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Chapterhouse estreia no Brasil com clássicos do shoegaze 25/09/2026
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Chapterhouse estreia no Brasil com clássicos do shoegaze – 25/09/2026 – Ilustrada

Demorou quase 40 anos, mas finalmente um capítulo importante da história do shoegaze desembarca em São Paulo na próxima terça-feira (29), quando a filarmónica britânica Chapterhouse fará um show no Cine Joia, a primeira apresentação do quinteto no Brasil.

O subgênero nasceu no Reino Unificado na segunda metade dos anos 1980 com bandas uma vez que My Bloody Valentine, Lush, Ride, Swervedriver, Slowdive e outras, que faziam um rock pesado com guitarras etéreas e cheias de efeitos que criavam um clima lúdrico e onírico. “Parece pataratice que, depois de tanto tempo, finalmente vamos tocar no Brasil”, diz o guitarrista do Chapterhouse, Stephen Patman, de 57 anos.

O nome “shoegaze” significa “olhar os sapatos” e nasceu da reparo de que muitas daquelas bandas tocavam olhando para insignificante. A razão pela qual elas fitavam o soalho é amplamente debatida. Alguns dizem que era por pura vergonha de encarar plateias; outros juram que os músicos simplesmente estavam prestando atenção nos muitos pedais de efeitos usados pelos grupos daquela geração.

O Chapterhouse foi formado em 1987 por Patman e os amigos Andrew Sherriff —guitarra e vocais—, Simon Rowe —guitarra— e Ashley Bates —bateria. A atual formação não conta com Rowe e tem o guitarrista Robin Light e o baixista Michael Secker.

A filarmónica só lançou dois discos de estúdio, “Whirlpool”, de 1991, e “Blood Music”, de 1993, e ficou paragem desde 1994, com uma breve ressurreição em 2008 para fazer alguns shows.

Neste ano, o grupo se reuniu para festejar o natalício de 35 anos de “Whirlpool”, trabalho que trouxe hits do rock mútuo uma vez que “Breather” e “Falling Down”. “Nos shows da atual turnê tocamos ‘Whirlpool’ na íntegra, fazemos um pausa e depois voltamos para tocar alguns lados B e as melhores músicas de ‘Blood Music’”, diz Patman. “Tem sido muito recreativo.”

Patman diz não saber explicar por que aquela geração de bandas britânicas criou o som que se convencionou invocar de shoegaze. “O que dá para expressar é que todos nós, principalmente os guitarristas, estávamos testando novas formas de tocar nossos instrumentos e novos sons”, diz Patman.

“Nós começamos uma vez que uma filarmónica que só queria ser os Stooges [banda pré-punk de Iggy Pop] e o Velvet Underground [banda de Lou Reed e John Cale], mas começamos a ouvir os guitarristas do pós-punk, gente uma vez que John McGeoch, da Siouxsie and the Banshees, ou Will Sergeant, do Echo and the Bunnymen, e percebemos que era verosímil inventar sons novos na guitarra. Esses caras foram grandes inovadores”.

Outras influências foram bandas americanas barulhentas uma vez que Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Mudhoney, que usavam distorção de uma maneira mais “suja” e “garageira”. “Os pedais de distorção da quadra eram muito limpos e tinham aquela distorção típica de bandas de heavy metal”, diz Patman. “Aí começamos a ouvir gente uma vez que Mudhoney e Sonic Youth, que usavam pedais dos anos 1960 e faziam uma releitura do rock de garagem sessentista. Aquilo mexeu muito com a gente. É óbvio que o som de guitarra do Sonic Youth em discos uma vez que “Evol” [de 1986] e “Sister” [de 1987] influenciou toda a nossa geração.”

Outra influência mais próxima foi a filarmónica escocesa The Jesus and Mary Chain. “Era a filarmónica europeia mais lícito daquele período”, diz Patman. “Os discos eram maravilhosos e o visual deles, todos de preto, muito marcante.”

“Nós também só usávamos preto para imitar os Reid [William e Jim, irmãos que lideram o The Jesus and Mary Chain], mas as pessoas nos chamavam de ‘góticos’ e isso nos deixava putos da vida. Nós odiávamos os góticos”, ele diz aos risos, “mas tenho de revelar que algumas bandas, uma vez que o Bauhaus, eram ótimas e muito inovadoras.”

Patman conheceu de perto toda a primeira geração do shoegaze inglês –eram amigos e vizinhos do pessoal do Slowdive em Reading– e entregou alguns “segredos sonoros” dos colegas. “Sabe o som dos primeiros discos do Slowdive? Era um efeito chamado ‘Soft Focus’ de um rack de guitarra da Yamaha padrão FX 500. Nós usamos o mesmo rack, mas com um efeito chamado ‘Lush Strings’. Boa secção do disco ‘Whirlpool’ usou esse efeito. O Kevin [Shields, guitarrista do grupo My Bloody Valentine] usou muito o FX 500 e um rack da Alesis chamado Microverb 3, e muitos dos sons dos discos do My Bloody Valentine foram gravados com esse rack.”

Patman afirma que o nome “shoegaze” nasceu uma vez que um insulto —a sentença teria sido criada por Andy Ross, executivo e jornalista que trabalhou na gravadora Food Records, que havia lançado a filarmónica Blur. Durante um show do Lush, com fenda de Blur e Moose, Ross teria chamado o Moose de “bunch of shoegazers” —grupo de caras que ficam olhando os sapatos—, e a sentença pegou. “Nós odiávamos esse nome.”

Porquê explicar portanto que o termo não só tenha perdido a conotação ofensiva, mas seja usado hoje por tantas bandas novas que foram influenciadas por aquela cena inglesa? “Rendimento que é um mistério para nós”, diz Patman. “Tenho uma filha de 15 anos e grande secção das playlists dela são de bandas de shoegaze ou que são influenciadas pela nossa geração. Nunca achamos que isso estaria acontecendo hoje para um grupo de caras de quase 60 anos uma vez que nós.”

Folha

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