Como o chinelo, nas passarelas, virou obsessão dos famosos – 01/07/2026 – Ilustrada
A americana Addison Rae interrompeu seu show no último Lollapalooza, em São Paulo, para expressar que gosta do país por razão dos chinelos fabricados cá. Isso foi um mês depois de Bad Bunny, uma das celebridades mais paparicadas do momento, calçar Havaianas para trovar no estádio do Palmeiras.
O canadense Shawn Mendes também não tira dos pés os chinelos de dedo, que vem usando para passear por todo o esquina —na COP30, a convenção da ONU, ele uniu o calçado à calça jeans, uma combinação antes considerada desleixada. Semana retrasada, o ator americano Jason Momoa mostrou as unhas do pé muito pintadas dentro de uma papete felpuda no no tapete vermelho de “Supergirl”, em Londres.
Se antes os chinelos eram considerados peças de uso doméstico, agora o calçado passou a imaginar looks elegantes de famosos do mundo todo, uma mudança reforçada durante as últimas semanas de tendência.
No último domingo, a Havaianas se uniu à grife P. Andrade para lançar na Semana de Voga de Paris um padrão de chinelo com um golpe entre o espaço do dedão e do segundo dedo. O padrão é inspirado em tradicionais sandálias japonesas e evoca a silhueta do sapato tabi, que voltou à tendência e calça celebridades porquê Olivia Rodrigo e Wagner Moura.
Outrossim, no ano pretérito o chinelo também apareceu em várias passarelas, seja no padrão tradicional, feito pela minimalista Auralee, em versões mais inusitadas, com tiras volumosas, porquê apresentou a Louis Vuitton, ou até com plataforma na sola, sob a logomarca da Balenciaga.
Embora as marcas queiram que a subida do chinelo pareça orgânica, ela não deixa de ser resultado de uma ofensiva de marketing que envolve o pagamento de celebridades, influenciadores e de espaço nas passarelas para transformar o calçado em objeto de libido.
E ficou fácil tornar o chinelo mais chique por razão de várias tendências recentes, afirmam especialistas —mormente a “high-low”, que combina peças tidas porquê simplórias com aquelas mais sofisticadas.
O porto-riquenho Bad Bunny, por exemplo, posou para a toga da Vogue brasileira usando o par mais barato de Havaianas com roupas da Mondepars, a grife de roupas de luxo de Sasha Meneghel.
Essa estética atraiu também o ator britânico Jonathan Bailey, que no ano pretérito calçou chinelos para ir ao evento de lançamento de um filme em Londres. À era, diante do choque do público, ele disse que seus dedos dos pés também queriam participar da sarau.
Bailey escolheu um padrão da minimalista The Row —que não é zero mínima nos preços, porém. O chinelo Dune Sandal, por exemplo, foi lançado pela grife americana sobre US$ 690, um tanto perto de R$ 4.000.
Mesmo assim, se tornou o item mais procurado do mundo no segundo trimestre do ano pretérito, segundo a plataforma Lyst, que monitora tendências de tendência nas redes sociais. É um revérbero da vaga “quiet luxury”, que preza por peças de luxo visualmente minimalistas.
A valorização do chinelo tem dedo também da estética “brazilcore”, que leva símbolos nacionais às passarelas. Eleita a tendência do verão pela Vogue há três anos, ela pode voltar a crescer com a Despensa do Mundo. “As marcas de luxo estão em procura de cultura e de história. O Brasil tem muito disso”, diz a stylist e comunicadora de tendência Deborah Gallindo.
O chinelo vive agora um tanto parecido com o que aconteceu no pretérito com o jeans, que se tornou um viela de descontração nos looks mais arrumados, diz o professor e técnico em história da tendência João Braga. “E por quê? Porque alguém porquê Bad Bunny ou a The Row propôs que chinelo tem prestígio.”
Para se evidenciar, as marcas vêm tentando repaginar esse calçado. Entre os modelos diferentões mais usados está o chamado chinelo nuvem, de sola grossa, com a tira sobre o peito do pé, que costuma ser feito de EVA, um tipo ligeiro de borracha sintética.
Líder de mercado no Brasil e única a se solidar fora daqui, com presença em cidades-chave para a tendência porquê Paris, a Havaianas fez uma campanha com o filme “O Diabo Veste Prada 2” para anunciar modelos acolchoados, de base larga e tiras volumosas, que se assemelham justamente ao tal chinelo nuvem.
É secção da tentativa de tornar um resultado naturalmente sem bossa em um tanto descolado —e dispendioso. O Over Puffed sai a R$ 250, quase nove vezes o valor do chinelo mais barato da loja, aquele idoso divulgado de solado branco e tiras azuis.
Para virar libido global, a Havaianas não só participou das últimas passarelas internacionais, porquê também lançou coleções com a italiana Dolce & Gabbana. Fez, ainda, campanhas com celebridades porquê a padrão Gigi Hadid, que emprestou seu nome a chinelos vendidos por US$ 40, murado de R$ 200.
Neste ano, em São Paulo, a marca realizou um desfile assinado por Pedro Andrade, o diretor criativo da P. Andrade, nome possante do streetwear brasílico, e lançou modelos em colaboração com a estilista francesa Isabel Marant, presença permanente na Semana de Voga de Paris com sua marca de mesmo nome. As peças desta união custam até R$ 500.
Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Havaianas, disse em entrevista no ano pretérito que fabricar chinelo dispendioso não leva prestígio à marca. “Não basta ter moeda. Os consumidores têm que abraçar o resultado.”
A Rider, especializada em chinelos masculinos, também vem tentando se remodelar, e diz querer ir além da imagem de chinelo de pai com a qual ficou conhecida. Em 2016, de olho no boom do streetwear, a Rider decidiu “passar de resultado conservador para uma pegada mais jovem”, afirma Luciana Costa, que trabalha no setor de marketing da empresa.
Mas, diferentemente da Havaianas, a Rider não mira as passarelas de fora. Quer ser fashionista cá no país, e por isso lançou modelos autorais, assinados por artistas porquê o próprio Pedro Andrade. O chinelo feito por ele, superestruturado, quase porquê uma papete, é vendido a R$ 1.000.
Foi justamente essa quebra de estilo que o movimento hippie buscava quando ajudou a popularizar o uso do chinelo nas ruas, afirma o professor João Braga.
Noutras partes do mundo, porquê o Japão, ele diz, o calçado representa tradição e reverência. O chinelo de dedo porquê conhecemos veio das sandálias japonesas de palha de arroz que migraram para o Oeste em seguida a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, o calçado só ganhou força nos anos 1960 com a Havaianas.
No verão do ano pretérito, a marca brasileira viveu uma subida na Europa, onde as pessoas estão se acostumando a usar chinelo fora das praias, diz o influenciador de tendência Lucas Brederodi, que participou da semana de tendência de Copenhague em 2025.
Hoje há vários influenciadores, porquê ele, que ensinam combinações pouco usuais com chinelo, unindo o calçado até com calça de alfaiataria.
“Voga quer fomentar estranheza, mudar, não permanecer na mesmice”, afirma Deborah Gallindo, a stylist. “Quando isso acontece, é porque deu visível. Se todo mundo concorda, a tendência morre.”
Colaborou João Perassolo




