pés.
O resto da elaboração do look foi feito com luvas translúcidas, véu ponta de dedo feito de tule de seda, sandálias de salto da Manolo Blahnik e um coque despojado recluso com um grampo da sogra, Jackie Kennedy, além de seu batom vermelho assinatura.
A cerimônia discreta, presenciada por pouco mais de 40 convidados, destacou-se uma vez que um dos casamentos mais marcantes da dezena.
Sandra Ferraz, designer de noivas e empresária, afirma que marcas uma vez que Vera Wang, Jil Sander e Calvin Klein, presentes nos anos 1990 com sua estética minimalista, popularizaram peças simples e atemporais, uma vez que slip dresses, calças sociais e tons neutros, ajudando a imprimir a tendência na dezena e se apropriando do momento para difundir sua relevância e identidade.
“Eu acho que é só mais uma tendência, mas eu percebo que tem tido uma procura maior por menos tecido, mas não menos encantamento”, diz Ferraz.
Famosas uma vez que Isis Valverde e Giovanna Lancellotti trouxeram em 2025 um suspiro de minimalismo em seus vestidos de matrimónio, combinado ao glamour usualmente preposto pelas noivas brasileiras. Para Ferraz, a longevidade da influência do vestido de prometida de Bessette em terras nacionais não deve persistir muito.
“Tem havido uma maior procura de vestidos mais secos, mas não tediosos, porque aquele vestido, para mim, é um tédio criativo.”
Apesar do sucesso da série ao resgatar a memória nostálgica do vestido de Bessette no Brasil, Ferraz acredita que “olhar para esse vestido hoje é fugir de uma identidade”. É inegável seu papel na trajetória da tendência e seu marco uma vez que ponto de inspiração para vários modelos nupciais vistos nos últimos anos, mas, a longo prazo, a memória do slip dress de seda não passa de uma presente.
“A gente pode olhar uma vez que um narrativa de fadas, uma vez que uma fuga, uma vez que uma diversão. Mas quando a gente vai falar da verdade, da inspiração para as noivas, eu acho que a gente pode, sim, olhar para quem a gente é.”
