Cassandra Clare anuncia personagem brasileira e fala sobre fim dos 'Caçadores de Sombras'

Cassandra Clare, autora de ‘Os Instrumentos Mortais’, agradece aos fãs brasileiros
A escritora americana Cassandra Clare se prepara para fechar o universo dos Caçadores de Sombras, mundo fantástico que começou a erigir em 2007 com “Cidade dos ossos”, primeiro volume da série “Os instrumentos mortais”. Quase 20 anos depois, a autora lança a trilogia “Os poderes perversos”, que vai concluir a história.
O livro “O último rei das fadas”, que abre a novidade saga, chega ao Brasil nesta terça-feira (3). A autora soma mais de 50 milhões de exemplares vendidos no mundo, sendo 3 milhões unicamente no mercado brasílio. O sucesso literário rendeu uma adaptação para o cinema e inspirou a série “Shadowhunters”, que teve três temporadas.
Em entrevista ao g1, Cassandra anunciou a primeira personagem brasileira do universo dos Caçadores de Sombras: Thais. A escritora também detalhou a decisão de dar um ponto final à franquia para gerar novas tramas e avaliou a relação com os personagens que a acompanham há duas décadas.
“Quando comecei a ortografar ‘Cidade dos ossos’, certamente não imaginava que ainda estaria escrevendo sobre Caçadores de Sombras quase 20 anos depois, ou que esse mundo se tornaria uma segmento tão importante da minha vida”, afirmou a autora.
Cassandra Clare
Divulgação/Editora Record
Ao falar sobre o que os fãs podem esperar das próximas páginas, a autora destacou a relação com o público do país. “Os leitores brasileiros têm sido incrivelmente entusiasmados e apoiadores dos livros dos Caçadores de Sombras por tantos anos. Sempre fui grata por isso e adoro ver o quanto o fandom brasílio é enamorado”, comenta a autora.
A escritora deixou em simples a possibilidade de retornar ao Brasil na turnê de lançamento. Sobre a trama, explicou que já tinha em mente o desfecho de todo o universo. Ao longo das publicações, ela foi amarrando acontecimentos e revelações que finalmente vão se conectar na trilogia final.
Apesar da despedida dos Caçadores de Sombras, Cassandra segue firme no gênero. Ela já trabalha em outras frentes, uma vez que a série adulta “O portador da punhal”, ambientada em um universo inédito, com regras mágicas e personagens próprios.
O público jovem adulto também não ficará desamparado. A escritora adiantou que planeja uma novidade saga, misturando elementos de subida fantasia com o mundo real.
Leia inferior a entrevista de Cassandra Clare ao g1.
g1 – Você começou ‘Instrumentos Mortais’ em 2007. Quase 20 anos depois, uma vez que é ortografar sabendo que ‘Os Poderes Perversos’ encerrará esse universo? E de onde veio a decisão de se despedir do mundo dos ‘Caçadores de Sombras’?
Quando comecei a ortografar “Cidade dos Ossos”, certamente não imaginava que ainda estaria escrevendo sobre “Caçadores de Sombras” quase vinte anos depois, nem que esse mundo se tornaria uma segmento tão importante da minha vida. Na quadra, eu simplesmente esperava que as pessoas gostassem da história de Clary, Jace, Simon e seus amigos. Não fazia teoria de quanto aquele mundo cresceria, nem de quantas gerações de personagens eu acabaria conhecendo.
Mas sempre tive em mente um desfecho para a história mais ampla dos “Caçadores de Sombras”. Ao longo dos anos, fui construindo a narrativa em direção a determinados acontecimentos e revelações, e é em “Os Poderes Perversos” que esses fios finalmente se unem.
Não quero continuar escrevendo livros ambientados nesse universo simplesmente, porque posso. Quero que a série tenha uma peroração que seja significativa e satisfatória, tanto para mim quanto para os leitores que acompanham esses personagens há tanto tempo.
Porquê Jem [personagem do universo] disse, o mundo é uma roda e, de certa forma, fechar uma série significa trazê-la de volta ao ponto em que começou, mas transformada.
Adorei ortografar as “Crônicas dos Caçadores de Sombras” e, obviamente, continuei tendo ideias ambientadas nesse mundo. Mas, depois de 20 anos, sinto que estou pronta para voltar minha atenção para outras histórias e projetos criativos, que eu possa principiar do zero e erigir desde o início.
g1 – Existe diferença entre saber que uma história precisa terminar e estar emocionalmente pronta para realmente encerrá-la?
Com certeza. Acho que são duas coisas completamente diferentes. Porquê escritora, consigo reconhecer quando uma história chegou à sua peroração oriundo. Sei aonde os personagens precisam chegar, quais perguntas precisam ser respondidas e o que o desfecho deve obter. Essa é a segmento artesanal da escrita, aquela segmento de você que aprendeu a narrar histórias ao longo dos anos.
Estar emocionalmente pronta é outra questão. Esses personagens estão comigo há anos e, em alguns casos, há décadas. Eles mudaram à medida que eu também mudei. Passei tanto tempo imaginando suas vidas que eles parecem pessoas que conheço, embora, é evidente, eu os tenha inventado.
Também acho que os finais são difíceis porque exigem que você aceite que não pode narrar todas as histórias possíveis. Sempre haverá outra proeza que esses personagens poderiam viver, outra conversa que poderiam ter, outro momento de suas vidas que eu poderia explorar. Secção de ortografar um final satisfatório é saber quando deixá-los para a imaginação dos leitores.
Não sei se vou me sentir completamente pronta até ortografar a frase final. Talvez nem mesmo naquele momento!
g1 – Ao longo desses quase 20 anos, você contou histórias sobre diferentes gerações de personagens e famílias cujas trajetórias se conectam em várias séries. O que fez você escolher Kit, Ty e Dru uma vez que protagonistas da trilogia final?
Toga do livro O Último Rei das Fadas, de Cassandra Clare
Divulgação/Editora Record
Kit, Ty e Dru foram apresentados em “Os Artifícios das Trevas”, e, enquanto escrevia aqueles livros, eu sabia que eles tinham histórias muito maiores pela frente. Eram personagens mais jovens, afetados pelos acontecimentos ao volta deles, mas que ainda não estavam em posição de influenciar esses acontecimentos por conta própria. Eu queria ver o que aconteceria quando crescessem e se tornassem as pessoas responsáveis por tomar as decisões importantes.
Kit agora está bastante familiarizado com o mundo dos Nephilim, mas ainda mantém evidente distanciamento dele, já que viveu, essencialmente, sob proteção de identidade por razão de sua linhagem real. Ty se isolou ao tentar ressuscitar a mana; agora, está ligado ao fantasma dela e determinado a manter sua existência em sigilo.
Kit e Ty têm uma história particularmente complicada juntos. O relacionamento deles começou com uma conexão que nenhum dos dois compreendia totalmente e terminou em uma separação dolorosa. Por isso, a história dos dois gira em torno da possibilidade de reparar essa ruptura.
Kit Herondale, à esquerda, e Ty Blackthorn, à direita
Divulgação/Editora Record
Dru, por sua vez, é alguém sobre quem eu queria ortografar havia muito tempo. Ela é engraçada, feroz, teimosa e frequentemente subestimada, em segmento por ser a filha mais novidade de uma família muito numerosa. Ela também é uma protagonista plus size, e era importante para mim dar a ela uma proeza romântica na qual pudesse ocupar o núcleo da história sem que seu corpo fosse tratado uma vez que alguma coisa que precisa mudar.
E há também Ash Morgenstern, que é tão importante quanto os outros para a trilogia. Ele é rebento de Sebastian Morgenstern e cresceu carregando o peso de um terrível legado familiar.
Os quatro personagens estão lidando, cada um à sua maneira, com a questão de até que ponto suas famílias e suas histórias determinam quem são e quanta liberdade têm para gerar um caminho inteiramente novo para si mesmos. E, evidente, se conseguirão salvar o mundo. Não acho que isso seja um spoiler. Demônios: sempre tentando destruir o mundo. Caçadores de Sombras: sempre tentando salvá-lo.”
g1 – No primeiro livro de ‘Os Poderes Perversos’, Dru e Ash estão ligados ao mundo das fadas, enquanto Kit e Ty precisam mourejar com um desaparecimento. Porquê essas histórias se desenvolvem ao longo do livro? Você pode nos dar qualquer spoiler? Haverá mortes?
O livro acompanha duas grandes tramas que, a princípio, parecem bastante separadas. Dru e Ash acabam envolvidos na política e nos perigos do mundo das fadas, enquanto Kit e Ty investigam um mistério que os leva a embarcar em sua própria jornada.
Adoro ortografar histórias nas quais diferentes grupos de personagens perseguem objetivos distintos, mas cujas ações vão afetando umas às outras gradualmente, de maneiras que eles ainda não percebem. À medida que o livro avança, as conexões entre as duas tramas se tornam cada vez mais importantes. Não são duas aventuras sem relação entre si; são partes diferentes de uma mesma história maior.
Posso prometer muita magia, romance, risco e algumas reuniões surpreendentes. Também há lugares que nunca visitamos antes no mundo dos “Caçadores de Sombras”. Acho que posso revelar que há uma surpresa muito grande no final.
Quanto às mortes, acho que os leitores já me conhecem o suficiente para não esperar que todo mundo saia completamente incólume de um livro dos Caçadores de Sombras!
g1 – Ao longo das diferentes séries, personagens que antes pareciam estar no núcleo da história deram lugar a novas gerações. Quais personagens os leitores podem esperar reencontrar em Os Poderes Perversos? E uma vez que você decide quais histórias ainda precisam ser retomadas e quais já chegaram ao termo?
Os leitores certamente vão reencontrar rostos conhecidos! Kit, Ty e Dru fazem segmento de famílias cujas vidas estão profundamente ligadas ao universo mais vasto dos Caçadores de Sombras. Personagens de Instrumentos Mortais e Os Artifícios das Trevas têm papéis importantes, e alguns dos relacionamentos e conflitos estabelecidos nos livros anteriores são fundamentais para o que acontece agora.
Mas tento ter desvelo para não trazer de volta personagens queridos unicamente por nostalgia. É ótimo reencontrar Clary, Jace ou Emma, mas quero que haja uma razão ligada à história que estou contando, cuja trama pertence aos protagonistas.
E uma das coisas divertidas de ortografar em um universo que abrange várias gerações é que personagens que já foram protagonistas podem se tornar mentores, pais, irmãos, amigos — ou inimigos! — na história de outra pessoa. Podemos vê-los por uma perspectiva dissemelhante, e isso é mais interessante do que colocá-los novamente no núcleo de tudo.
g1 – ‘Melhores de Preto’ (tradução de ‘Better in Black’) reúne novas histórias sobre diferentes casais do universo dos Caçadores de Sombras. O que fez você querer festejar essas histórias de paixão justamente neste momento, antes da peroração da saga?
“Melhores de Preto” começou com um projeto no Kickstarter. Eu queria desvendar se os leitores teriam interesse em algumas histórias adicionais sobre personagens e relacionamentos que já amavam, e a resposta foi enorme.
Uma das coisas de que sempre gostei ao ortografar romances é que o momento em que dois personagens finalmente ficam juntos não precisa ser o termo da história deles. Enamorar-se é unicamente o primórdio. Há muitas questões interessantes sobre o que acontece depois, principalmente quando os personagens vivem em um mundo pleno de magia, perigos e relações familiares complicadas.
Algumas das histórias são românticas e divertidas, enquanto outras são mais emocionantes ou agridoce.”
g1 – Alguns dos seus leitores tinham 13 ou 14 anos quando conheceram Clary e Jace e agora estão na vivenda dos 20 ou 30 anos. O que você percebeu que mudou na maneira uma vez que esses leitores enxergam suas histórias à medida que eles próprios foram crescendo?
“Uma das coisas mais interessantes de ortografar esses livros por tanto tempo é encontrar leitores que os descobriram na juvenilidade e agora são adultos. Hoje, eles têm carreiras, companheiros e filhos. Às vezes, alguém me conta que leu “Cidade dos Ossos” aos 13 anos e que agora o próprio rebento está lendo o livro, o que é uma experiência surreal.
Uma das coisas boas de uma série que continua por tanto tempo é que os leitores frequentemente passam a se identificar com personagens diferentes à medida que envelhecem. Quando você tem 14 anos, pode estar totalmente concentrado no romance entre Clary e Jace ou na invenção de um mundo mágico escondido por Kit. Quando volta aos livros aos 30 anos, talvez se identifique mais com Will e Tessa quando eles já são pais e têm filhos.
Os livros podem valer coisas diferentes para o mesmo leitor em idades diferentes. Essa é uma das coisas maravilhosas das histórias: elas não mudam quando você as relê, mas você muda.”
g1 – Você tem uma relação muito próxima com os leitores brasileiros. Há planos de trazer a turnê de Os Poderes Perversos ao Brasil? E o que os leitores brasileiros podem esperar deste novo capítulo?
Os leitores brasileiros têm sido incrivelmente entusiasmados e apoiadores dos livros dos Caçadores de Sombras por tantos anos. Sempre fui grata por isso e adoro ver o quanto o fandom brasílio é enamorado. Adoraria voltar ao Brasil para “Os Poderes Perversos”. Sinto que o Brasil é o único lugar onde já estive em que encontro leitores na rua e eles me abraçam espontaneamente!
Quanto ao que os leitores brasileiros podem esperar, espero que encontrem a proeza, o romance, os mistérios e o sofrimento emocional de que já gostam.
Aliás, há a primeira personagem brasileira desta série: Thais! Espero que gostem dela. Ela é durona e muito divertida. Supra de tudo, espero que sintam que estão voltando para vivenda, para um mundo familiar.
g1 – Depois de quase duas décadas dedicadas aos Caçadores de Sombras, você já consegue imaginar o que gostaria de ortografar quando essa história finalmente chegar ao termo?
Sim! Na verdade, já comecei a explorar outro mundo de fantasia com O Portador da Punhal, o primeiro livro de “As Crônicas de Castellane”. É uma fantasia adulta ambientada em um mundo completamente dissemelhante, com sua própria história, romance, magia e personagens.
Mas não pretendo deixar de ortografar fantasia para jovens adultos para sempre; paladar demais desse gênero. Já tenho planos para uma novidade série de fantasia para jovens adultos que seria quase uma vez que uma combinação de Castellane e “Caçadores de Sombras”: ela mistura um mundo de subida fantasia com o nosso.
Há qualquer personagem ou alguma história do universo dos Caçadores de Sombras de quem você acha que será particularmente difícil se despedir?
Acho que será mais difícil me despedir de personagens uma vez que Magnus, Clary, Will, Jem e Tessa, que estão comigo há tanto tempo. Mas provavelmente será difícil me despedir de todos eles. Não acho que expressar adeus signifique que vou parar de imaginar o que acontece com eles.
Mas espero que, quando chegar ao termo desta trilogia, sinta que dei a esses personagens e às suas histórias finais que sejam fiéis a quem eles são — e que os leitores sintam o mesmo.
Fonte G1




