Com Verity, Colleen Hoover diz que erótico sombrio é legal – 01/10/2026 – Ilustrada
Romances eróticos e sombrios são prazerosos, afirma a escritora americana Colleen Hoover. Foi apostando nessa combinação que ela se aventurou pelo suspense em “Verity”, o livro de ficção mais vendido no Brasil neste ano, cuja adaptação chega aos cinemas nesta quinta-feira (1º).
O título nasceu em 2018, num momento em que Hoover desejava mudança. Embora já fosse uma das autoras de romance mais populares do mundo, ela se sentia empacada. A americana decidiu logo testar alguma coisa mais chocante, violento e apimentado.
“Não sabor que me coloquem em uma caixinha”, diz Hoover. “Tenho livros paranormais, romances, livros para jovens e suspenses. Adoro ortografar aquilo que parece risonho no momento.”
Na história, a escritora fictícia Verity Crawford fica paralisada depois suportar um acidente de coche, deixando inacabada uma popular série de livros. O marido dela, Jeremy, contrata uma autora falida para terminar o trabalho. Ela se labareda Lowen.
A personagem vai morar na vivenda de Verity para investigar a vida da escritora, mas perde o foco quando encontra uma suposta autobiografia da notoriedade. Nas páginas, Lowen encontra uma Verity cruel, que descreve atos de violência contra os próprios filhos e confessa não ter desenvolvido paixão materno.
Outrossim, Lowen passa a ver a escritora fora da cadeira de rodas, andando pela vivenda e encarando-a pelas janelas. Sem saber se está fantasiando, a protagonista encontra refúgio em Jeremy, com quem começa a se envolver.
O filme é erótico porquê o livro. Há, por exemplo, a cena em que Lowen abocanha a cabeceira da leito durante o sexo, marcando o traste no mesmo lugar em que Verity mordeu uma vez enquanto transava.
Num momento inédito em relação ao livro, Lowen se masturba pensando em Jeremy. Durante o ato, a personagem entra em paranoia e imagina um ósculo em Verity, que a morde até os lábios sangrarem.
Questionada sobre o apelo do erotismo na literatura e sobre a subida dos “dark romances”, que misturam sexo e violência, Hoover diz que esse tipo de história é risonho de ortografar e de ler. Ela flertou com o gênero em seu último romance, “Mulher em Queda”, que põe um varão obsessivo na cola de uma mulher emocionalmente partida.
Mas, há oito anos, “Verity” já mostrava interesse de Hoover por temas pouco morais. A Verity da autobiografia lida por Lowen descreve atos de violência contra os filhos recém-nascidos em cenas que causaram muxoxos na sessão do filme vista pela reportagem. No cinema não há a passagem mais polêmica do livro, na qual a personagem relata ter usado um cabide para tentar provocar um monstro.
“Verity” estreia em um momento em que o erotismo na cultura voltou a ser discutido no Brasil. Em setembro, durante a Bienal do Livro de São Paulo, homens mascarados beijaram jovens no estande de uma editora dedicada a livros de “dark romance”. O incidente causou polêmica nas redes sociais.
No filme, Lowen é interpretada pela atriz Dakota Johnson, famosa por “Cinquenta Tons de Cinza”, uma das histórias eróticas mais famosas do mundo.
Verity é vivida por Anne Hathaway, mais conhecida pelas personagens bondosas e ingênuas que fez em “O Diabo Veste Prada” e “O Quotidiano da Princesa”. Ela vem dizendo que se empolgou com “Verity” justamente pela chance de pupular as plateias. Jeremy, o rapaz da história, chega às telas com o ator Josh Hartnett.
Recomendado para adultos, o livro “Verity”, publicado no Brasil pela Galera, selo juvenil da Record, lidera a lista de obras de ficção mais vendidas do país. Foram comprados até agora quase 130 milénio exemplares, 150% a mais que no ano pretérito. No ranking universal, a trama de Hoover só perde para o álbum de figurinhas da Despensa do Mundo. A lista é feita pela plataforma Nielsen com o site PublishNews, especializado no mercado editorial.
O diretor do filme, Michael Showalter, diz que sua vontade de filmar “Verity” aumentou graças às “imagens vívidas do livro” e que as histórias de Hoover “funcionam muito no cinema”.
É irônico que ele diga isso. Embora a americana já tenha visto quatro dos seus livros ganharem vida no audiovisual, a adaptação mais popular de todas, baseada no livro “É Logo que Acaba”, ficou marcada por uma guerra judicial entre os protagonistas.
A atriz Blake Lively acusou de assédio sexual o ator Justin Baldoni, afirmando que ele improvisou beijos não previstos no roteiro. Baldoni negou as acusações e processou Lively por mordacidade.
Em abril deste ano, um juiz rejeitou as principais alegações de assédio feitas pela atriz. No mês seguinte, os dois lados chegaram a um tratado.
À idade, Hoover tomou o lado de Lively e escreveu mensagens de esteio à atriz no Instagram. Mas, conforme a pugna avançava, com as acusações de Lively sendo questionadas na Justiça e nas redes sociais, a escritora recuou, desativou o Instagram por um período e parou de comentar o caso.
No ano pretérito, à revista americana Elle, Hoover afirmou ter criado uma barreira com “É Logo que Acaba” e que o caos em torno da adaptação cinematográfica a fez ter vergonha de ter escrito aquela história.
Outrossim, Hoover passou a ser criticada por romantizar a violência doméstica no livro, que conta a história de uma mulher apaixonada pelo marido ofensivo. “É Logo que Acaba” foi fundamentado em abusos sofridos pela mãe da escritora.
Agora, de volta ao olhar público para promover “Verity”, Hoover afirma que trabalhar no filme novo a ajudou a restabelecer a paixão pelo ofício. “Passo por momentos difíceis porquê escritora o tempo todo. Naquela idade eu não estava muito, e a arte é uma luta. Você precisa estar no estado de espírito perceptível para gerar”, diz.
Hoover atribui aquele momento ruim também a problemas de saúde. Em meio à polêmica, ela recebeu um diagnóstico de cancro que só contou ao público no primórdio deste ano. A escritora passou por cirurgias e agora diz estar livre da doença.
Hoover começou a publicar por conta própria em 2012, quando lançou “Métrica”, seu primeiro romance, na Amazon. Sem editora, agente ou campanha de marketing, ela viu o livro chegar à lista de mais vendidos do jornal The New York Times sete meses depois.
Hoover seguiu combinando escrita prestímano com temas sombrios ou polêmicos. Assim, emplacou sucessos porquê “Um Caso Perdido”, sobre agravo infantil, e “Todas as Suas (Im)perfeições”, que retrata um conúbio impressionado por infertilidade.
A escritora viu sua popularidade aumentar na pandemia, quando disponibilizou cinco livros gratuitamente na internet. “Verity” foi um deles. Agora, ela volta ao suspense; “Estou trabalhando em outro e já escrevi dez capítulos. As coisas parecem estar indo muito.”





