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Como nu metal, infame nos anos 1990, vive onda de
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Como nu metal, infame nos anos 1990, vive onda de sucesso – 13/05/2026 – Ilustrada

Nos anos 1990, nos Estados Unidos, em meio ao pop açucarado que tomava a MTV com ‘N Sync e Britney Spears, surgiu um movimento que, à primeira vista, parecia o exato oposto —homens raivosos, empunhando guitarras e, ao mesmo tempo, rimando com “flows” agressivos, vestindo conjuntos esportivos e bonés para trás.

Era o nu metal —uma ortografia estilizada de new metal, ou metal novo—, subgênero do rock que ficou infame entre todas as culturas que o influenciaram, principalmente o metal e o hip-hop.

Com suas firulas características, porquê as máscaras assustadoras do Slipknot, os scratches de DJ entre as faixas do Limp Bizkit e os riffs pegajosos do Korn, houve quem acreditasse que o gênero era só mais uma tendência passageira. Por um momento, foi o caso. Mas, no primícias dos anos 2020, os refrões chiclete do nu metal passaram a viralizar nas redes sociais, dando um segundo respiro a bandas que achavam que seu momento de sucesso já havia pretérito.

“Estamos maiores do que nunca fomos”, disse Chino Mulato, vocalista do Deftones, em entrevista à rádio californiana KROQ no primícias deste ano. Em março, o Deftones fez sua sexta passagem pelo Brasil com um show no Lollapalooza. No palco secundário, o grupo, com mais de 30 anos de história, juntou uma plebe comparável à que se reuniu para presenciar à novata cantora Addison Rae nos dias seguintes.

O Deftones é só mais uma das bandas que, em um novo auge de curso, voltou à América Latina nos últimos anos. Em 2025, o grupo armeno-americano System of a Down fez cinco shows de estádio no Brasil, três só em São Paulo. Em 2022 e 2024, a capital paulistana recebeu suas primeiras edições do Knotfest, festival realizado pelo Slipknot desde 2012, no Sambódromo do Anhembi e no Allianz Parque.

Neste sábado (16), também no Allianz, é a vez do Korn, uma das mais célebres bandas do gênero, voltar ao Brasil para aproveitar a novidade ração de renome. Nilson Lima, fã do grupo desde os anos 2000, verá o grupo pela quarta vez, mas a primeira num estádio. “Eu vi o Korn em 2010 no Credicard Hall [atual Vibra São Paulo]. Estava vazio. Pensei ‘caramba, a coisa tá feia, esse estilo que eu palato está acabando mesmo'”, diz.

Lima, que batizou o fruto mais novo de Jonathan Davis, nome do vocalista do Korn, e diz ter entrado em seu himeneu ao som da filete “Falling Away From Me”, conheceu o gênero por volta de 2002, quando ouviu “In The End”, hit do Linkin Park, na rádio. Em 2011, criou a “Page Nu Metal” no Facebook para discutir sobre o ritmo que tanto gostava entre amigos. Em 2014, migrou para o Instagram.

Nesta idade, o nu metal, já moribundo, era tratado quase porquê uma piada entre os metaleiros. Em uma entrevista à revista Rolling Stone, em 2015, o baixista do Rage Against the Machine, Tim Commerford, jocosamente pediu “desculpas” por ter inspirado a existência do Limp Bizkit, que citava a filarmónica de Zack de la Rocha porquê uma de suas favoritas.

O gênero teve momentos que justificaram a ira de seus detratores. O mais emblemático foi no festival Woodstock 1999, em que Fred Durst, vocalista do Limp Bizkit, incitou o público já insatisfeito a iniciar um tumulto e quebrar as estruturas do festival —o evento inspirou dois documentários, disponíveis na HBO e Netflix.

Mas muitas bandas de nu metal, rótulo que não agradava a todos os grupos, quebraram estereótipos do gênero. O System of a Down marcou a idade por ser uma das bandas mais ativistas de sua geração, levantando questões sobre o genocídio armênio e a política colonialista dos Estados Unidos.

O Korn, em seu álbum de estreia, discutia as experiências de Davis com homofobia e insulto sexual durante a puerícia —tudo isso com um som pesado que influenciou até os brasileiros do Sepultura, que em 1996 lançaram “Roots”, disco com um pé no nu metal.

A vulnerabilidade emocional de muitas dessas bandas também chamou a atenção de Josh Fore e Diamond Rowe, que se conheceram durante o ensino médio em Atlanta e, anos depois, formariam o grupo Tetrarch. Com seus riffs pesados e pegajosos e o estilo de vocal veemente de Fore, a filarmónica foi uma das primeiras a indicar um revival do nu metal com o disco “Freak”, de 2017.

“A gente nunca sentou e pensou, ‘ah, vamos ser uma filarmónica de nu metal'”, afirma Rowe, que é guitarrista. “Nós começamos a redigir música e ela naturalmente gravitava para esses grandes refrões e sons mais tétricos. Essas bandas são muito pesadas e sombrias, mas as músicas são cativantes, do tipo que você consegue trovar de volta num show.”

Em julho, a filarmónica faz sua estreia no Brasil em um show no Hangar 110, zona médio de São Paulo, aproveitando uma vaga de popularidade entre fãs mais novos. “A galera mais jovem gosta de misturar gêneros. Não existe mais aquilo de maquinalmente virar a rosto para um tanto só porque não é do gênero que você gosta. Eles estão abertos a ouvir de tudo. É por isso que você vê o nu metal voltando.”

O sucesso veio com mais força na pandemia, em que se tornou generalidade esbarrar com faixas dos Deftones e Korn porquê trilha de vídeos curtos no TikTok. A página de Nilson Lima, atualmente a maior sobre o gênero do mundo no Instagram, acumula mais de 300 milénio seguidores. “Quando eu publico um tanto sobre aniversários de álbuns, sempre vem uma galera comentando ‘nossa, eu tinha feito de nascer’ ou ‘eu tinha dez anos nessa idade'”, diz Lima.

Com a novidade popularidade do gênero, vieram também novas mutações. O nu metal, que já carrega em sua versão original fortes influências do hip-hop, passou a ser o ponto de partida para o som eclético de diferentes artistas —do pop maximalista da dupla 100 gecs ao noise rock do grupo Chat Pile.

No rap e trap, principalmente, o gênero parece ter uma presença longeva, inspirando alguns dos maiores rappers do mundo a adotarem uma estética sombria e um som lúgubre que ficou sabido porquê rage. No Brasil, tem expoentes porquê MC Taya, Kouth e Slipmami —dos quais nome artístico se refere ao Slipknot, filarmónica de quem a rapper carioca é fã desde jovem.

Slipmami, dos quais nome real é Yasmin Pinto, tem 25 anos e começou a rimar de gracejo em grupos de humor no Facebook, no término dos anos 2010. Ela eventualmente chamou a atenção do produtor Leo Justi, que produziu seu álbum de estreia, “Malvatrem”. Na última filete, “Membros Humanos”, ela rima por cima de um instrumental de nu metal.

Na puerícia, Slipmami admirava o álbum “Collision Course”, que o Linkin Park gravou em parceria com o rapper Jay-Z em 2004. Ela só se deu conta de que poderia fazer um tanto parecido quando conheceu, na plataforma SoundCloud, rappers porquê Lil Peep e XXXTentacion, que misturavam o trap com gêneros porquê emo e metal.

“Paladar muito dessa coisa do rage, dessa paragem agressiva, desde muchacho palato muito de filmes de terror. Paladar de partir dessa estética grotesca que, ao mesmo tempo, é emocionalmente densa”, diz a rapper. “Eu palato de colocar minha raiva feminina.”

Recentemente, esse novo filão do rap chegou até ao mainstream do hip-hop vernáculo. Os discos “Xtranho”, de Matuê, e “V3NOM Vol. 1: Eclipse”, de MC Lan, ambos lançados no término do ano pretérito, bebem desta nascente. Uma das faixas de Lan tem a participação de John Dolmayan, baterista do System of a Down.

A vaga de sucesso e novas abordagens do nu metal traz uma euforia renovada aos shows das bandas consagradas no gênero. Antes de chegar ao Brasil, o Korn tocou, na última sexta (8), em Santiago para um de seus maiores públicos, de 55 milénio pessoas.

No retorno da filarmónica ao Chile depois de nove anos, o público acendeu sinalizadores e alguns dos fãs cuspiram lume para cima. No Instagram, o guitarrista e fundador da filarmónica Brian Welch se disse surpreso com a empolgação da plateia: “Me senti num Woodstock em 2026!”

Folha

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