Como baldes de pipoca querem atrair público para o cinema – 08/05/2026 – Ilustrada
Faz tempo que o ingresso não é necessariamente a secção mais rostro de ir ao cinema. Mas se a pipoca e o refrigerante já são vistos porquê itens que encarecem o passeio há anos, agora os valores pagos por eles podem facilmente beirar os R$ 300.
Mesmo que a comida e a bebida sejam as mesmas, saquinhos e copos de papel têm oferecido espaço para baldes e copos de plástico extravagantes, inspirados em blockbusters, que mais parecem itens de decoração —não à toa, são chamados de colecionáveis.
As embalagens descartáveis continuam à venda por valores menores, simples, mas o lançamento de versões turbinadas e mais caras se tornou secção importante do calendário dos principais exibidores do Brasil e do mundo.
Pipoca e refrigerante agora são servidos em itens porquê o conversível cor-de-rosa de “Barbie”, o caixão de “Nosferatu”, o chapéu de feitiçeira de “Wicked” e o infame verme da areia de “Duna” —que viralizou nas redes por exigir que seu possessor enfiasse a mão numa cavidade enxurro de dentes que lembrava outro tipo de orifício.
“Esses colecionáveis fazem secção de um processo maior. O volta vem testando estratégias para convencer as pessoas a saírem de morada para ver um filme, o que fica cada dia mais difícil”, diz Pedro Curi, coordenador do curso de cinema da ESPM Rio e perito em cultura de fã.
“Assim, vemos cada vez mais a sala de cinema se transformando num espaço para viver experiências. É porquê um McLanche Feliz [combo infantil da rede McDonald’s], que sempre trouxe a teoria de o lanche ser um pequeno evento, não uma repasto. É menos sobre ver o filme e mais sobre a relação que se estabelece entre o testemunha e um passeio, uma história, um personagem.”
De concórdia com Curi, os baldes ainda ajudam a definir o calendário de exibição das redes. Muitas vezes ofertados em pré-vendas, os itens servem porquê termômetro para entender o apelo —e, consequentemente, a eventual demanda por ingressos— de um filme com o público brasílio.
Foi o caso do colecionável de “Lilo & Stitch” que a Cinépolis lançou no ano pretérito. Apesar das altas expectativas da Disney em relação ao filme, adaptações em live-action —com atores— vacilaram nas bilheterias recentemente. O balde que preenchia a boca da indivíduo azul com pipoca, de R$ 150, esgotou em poucas horas. O filme, semanas depois, seria exibido em 2.519 salas e renderia R$ 213 milhões no Brasil.
“Sempre tivemos itens colecionáveis, mas mais simples. No pós-pandemia, percebemos que havia um estoque grande de baldes que não eram vendidos. Há uns dois anos, portanto, começamos a produzir itens diferenciados e mais caros, em menor graduação, e a aprovação foi muito maior”, diz Luiz Fernando Angi, gerente de marketing da Cinépolis Brasil. “Temos a percepção de que o balde traz a pessoa ao cinema.”
Alguns desses colecionáveis são desenvolvidos no Brasil. Outros são fruto de parcerias com cinemas de outros países, numa estratégia que torna a fabricação de itens mais complexos viável. A escolha dos filmes que serão contemplados é feita diretamente pelas redes, que mapeiam lançamentos em potencial com meses de antecedência e, na sequência, vão detrás dos detentores dos direitos autorais dos personagens.
Além de mitigar as perdas, a produção mais enxuta funciona porquê marketing de escassez, em que se cria libido e urgência no consumidor por meio da teoria de exclusividade de um resultado.
Angi explica ainda que os colecionáveis elevam o tíquete médio da bonbonnière —que há muito tempo se desdobrou em chocolates, sanduíches, vinhos e outras guloseimas. Apesar de as empresas não abrirem valores, o consenso no mercado é de que essa flanco representa tapume de metade do lucro das redes de cinema.
Para Monica Portella, diretora de marketing da UCI, a expectativa não é lucrar em cima do colecionável, mas usá-lo porquê incitação para que o testemunha dê uma passada na bonbonnière.
Maior rede de cinemas do mundo, a americana AMC arrecadou, em 2023, US$ 54 milhões, tapume de R$ 267 milhões, com a venda de colecionáveis. À revista Time, Rob Bennett, diretor de mantimentos e bebidas da rede, disse que o negócio ficou tão grande que diretores porquê Tim Burton e James Cameron passaram a se envolver na concepção ou aprovação de itens inspirados em seus filmes.
Daí, surgiram itens porquê a caixa de sapato de R$ 120 de “O Diabo Veste Prada 2”, da Cinépolis, ou o balde que a Cinemark criou para “Avatar: Lume e Cinzas”, acoplado às costas de uma das criaturas aladas do filme, de R$ 269. Para “Super Mario Galaxy”, a empresa lançou um Yoshi —dinossauro virente dos games da Nintendo— que se abria para armazenar pipoca, de R$ 288. Os valores são sugeridos e podem varias de concórdia com a região.
“Criamos outra classe na experiência de observar a um filme no cinema. Para muitos clientes, não se trata somente de comprar um copo ou um balde, mas de levar para morada uma memorial daquele momento”, diz João Vitor Trevisan, diretor de mantimentos e bebidas da Cinemark Brasil.
A revista americana Vulture chegou a gerar um prêmio para o melhor balde de pipoca do ano. Alguns dos destaques de 2025 foram uma caixa de música –e de pipoca– de “Wicked: Secção 2”, uma que traz um pequeno Superman disparando raios laser numa pipoqueira e uma boneca endemoniada de “Annabelle”, em tamanho de um bebê, segurando um balde. Não faltaram itens que projetavam luz e som, alguma coisa curioso para itens que serão usados, primordialmente, na sala de cinema.
Pedro Curi, o professor, faz coro à teoria de que o colecionável materializa uma experiência. “Isso é universal, acontece nos jogos em estádios, que têm se tornado passeios mais elitizados. As experiências estão cada vez mais se aproximando de um show —não é só ver o filme, mas ver em determinado sítio e momento, e ter um registro disso”, diz.
“E no cinema sempre houve a materialidade dessa memória, por meio dos ingressos físicos, que sumiram com a era do dedo.”
Assim, a vaga de suvenires da viagem ao cinema é centrada em baldes e copos, mas vai além. Na semana passada, a UCI ofereceu um caderno de “O Diabo Veste Prada 2”. Há alguns meses, quem assistisse a “Wicked: Secção 2” nas salas Imax ganhava um card metalizado.
“São produtos que as pessoas só podem ter se forem ao cinema. Não estão disponíveis online. É uma forma de complementar a experiência e de invocar o público”, diz Samara Vilvert, diretora de marketing da rede Cinesystem.
Com estratégias porquê essa, ir ao cinema em vez de esperar o streaming reforça a teoria de viver uma experiência coletiva. Nascente mês de abril, vale manifestar, foi o melhor desde a pandemia nas bilheterias brasileiras, puxado por longas porquê “Michael”, “Super Mario Galaxy” e “O Diabo Veste Prada 2”. Todos tiveram combos especiais nas bonbonnières.
Questionado se a vaga pode ser revérbero de uma infantilização do testemunha, Curi lembra que esse processo afeta várias áreas. “Hoje nós tratamos a juventude porquê norma de mercado, enquanto idades mais avançadas são consideradas nucho. Mas esse tipo de consumo sempre existiu, voltado para as bases de fãs. O que o mercado faz, agora, é expandir esse comportamento para um público menos devotado, mas disposto a remunerar.”





