Com Fachin distraído, STF espelhou um humor típico de TV – 16/09/2026 – Ilustrada
Houve uma quadra em que a programação vespertina da TV era sinônimo de mundo cão e baixaria. Entre programas policiais, brigas de família e segredos bizarros, o testemunha era levado a um mundo onde a tragédia humana se convertia em humor involuntário.
Nesta terça-feira, essa função de entretenimento, que parecia estar a caminho nos anais da história televisiva, ficou a missão de oito dos dez membros do Supremo Tribunal Federalista, que se reuniram para averiguar relatório sobre a relação de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e deliberar se o ministro será investigado.
Liderados por um tristonho presidente com ar cordato, Edson Fachin, que mais exala a imagem de um bondoso vovô de traçado entusiasmado, os ministros do STF trocaram acusações porquê se não houvesse decoro.
Enquanto os ministros discutiam o estado da Polícia Federalista, chegando a declarar que existe um órgão “paralelo” dentro da instituição, o presidente da golpe folheava tranquilamente um livro, coçava os olhos e respondia aos pedidos de mediação com um ligeiro menear de cabeça.
Parecia, antes, um distraído e desinteressado testemunha do que a maior domínio da moradia. O que se agrava diante do vestimenta de ser também o presidente do Supremo o representante de um dos três Poderes da República e o quarto membro da traço sucessória da Presidência.
Na presença de seu silêncio e desinteresse, focalizado nas câmeras da TV Justiça, que deixavam os embates porquê fundo sonoro, fragilizando sua posição e a da golpe, era porquê se o Estado do contrato social de que fala Thomas Hobbes houvesse sido rasgado e a Suprema Incisão, justamente ela, houvesse regredido para o Estado de natureza —também publicado porquê Estado de guerra.
Divididos em duas alas, porquê uma torcida organizada ou num teste de DNA do Programa do Ratinho, os ministros embolaram o beletrismo juridiquês, que faria Machado de Assis molhar numa pena da galhofa com a tinta da melancolia, com trocas de acusações e embates que mais expuseram a dimensão da crise do que estancaram a sangria.
O decano da golpe, ministro Gilmar Mendes, afirmou que, antes de distanciar o diretor-geral de um poder armado, porquê aconteceu no caso do diretor da Polícia Federalista, Andrei Rodrigues, “o sujeito tem que se maniatar antes de fazer esse tipo de coisa”. Depois, recorreu a uma imagem que melhor caberia aos pastores que compram horários nas televisões: “Quando ele tiver a tentação, tem que pedir a Deus que interceda e não faça!”
A questão da Polícia Federalista levou o decano a um bate-boca com o ministro André Mendonça, a quem chamou de “boneco eleitoral” e “pixuleco”, fazendo aumentar as buscas sobre o termo na internet. Mendonça, hoje o principal representante da flanco bolsonarista, no meio da discussão, rebateu num momento da discussão: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não está falando com qualquer um.”
O tema também centralizou a discussão entre Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Ao ser interrompido pelo último, logo depois questionar “quem tem temor da Polícia Federalista?”, Moraes rebateu: “Não perguntei a Vossa Superioridade!” Ao que Fux respondeu, enquanto Fachin virava as páginas de um livro: “Mas estou lhe respondendo.” Indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff, Fux recentemente passou a ser identificado porquê secção da flanco bolsonarista da golpe.
O envolvente visto nesta terça na TV pode render cortes para as redes, humor involuntário e até certa catarse para as torcidas organizadas do petismo e bolsonarismo, as duas forças hegemônicas da política brasileira, mas deveria, na verdade, servir porquê reflexão para o estado do STF. Trata-se, finalmente, de uma crise que não vem de hoje.
Enquanto a política eleitoral, ao longo dos últimos 15 anos, se massificou na internet, o STF adquiriu um novo papel na cena política brasileira por meio do televisionamento do julgamento da AP 470, o chamado “julgamento do mensalão”.
Foi a partir daquele julgamento, bastante criticado pela esquerda petista, que os ministros da golpe, alçados à popularidade, começaram a progredir para além das funções constitucionais que lhe são atribuídas e para além do decoro da função.
Se, por um lado, Alexandre de Moraes e outros ministros mantêm contatos pouco republicanos com Daniel Vorcaro, cabe lembrar que, nos últimos anos, ministros do STF passaram a ser tratados porquê celebridades, influenciadores, especialistas e o que mais brotar.
Opinam sobre temas sobre os quais deveriam falar somente nos autos, tratam de temas que cabem à sociedade social e não a ministros do STF, dão entrevistas o tempo todo na televisão, participam de eventos literários porquê se não fossem autoridades, contribuindo para a diluição da domínio e das funções da golpe.
“Eu estou triste. Eu queria ter sido melhor em poder ter ajudado a acalmar as coisas, mas eu não consegui”, afirmou a ministra Cármen Lúcia, que transitou pela última Flip porquê uma notoriedade literária. Na semana passada, em meio à crise, esteve na Bienal do Livro de São Paulo lançando um livro infantil. E, em 2018, num seminário que contou com a presença da cantora Alcione, ergueu os braços e bradou: “Não deixe o samba morrer!”





