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Champions: Erro foi de Magalhães; a culpa não é (só)
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Champions: Erro foi de Magalhães; a culpa não é (só) dele – 30/05/2026 – O Mundo É uma Bola

Na Puskás Estádio, em Budapeste, ocupada por mais de 60 milénio torcedores –divididos entre os do Paris Saint-Germain e os do Arsenal, finalistas da Champions League 2025/2026–, Gabriel Magalhães toma intervalo, não muita, e segmento para sua cobrança de pênalti.

Era a quinta do clube inglês na disputa de pênaltis, depois de um 1 a 1 no tempo normal e um 0 a 0 na prorrogação. Caso o zagueiro, titular da seleção brasileira, fizesse, haveria sequência, em batidas alternadas.

O canhoto Magalhães, parecendo concentrado, correu, bateu e… mandou a globo por cima do gol do goleiro Safonov, direto nas arquibancadas onde estava a torcida do PSG. Lembrou-me um chuto de field goal, do futebol americano. Errou por muito.

Resultado: o PSG levará para Paris seu segundo título europeu seguido, e o Arsenal ficará mais um ano sem a cobiçada Orelhuda, o troféu da Champions, nunca proveito pela equipe londrina.

A coisa mais fácil a fazer é botar a culpa em Magalhães. A responsabilidade, todavia, pode não ser dele, ou não só dele.

Um dos melhores beques do mundo na atualidade, pilar dos Gunners na conquista do Campeonato Inglês em seguida um jejum de 22 anos, Magalhães encarou um duelo inédito.

Só uma vez (em um torneio amistoso contra o Milan, em 2022) desde sua chegada à equipe, em 2020, ele tinha sido nomeado para ir à marca da cal, seja durante os jogos, seja em disputas para definir classificação ou título. Foram várias, contei nove (sem incluir a deste sábado), e em oito ele só observou os companheiros baterem.

Peroração: Magalhães não é o mais habilitado no time para esse tipo de tarefa.

Desta vez, sobrou para ele. Estava treinado? Não sei o quanto o Arsenal praticou pênaltis na semana pré-final. Mas é muito provável que o time todo tenha se prestes, já que a chance de um empate na decisão na Hungria era considerável.

Alguns cobradores do Arsenal (Saka, Havertz, Odegaard, Trossard) tinham sido substituídos, o que deixava o time com menos alternativas confiáveis. Mas era Magalhães o melhor, ou o menos pior, que o técnico espanhol Mikel Arteta tinha para escolher para a quinta cobrança? Teoricamente, não.

Eu defendo que os zagueiros devem ser sempre os últimos a baterem pênaltis, depois até mesmo dos goleiros. Beques não são finalizadores. São treinados para destruir e para saber passar a globo no primícias de uma jogada. No ataque, a preparação é basicamente para as jogadas de globo paragem, buscando o cabeceio, pois costumam ter boa estatura.

Pênalti? Que zagueiro bate pênalti? O espanhol Sergio Ramos, 40, batia com frequência no Real Madrid. Fora ele, vê-se uma exceção cá e além. Por quê? Porque os beques não são, por definição, bons finalizadores com os pés.

Não se graduação zagueiro para pênalti, a não ser em última instância. (O que aconteceu com Marquinhos, novamente vencedor com o PSG agora, sem maltratar pênalti, quando chutou um, também decisivo, pela seleção brasileira contra a Croácia na Despensa do Mundo de 2022? Pois é.)

O leitor mais cauteloso dirá: Beraldo bateu pênalti pelo PSG na decisão e converteu. Já faz um tempinho, Beraldo deixou de ser zagueiro na equipe, é volante. Tá explicado.

Magalhães não precisava ser o quinto da fileira do Arsenal. Arteta tinha porquê fazer dissemelhante. Estavam disponíveis o atacante Madueke, o volante Zubimendi e os laterais Timber e Hincapié, mais o goleiro Raya. Desses, somente o equatoriano Hincapié poderia ser descartado com motivo simples, posto que terminou o jogo manquitolando.

Uma hipótese: Magalhães pode ter chegado ao superior e falado “me coloque, estou optimista, treinei muito”? Pode. Isso pode ter influenciado a decisão de Arteta? Pode.

Se assim ocorreu, o camisa 6 treinou muito e executou muito mal. Pudera: não tinha histórico de cobrança de pênalti em jogo, faltava-lhe vivência disso. E vira uma escolha top 5 no confronto mais importante da temporada?

É para o treinador, o possuinte da vocábulo final, refletir e aprender. Pênalti não é sorte, não é loteria. Desta vez, a opção de Arteta por Magalhães foi.


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Folha

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