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Cinema brasileiro se despede de Luiz Carlos Barreto
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Cinema brasileiro se despede de Luiz Carlos Barreto

O cinema brasiliano se reuniu nesta quinta-feira (23) para a despedida do produtor, fotógrafo e cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Nascido em Sobral, no Ceará, e radicado no Rio de Janeiro, Barreto construiu uma das trajetórias mais importantes da história do audiovisual brasiliano. 

Foi por meio do olhar delicado de fotógrafo que passou a pensar o Brasil, retratando o povo brasiliano, suas contradições e sua cultura em filmes que marcaram gerações e levaram o país aos principais festivais internacionais, porquê Cannes, além de indicações ao Oscar.

O Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, recebeu familiares, cineastas, artistas e representantes da cultura brasileira para o velório do produtor, que morreu na quarta-feira (22), aos 98 anos.  

Considerado um dos maiores nomes da história do cinema pátrio, Barreto foi lembrado por amigos e parceiros porquê um dos responsáveis pela consolidação da indústria cinematográfica brasileira e por transformar o cinema em um instrumento para pensar o país.


Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no Palácio da Cidade – Foto: Tânia Rêgo/Filial Brasil

Ao lado da mãe, a produtora Lucy Barreto, e dos irmãos, o diretor Bruno Barreto recebeu o carinho de dezenas de pessoas que fizeram secção da história do cinema brasiliano.

A relação de Luiz Carlos Barreto com o cinema também se confundia com a própria história de sua família. Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, construiu uma parceria que marcou o audiovisual brasiliano, enquanto os três filhos seguiram caminhos ligados à sétima arte. 

Mas, para Barretão, a família ia além dos laços de sangue. Cineastas, técnicos, atores e produtores tornavam-se secção de uma convívio construída nos sets de filmagem, nos debates sobre o país e na paixão compartilhada pelo cinema. Fazer cinema, para ele, era também uma forma de estar em família.

Aos 98 anos, Luiz Carlos Barreto deixa uma obra que ajudou a erigir a identidade do cinema brasiliano e projetou o país para o mundo. Mais do que produtor, foi um dos principais articuladores de um cinema comprometido com a verdade pátrio e com a valorização da cultura brasileira.

Ao longo da cerimônia de despedida, no Palácio da Cidade, cada presente compartilhada por familiares, amigos e parceiros de trajetória era seguida por longas palmas que ecoavam pelo salão. 

Entre relatos emocionados e memórias de quem conviveu com Barretão, permaneceu a imagem de um varão que transformou o olhar da retrato em um projeto de cinema para pensar o Brasil.


Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Lucy Barreto, esposa de  Barretão, recebe o cumprimento de amigos no velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Lucy Barreto, esposa de  Barretão, recebe o cumprimento de amigos no velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Lucy Barreto (D), esposa de Barretão, recebe o cumprimento de amigos no velório do cineasta – Foto: Tânia Rêgo/Filial Brasil

Fez da própria família um dos pilares de sua trajetória e ampliou esse noção para toda uma geração de artistas que encontraram nele um parceiro, um rabi e um colega. Sua obra seguirá inspirando novas gerações de realizadores e mantendo viva a crença de que relatar histórias brasileiras é também uma forma de compreender o país.

Em entrevista durante a cerimônia, Bruno Barreto relembrou a capacidade do pai de surpreender até mesmo depois da morte. Ele contou que descobriu recentemente uma curiosidade envolvendo a conquista da primeira Despensa do Mundo pelo Brasil, em 1958.

“Hoje de manhã acordei e li que o hábito de o capitão vencedor da seleção brasileira levantar a taça começou por justificação do meu pai. Ele era fotógrafo da revista O Cruzeiro e, porquê estava detrás de muitos fotógrafos, pediu ao Bellini para levantar mais a taça. A partir daí, todos os capitães passaram a repetir esse gesto”, contou.

O diretor também recordou a puerícia cercada pelo cinema dentro de lar. Lembrou que ele e os irmãos cresceram convivendo com a cadela Baleia, que participou de Vidas Secas, e com a primeira moviola nivelado Steenbeck instalada no Brasil, onde cineastas porquê Ruy Guerra e Arnaldo Jabor montaram seus filmes.

“Uma das minhas lembranças de puerícia é ver a tenda do circo subindo e descendo na moviola, indo para frente e para trás, na lar dos meus pais”, disse.

A presidente da Empresa Brasil de Informação (EBC), Antonia Pellegrino, afirmou que a despedida representa também uma celebração da vida de um brasiliano comprometido com a cultura e com o país.

“Luiz Carlos foi maior do que o cinema. Foi um grande pensador e articulador de um projeto de Brasil atravessado pela cultura. Era uma pessoa que nunca se desconectou da teoria de erigir uma sociedade melhor”, afirmou.

Ela lembrou que, aos 95 anos, Barretão a convidou para discutir notícia pública quando assumiu a Diretoria de Teor e Programação da EBC.

“Era alguém que acompanhava de perto o que estava sendo feito e permanecia interessado em pensar o país. É um brasiliano que precisa estar na prateleira de cima da nossa história”, completou Antonia.

O diretor do Conduto Brasil, André Saddy, e o produtor Marco Altberg, lembraram que Luiz Carlos Barreto sempre colocou o fortalecimento do cinema brasiliano supra dos projetos pessoais. 

Os dois destacaram que um dos sonhos do produtor se concretizou com a geração do Conduto Brasil, devotado exclusivamente ao audiovisual pátrio. 


Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Bruno Barreto, filho de Barretão concede entrevista durante velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 23/07/2026 - Bruno Barreto, filho de Barretão concede entrevista durante velório do cineasta Luiz Carlos Barreto, no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Bruno Barreto, rebento de Barretão, relembrou a capacidade do pai de surpreender até mesmo depois da morte – Foto: Tânia Rêgo/Filial Brasil

“O Conduto Brasil nasce de um sonho do Barreto. Imaginar um meio voltado unicamente para o cinema brasiliano era um tanto enorme para a era. Sem esse sonho, dificilmente o meio existiria”, lembrou Saddy. 

Para Altberg, Barretão foi um dos principais responsáveis pela consolidação do cinema brasiliano contemporâneo e deixou porquê legado a resguardo permanente da produção pátrio. 

“Ele sempre sonhou grande. Era um líder, um grande colega e nunca deixou de pensar no porvir do cinema brasiliano”, disse.

A cineasta Anne Pinho Guimarães, que estreia nesta quinta-feira (23), em cinemas de todo o país, o longa Pequenas Criaturas, lembrou que iniciou sua trajetória profissional pelas mãos de Luiz Carlos Barreto e definiu o produtor porquê seu “pai no cinema”.

“Foi ele quem me deu meu primeiro trabalho no cinema. Eu o considero meu pai no cinema. Era um enamorado pelo cinema brasiliano e acreditava que o Brasil precisava ser visto nas telas. Esse é um vara que precisamos continuar carregando”, afirmou.

Fonte EBC

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