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Casos de racismo que mancharam a Copa: 'nunca desapareceu'
Esporte

Casos de racismo que mancharam a Copa: ‘nunca desapareceu’ – 21/07/2026 – Esporte

Um vestuário ocorrido depois a vitória da França por 1 x 0 sobre o Paraguai, nas oitavas de final da Despensa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino de 2026, atraiu quase tanta atenção quanto a partida em si.

Imediatamente depois o jogo, a senadora paraguaia Sidéreo Amarilla postou uma série de comentários sobre o capitão gaulês, Kylian Mbappé, descritos por ele uma vez que racistas.

As postagens geraram discussões públicas, uma investigação da procuradoria francesa e reações políticas negativas no Paraguai.

“A linguagem extrema usada por ela e a normalização desta linguagem estabelecem um precedente perigoso”, afirma o ex-jogador de futebol profissional Troy Townsend, ex-chefe de engajamento dos jogadores da organização britânica Kick It Out, que procura enfrentar a discriminação no futebol.

Para ele, “é uma mentalidade e um comportamento que existem há muito tempo e explodem em uma das maiores ocasiões”.

Longa lista de abusos

A polêmica com Mbappé foi somente um dentre diversos incidentes durante o torneio.

Eles incluíram três jogadores holandeses que sofreram racismo na internet depois perderem pênaltis contra o Marrocos, nos 16 avos de final; um torcedor prateado que mandou um influenciador das redes sociais “ir chorar no zoológico”; um torcedor mexicano que pediu desculpas por fazer um gesto racista para um coreano; e torcedores do Egito e de Cabo Virente, que declararam terem sido meta de cerveja e garrafas atiradas por torcedores argentinos.

O técnico do Egito, Hossam Hassan, também cruzou seus braços em X durante uma partida, usando o gesto solene da Fifa para denúncias antirracismo.

A lista de incidentes discriminatórios ocorridos durante o torneio é longa. E a graduação dos abusos parece não ter precedentes, segundo os dados da própria Fifa.

O Serviço de Proteção das Redes Sociais da entidade identificou mais de 89 milénio postagens ofensivas, somente na tempo de grupos, um aumento de 13 vezes em relação à Despensa de 2022, no Qatar. E o ataque com motivações raciais representou 11% de todas as mensagens ofensivas detectadas.

Mas a Fifa também destacou que diversos fatores podem ter contribuído para levante pico. Eles incluem a ampliação do torneio de 32 para 48 seleções e os avanços da tecnologia de detecção empregada para identificar teor censurável.

Em vista das conclusões da Fifa, o sindicato mundial dos jogadores de futebol, Fifpro, alertou que os atletas enfrentam um “padrão crescente de ataque”, pessoalmente e na internet.

“Estes incidentes não são isolados”, segundo a organização. “Eles indicam um padrão sistêmico que não pode continuar sendo aceito no futebol, nem na sociedade.”

Pesquisadores que estudam o racismo no futebol alertam que estes incidentes fazem segmento de uma tendência maior.

“O racismo nunca desapareceu. O racismo é muito esperto e muda de forma a cada geração”, afirma o professor Daniel Kilvington, da Universidade Leeds Beckett, no Reino Unificado. Ele é um dos fundadores da rede Esporte & Discriminação.

Kilvington defende que, embora o racismo proferido nos estádios tenha minguado em relação a décadas detrás, as redes sociais forneceram um novo meato de espalhamento dos abusos, de forma rápida e global.

“Mas o que é problemático não é somente a transmigração do racismo para os espaços online, empoderando as pessoas para dizerem coisas abusivas. Nos estádios e no seu entorno, também estamos começando a ver o seu retorno aumentar.”

Townsend acredita que o ataque no estádio deve ser tratado separadamente do ataque na internet.

Para ele, as autoridades futebolísticas relutam em impor sanções graves, que possam dissuadir significativamente as pessoas.

“Precisamos iniciar a ver prisões, sanções a países devido aos seus torcedores, sua eliminação de competições… Se você não consegue controlar seus torcedores, por que deveria poder jogar em algumas das maiores competições do mundo?”, questiona ele.

Townsend defende que as autoridades futebolísticas precisam ser mais claras sobre o que, para elas, representaria um progresso real contra o racismo.

Kilvington também alerta que a lucidez sintético e a tecnologia deepfake criam novas oportunidades para difundir desinformações racistas. Ele cita um vídeo falso em que o técnico da Holanda, Ronald Koeman, faz observações racistas.

Ele acredita que segmento do teor censurável publicado na internet seja cultivado por grupos de ódio.

“Podem ser torcedores de futebol ou talvez sejam ligados a grupos de extrema-direita… Eles espalham desinformação e fake news para tentar atrair e potencialmente recrutar esses torcedores para sua forma de pensar”, explica Kilvington.

Racismo sistêmico

Paralelamente, o impacto do racismo enfrentado pelos jogadores se estende para além do campo de jogo. Ele prejudica sua curso profissional, sua saúde mental e até sua vida familiar, segundo Townsend.

Ele conta ter ficado aliviado pela roteiro da Inglaterra na semifinal para a Argentina por 2 x 1 ter evitado a cobrança de pênaltis.

“Fiquei muito satisfeito pelo jogo não incluir um erro de um jogador preto”, explica ele. “Fico contente por não termos acordado esta manhã com uma explosão de abusos contra esses jogadores.”

Townsend afirma que ele próprio enfrentou vários abusos.

“Quando você recebe um emoji de macaco, você sabe exatamente o que aquilo significa”, lamenta ele.

“Recebi mensagens uma vez que: ‘Espero que você morra em breve.’ E foi de um jovem com menos de 16 anos de idade.”

“Mas, entre os piores abusos, estão as imagens do grupo supremacista branco americano Ku Klux Klan e as imagens de pessoas negras sendo enforcadas. Elas são enviadas para os jogadores o tempo todo.”

Para Townsend e Kilvington, o racismo observado na Despensa do Mundo de 2026 não é somente uma história do futebol.

Eles dizem que os abusos dirigidos a jogadores e torcedores refletem tendências mais amplas da sociedade, com as redes sociais amplificando a hostilidade, o anonimato e a polarização.

“O racismo infecta todo o sistema, é racismo sistêmico”, afirma Kilvington.

Para ele, a Despensa do Mundo “é somente um microcosmo, em um esporte, em um momento. O racismo existe em todo o mundo, em todos os outros setores da vida.”

Oriente texto foi publicado originalmente cá.

Folha

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