Terminam na próxima sexta-feira (10) as inscrições gratuitas para o Concurso Arquitetura Indígena no Brasil, promovido pelo Parecer de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). A iniciativa surgiu da Percentagem de Políticas Urbanas e Ambientais do CAU/BR, que debate questões uma vez que demarcação de terras indígenas e a arquitetura dos povos originários.
“Porque ela origina uma série de conhecimentos que depois se tornaram técnicos e científicos, mas cuja origem é indígena”, disse nesta quarta-feira (8) a presidente em tirocínio do CAU/BR, Leila Marques.
Um exemplo são materiais naturais, uma vez que madeira, bambu, palha, cipó, fibras, que vêm sendo estudados por muitos arquitetos atualmente. “É o que a ciência labareda hoje de soluções baseadas na natureza, mas que são usadas pelos habitantes originários do Brasil desde sempre”, destacou Leila. Os povos originários sempre trabalharam em cima do conhecimento pessoal, de experiências que vêm sendo passadas de gerações a gerações.
Os materiais usados pelos povos indígenas são naturais, renováveis, não poluentes e, portanto, não causam impacto ambiental. A presidente em tirocínio explicou que a proposta do edital nasce dentro do projeto estruturante da Percentagem de Políticas Públicas e Ambientais que estuda a Amazônia Legítimo, abrangendo não só a arquitetura indígena, mas também de povos ribeirinhos.
Ineditismo
Esta é a primeira vez em que o sistema CAU/Brasil lança um concurso sobre a arquitetura indígena e sua imposto para a arquitetura em universal e para o urbanismo. Os 13 principais artigos e projetos de cada categoria serão reunidos em uma publicação inédita sobre o tema. Não precisam ser artigos publicados em revistas científicas, segundo a presidente em tirocínio.
A ação pretende ampliar a produção de conhecimento sobre arquitetura, território, cultura e sustentabilidade, além de promover reflexões sobre a imposto dos povos indígenas para a construção de soluções alinhadas às especificidades dos territórios brasileiros.
Podem ser inscritos projetos técnicos de arquitetura e artigos acadêmicos e científicos. A participação é ensejo a arquitetos e urbanistas, pesquisadores, docentes, estudantes de pós-graduação, profissionais de áreas correlatas e integrantes de grupos de pesquisa que desenvolvam trabalhos relacionados à arquitetura indígena, às formas tradicionais de ocupação do território, à preservação cultural, ao desenvolvimento sustentável e às dinâmicas socioambientais da Amazônia Legítimo.
De combinação com a presidente em tirocínio, podem ser aceitos projetos que falem sobre a comunidade indígena, sobre a forma de vida deles. “A gente pode falar sobre o espaço coletivo. Não é só a habitação. É sobre onde eles praticam as festas religiosas, os festejos. Ou seja, qualquer espaço público indígena”, explicou.
“Podem ser projetos sobre o uso da técnica indígena quando eles usam certas madeiras em que fazem encaixes, porque não utilizam pregos, nem parafusos. Eles têm várias técnicas de construção que são duráveis e adequadas ao clima sítio em que alguns arquitetos se baseiam para poder fazer outras edificações”, exemplificou.
Leila Marques salientou a preocupação dos povos originários com o uso de materiais, uma vez que a palha, colocada no telhado das casas para diminuir o calor. “Sem saber, eles fazem ventilação cruzada, que é um dos temas do conforto ambiental, uma disciplina da arquitetura. E eles praticam isso da forma que sempre sentiram que era preciso, uma vez que o uso de materiais sustentáveis, integração das construções com a paisagem.”
A presidente em tirocínio do CAU/BR destacou que os povos indígenas “têm, empiricamente, o desvelo com a paisagem”. “Na verdade, eles já praticam a arquitetura bioclimática que, hoje, é ponto de livros científicos, de pesquisa”, destacou.
Objetivo maior
Com esse concurso, o CAU/BR quer mostrar o quanto a arquitetura dos povos originários contribuiu para o que é usado hoje e o que a indústria criou, mas com base no que os indígenas já faziam.
Segundo Leila, o objetivo maior da iniciativa é a valorização e a preservação da história, do que os povos originários fizeram e fazem, a preservação histórica desse teor que não se poder perder.
“Porque quem sabe a sua história sabe o seu horizonte. Não adianta estudar hoje diversas tecnologias, formas de edificar; não adianta estar totalmente amparado por uma tecnologia se, na verdade, se esquece toda a história. Trata-se do registro desse histórico e da valorização do trabalho deles.”
Os melhores trabalhos receberão prêmios em moeda. Em cada categoria, o primeiro disposto receberá R$ 10 milénio; o segundo, R$ 6 milénio; e o terceiro, R$ 4 milénio. Serão concedidos também R$ 2 milénio aos classificados da quarta à 13ª posição.
O resultado final do concurso será divulgado em 27 de agosto. Caso haja recursos, o prazo para divulgação passará para o dia 8 de setembro. O livro com os artigos e projetos vencedores deverá ser lançado no final deste ano, disse a presidente em tirocínio.
O regulamento pode ser acessado neste link. As inscrições devem ser realizadas pelo e-mail concurso.arqindigena@caubr.gov.br .
CAU/BR
O Parecer de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) é a autonomia federalista responsável por orientar, disciplinar e revistar o tirocínio da profissão de arquiteto e urbanista em todo o território pátrio.





