
Letrux em divulgação do novo disco
Bruna Latini/Divulgação
De toalha na cabeça, óculos escuros e citando Fernanda Torres: foi logo que Letrux conversou com o g1 em plena correria do dia de lançamento do seu novo álbum, “SadSexySillySongs”, na última sexta-feira (27).
“Sou uma pessoa boba, que não liga muito para formalidades. Sou sexy quando eu quero e triste também, finalmente, quem não está triste em pleno 2026 com guerras e robôs?”, indagou a artista no início da entrevista.
O seu quarto disco solo aposta em baladinhas com texturas de sintetizadores para escoltar a base de voz e violão e é definido pela cantora uma vez que o mais “minimalista” e “cru” dos projetos até cá. Essa mesma atmosfera ditará o tom da sua novidade turnê, que estreia em abril.
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Término da trilogia de ‘chuva’
O novo projeto, que começou a ser gestado em um caderninho de anotações ainda em 2023, reúne 12 faixas que dividem o repertório entre o português e o inglês.
O título brinca com uma aliteração em “S” (no inglês) e resume as três atmosferas que regem a obra e a própria personalidade da artista: a tristeza, a sensualidade e o truão.
Para Letrux, a data de lançamento de um disco é uma escolha que vai além do calendário mercantil.
Seus três álbuns anteriores (“Noite de Climão”, “Aos Prantos” e “Mulher Girafa”) foram publicados entre o termo de fevereiro e o início de março e eram regidos pelo elemento chuva.
Desta vez, a cantora rompe o ciclo ao levar “SadSexySillySongs” para o final de março, inaugurando sua era de queima sob o signo de Áries. “O queima também serve para queimar”, explica.
Cantora carioca Letrux, em imagens de divulgação do novo disco
Bruna Latini
“Depois de uma trilogia de chuva, é o momento de queimar e principiar de novo”.
‘Cadelinha’ da própria música
Para tirar o projeto do papel, Letrux distribuiu “temas de redação” para parceiros uma vez que Mahmundi, Jadsa e Bruno Capinam.
“Dava um tema para cada companheiro: vamos fazer uma música triste? Vamos fazer uma sexy?”, explica.
Letícia Novaes, a Letrux, em fotos de divulgação do novo álbum
Bruna Latini
O resultado é um álbum que foge de uma unidade sonora propositalmente. “Não sou fã daquela sensação de ir para um show e descobrir que a pessoa está tocando a mesma música há quatro faixas”, afirma.
A artista buscou um caminho “minimalista”, nas palavras dela, focando em uma produção voltada para a voz e violão. Embora às vezes o estúdio ditasse novas regras.
“Algumas canções pediam uma produção eletrônica, uma programação, um beatzinho… E nós ficávamos ali, cadelinhas das músicas e acabávamos atendendo”, relembra.
O disco conta com a produção de Bebelo, baixista que acompanha a artista desde o início da curso solo, em 2017. Segundo Letrux, a abordagem “rebuscada e chique” do músico trouxe uma novidade perspectiva para sua obra.
Maternidade e originalidade
Letrux em divulgação do novo disco
Bruna Latini
A chegada da filha, Yoko, trouxe um novo fôlego ao processo de escrita de Letrux. Ela mantém um relacionamento de 12 anos com o músico Thiago Vivas e, há quatro, vive uma união com a alemã Katja, com quem divide a maternidade.
Em entrevistas, a cantora revelou que o trio chegou a cogitar o formato de trisal, mas a teoria não avançou. “Tenho um parceiro e uma parceira”, resumiu.
Ela rebate a teoria de que a originalidade seja um talento inato, definindo-a uma vez que um “manobra quotidiano” que foi intensificado pelo “jogo de cintura” exigido pela maternidade.
“Todo dia eu componho uma música para ela. Se é bom ou ruim, sabem os deuses, mas estou com uma prática da originalidade muito potente”, afirma.
Reações às críticas
A novidade rotina também alterou a forma uma vez que a cantora lida com a recepção de sua obra e as críticas nas redes sociais.
Letícia Novaes, a Letrux, em fotos de divulgação do novo álbum
Bruna Latini
Comparando com o lançamento de trabalhos anteriores, Letrux afirma que hoje estabelece prioridades diferentes e sente-se menos saída por comentários negativos.
“Tem uma miniatura de ser humano me olhando e isso importa muito mais do que alguém no meu Instagram me dizendo se gostou ou não da minha música”, pontua.
Espiritualidade em um ano ‘pesadinho’
A espiritualidade é um pilar mediano na vida de Letrux. Umbandista, ela ressalta que a conexão com o sagrado vem de nascimento, influenciada pelo pai, que é médium.
“A religião preenche algumas lacunas perigosas e buracos que todo mundo tem na vida”, explica.
A procura por uma morada novidade também entrou no roteiro da artista, guiada por um parecer familiar.
Letrux em divulgação do novo disco
Bruna Latini
“Não acredito na Igreja Católica, mas acredito na minha avó. Ela disse que eu deveria ir à missa de São Pedro pedir a chave e eu fui”, recorda.
Despensa do mundo e eleições
Apaixonada por futebol, a cantora critica a realização da Despensa do Mundo em um contexto de conflitos bélicos entre os Estados Unidos e o Irã, classificando a situação uma vez que “maluquice”.
Em relação as eleições, a cantora demonstra preocupação com o “progressão da lucidez sintético” uma vez que um combustível para a propagação de desinformação e fake news.
Mesmo diante de um cenário que classifica uma vez que “perigoso”, a artista manifesta o libido de manter o diálogo vivo.
“Tomara que a gente tenha força e gogó para dialogar com as pessoas que pensam dissemelhante da gente”.
Clipes e turnê
Os próximos passos incluem a transformação de SadSexySillySongs em um álbum visual. Letrux está em processo de gravação de clipes para quase todas as faixas.
“Morosidade um pouquinho, mas o ano acabou de principiar. Estou superanimada, faltam poucos para gravar”, revela.
A turnê de lançamento já tem as primeiras datas confirmadas e deve priorizar teatros e casas de shows mais “intimistas”.
Letícia Novaes em momento performático do show ‘Letrux uma vez que mulher girafa’
Bruna Latini / Divulgação
Em São Paulo, as apresentações ocorrem nos dias 4 e 5 de abril, no Sesc Pinheiros. No Rio de Janeiro, o show está marcado para o dia 6 de maio, no Teatro Simples Mais. Para Letrux, o palco teatral potencializa a performance:
“Tocar e trovar em teatro me dá um tesãozinho. É quase uma peça, mas por casualidade eu estou cantando”, brinca.
Fonte G1
