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Copa: A 'caixa preta' das bets no Facebook e no
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Copa: A ‘caixa preta’ das bets no Facebook e no Instagram – 08/07/2026 – Esporte

Um levantamento feito pela BBC News Brasil com base em dados da Livraria de Anúncios da Meta (dona do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp) mostra que as dez maiores casas de apostas online do Brasil dispararam centenas de anúncios em suas redes sociais nas semanas pré e durante a Despensa do Mundo, mas sem a divulgação dos dados sobre os valores gastos nessas campanhas e sobre a quantidade do público impactado.

A carência desses dados impede, por exemplo, que se verifique de forma independente se os anúncios veiculados pelas empresas excluem o público inferior dos 18 anos, porquê manda a legislação ou se ele se concentra em um determinado gênero, tira etária ou região geográfica do país.

Entidades que monitoram a atuação das bets no Brasil, porquê a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Instituto de Resguardo do Consumidor (Idec) criticam a falta de divulgação dos dados sobre a publicidade das bets em redes sociais porquê as da Meta.

A pesquisadora em saúde mental do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), Dayana Rosa, e o profissional em marketing do dedo, Filipe Detrey, classificam a forma porquê os anúncios de bets são veiculados porquê uma “caixa preta”.

Segundo estas organizações, a alegada falta de transparência sobre os dados da publicidade veiculada pelas bets dificulta o monitoramento da atuação dessas empresas junto a públicos vulneráveis.

A legislação brasileira não obriga a divulgação desses dados, mas a Meta tem um sistema que permite a checagem de informações demográficas e financeiras de anúncios que possibilita checar quantas pessoas visualizaram um determinado proclamação e o valor pago por ele quando seus anunciantes o fazem diretamente ou quando a Meta entende que o proclamação tem relevância social.

Esse sistema é normalmente aplicado a anúncios de políticos, partidos, organizações não-governamentais, mas também é utilizado por algumas empresas privadas que oferecem mais transparência sobre suas atividades, o que não aconteceu, neste caso, entre as bets pesquisadas.

A investida das bets durante o período da Despensa do Mundo acontece em meio à intensificação do debate sobre o impacto da atividade no Brasil, críticas de entidades que alertam para o impacto do jogo online no Brasil e até mesmo sinalizações do governo federalista sobre aumentar restrições à operação destas empresas.

Dados do Ministério da Rancho apontam que a receita bruta das bets legalizadas no Brasil foi de R$ 37 bilhões em 2025. Estimativas da firma de consultoria Regulus Partners apontam que o Brasil se tornou, em 2025, o quinto maior mercado de bets do mundo.

Nos primeiros quatro meses de 2026, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Rancho, as empresas legalizadas de apostas faturaram R$ 12,2 bilhões.

Dados do Ministério da Rancho apontam que o Brasil tem pelo menos 25 milhões de apostadores cadastrados, o equivalente a pouco mais de 10% da população brasileira, estimada em aproximadamente 210 milhões de habitantes.

As duas principais entidades que representam as bets legalizadas no Brasil foram procuradas. O Instituto Brasílico do Jogo Responsável (IBJR), que representa três das bets pesquisadas, disse por e-mail que não poderia responder pelos anúncios de seus membros, mas que a entidade “recomenda aos associados que cumpram a legislação vigente”.

A Associação Vernáculo do Jogo Permitido (ANJL), entidade que também representa empresas do setor de apostas online, disse que a decisão sobre vulgarizar ou não esses dados cabe às próprias empresas e afirmou que secção deles seriam “estratégicos do negócio” e que não poderiam ser divulgados para a concorrência.

Ainda em nota, a ANJL disse que “é originário que haja um desenvolvimento, mesmo que acentuado, da publicidade via redes sociais diante da proximidade ou do início da Despensa, o maior evento esportivo do mundo” e que “trata-se de um comportamento originário, diante de um previsível aumento de interesse pelas apostas no contexto da Despensa do Mundo”.

A Meta, por meio de nota, disse que os anunciantes que promovem jogos de má sorte ou jogos online precisam fornecer provas de que suas “atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas porquê legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos” e que “quando reguladores ou órgãos governamentais acreditam que determinado teor” viola a legislação lugar, eles podem solicitar a restrição do proclamação.

A empresa não respondeu diretamente à questão sobre a não divulgação dos dados financeiros e demográficos dos anúncios das bets.

A Secretaria Vernáculo do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, disse em nota que monitora e fiscaliza a publicidade das casas de apostas e que, “durante a Despensa do Mundo FIFA 2026, esse seguimento foi intensificado em razão do aumento significativo da publicidade de apostas nas transmissões esportivas”.

O Ministério da Rancho, por sua vez, diz que acompanha o mercado regulado de apostas, mas que ainda pode prezar se houve aumento no volume de apostas e que esses dados serão divulgados “mal houver informações consolidadas”.

Picos de anúncios

O levantamento feito pela BBC News Brasil compilou os anúncios ativos veiculados pelas dez maiores bets em volume de apostas segundo relatório elaborado pelas consultorias especializadas no setor Blask e brmkt.co.

As empresas analisadas foram:

  • Betano
  • Bet365
  • Sportingbet
  • Esportes da Sorte
  • Superbet
  • Betnacional
  • 7Games
  • EstrelaBet
  • VaideBet
  • Onabet

Todas as bets pesquisadas estão legalmente autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Rancho, responsável por liberar e revistar o funcionamento de empresas que exploram jogos de má sorte online.

Liberadas desde 2018, o setor de apostas online foi regulamentado em 2023. Para a publicidade, a principal restrição imposta por portarias do Ministério da Rancho é que menores de 18 anos não sejam branco de propaganda nas redes sociais.

O levantamento feito pela BBC News Brasil compilou anúncios ativos disparados pelas bets desde janeiro de 2025 até o dia 6 de julho de 2026, um dia depois da eliminação do Brasil na Despensa do Mundo deste ano.

Foram contabilizados pelo menos 1.138 anúncios desde o início deste ano. Esse valor contabiliza exclusivamente os anúncios que ainda estavam sendo veiculados no dia 6 de julho.

Eles foram distribuídos em redes sociais da meta porquê Instagram, Facebook, Threads e Audience Network, um sistema que permite a exposição de anúncios em sites e aplicativos fora do ecossistema da Meta.

Ao todo, esses anúncios foram visualizados por usuários localizados no Brasil tanto por meio dos aparelhos de telefone celular quanto por meio de um computador conectado à internet.

Uma vez que a Meta não disponibiliza os anúncios que já deixaram de circundar no mesmo período, não é verosímil confrontar os disparos do período pré e intraCopa do Mundo com outros momentos de 2025, por exemplo.

Mesmo assim, os dados compilados pela BBC News Brasil mostram que, considerando esse universo, houve uma concentração de disparo de anúncios no período que antecede o início da Despensa, sucedidos por picos de disparos ao longo das primeiras semanas da Despensa.

Os dados mostram, ainda, os dias em que houve os maiores picos de anúncios.

No dia 8 de junho, três dias antes da fenda solene da Despensa, houve um primeiro pico de anúncios: 69.

No dia 11, dia do início da competição, houve outro pico: 69 anúncios.

No dia 18, que marcou a fenda da segunda rodada da Despensa, houve outro elevação: 82 anúncios.

O maior pico de anúncios, no entanto, aconteceu no dia 3 de julho, quando foram registrados 176 anúncios online disparados naquela data.

A morada de apostas online com o maior número de anúncios nas redes da Meta foi a Betnacional, com 492 anúncios compilados e em atividade em 2026. Em segundo lugar ficou a Esportes da Sorte, com 170, seguida da Superbet, com 108.

Uma estudo sobre os textos que acompanham os anúncios aponta, porquê esperado, a utilização de termos porquê “Despensa”, “Despensa do Mundo” e “Hexa”.

Vazio de dados

Apesar de os dados apontarem para uma ação intensa das principais bets do Brasil nas redes da Meta, as informações disponibilizadas pela plataforma impedem que o público universal tenha chegada a dados financeiros e demográficos desse investimento.

Por padrão, os anúncios armazenados na livraria da Meta são divididos em dois tipos: os comuns, utilizados por qualquer anunciante privado, e os classificados porquê “temas sociais” ou “políticos”.

Oriente segundo grupo engloba anúncios de órgãos públicos, partidos, políticos e anunciantes que, por escolha, classificam seus anúncios porquê pertencentes a qualquer tema social.

Em alguns casos, porém, empresas que atuam em setores mais regulados permitem a divulgação dos dados financeiros e demográficos de seus anúncios.

Um exemplo recente é a Heineken, marca de cervejas que opera no Brasil e que permite que qualquer pessoa veja o valor que ela gastou em algumas de suas campanhas nas redes da Meta, além de dados porquê o público-alvo, tira etária e quantidade de pessoas que visualizaram seus anúncios.

Entre os dados que a Meta divulga quando um proclamação é classificado dessa maneira estão: tamanho do público-alvo que a empresa queria atingir; valor pago pelo proclamação; quantidade de visualizações que o proclamação teve, distribuição geográfica por unidade da federação; e quantidade de contas (usuários) que visualizaram o proclamação.

De tratado com o site da Meta, no Brasil, há dez assuntos que são considerados porquê “temas sociais”: direitos civis e sociais; transgressão; economia; instrução; política ambiental; armas; saúde; imigração; valores políticos e governança; e segurança e política externa.

O consultor em marketing do dedo Filipe Detrey, explica que esse intensidade de detalhamento depende de uma ação deliberada da Meta ou das empresas anunciantes.

Ele diz que a “Meta define assuntos sociais porquê temas sensíveis, amplamente debatidos, que podem influenciar o resultado de uma eleição ou se relacionar a leis existentes ou propostas”.

Ele diz ainda que, outrossim, as próprias empresas podem autodeclarar seus anúncios dessa maneira.

“Na prática, porém, essa classificação depende da identificação feita pela Meta e/ou da autodeclaração do anunciante no processo de publicação. Por isso, a carência de um proclamação nesta categoria não significa, necessariamente, que ele não tenha impacto político ou social; significa exclusivamente que ele não foi identificado ou classificado dessa forma dentro dos critérios e sistemas da plataforma”, disse Detrey.

Para a Coordenadora de Telecomunicações e Direitos Digitais do Idec, Julia Abad, a carência desses dados prejudica o controle da sociedade sobre a ação das bets. O Idec faz secção de uma coalizão de organizações não-governamentais intitulada “Brasil contra as bets”, que reúne 22 entidades.

“Essa carência de dados dificulta diretamente a fiscalização social. O protótipo atual de autorregulação da publicidade demonstrou fragilidade diante da velocidade de expansão do setor, e a falta de transparência sobre alcance, investimento e critérios de segmentação impede que a sociedade social e os órgãos de fiscalização dimensionem o real impacto dessa publicidade e responsabilizem plataformas e anunciantes por seus efeitos”, diz Abad à BBC News Brasil.

Para o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o aumento da publicidade de bets durante a Despensa do Mundo tem efeitos negativos tanto sobre quem tem o transtorno do jogo compulsivo quanto sobre quem não tem.

“Para quem não tem a doença, é um período em que você terá mais gente exposta a alguma coisa que, anteriormente, não estava no horizonte. Hoje, há muito mais gente tomando conhecimento sobre porquê é fácil apostar. No final, isso pode estar criando um maior número de apostadores. E para quem já tem o transtorno, o impacto é duríssimo”, afirma.

“Quem tem o transtorno está passando por um período de altíssima impaciência e muito mais exposto ao jogo. Isso aumenta a vontade de jogar e cria um cenário preocupante para quando a Despensa finalizar”, afirma.

Para Silva, a falta de transparência sobre os dados dos anúncios agrava ainda mais a situação.

“Ter esses dados nos daria uma teoria sobre o tamanho do problema que vamos ter no porvir”, afirma.

Para a gerente de saúde mental do IEPS, Dayana Rosa, a falta de dados sobre os anúncios das bets nas redes sociais prejudica a prevenção aos impactos da sua atuação no Brasil.

“Um mercado desse tamanho, que gera tanto lucro, não pode funcionar sem transparência. Esse argumento de que esses dados se referem a uma estratégia mercantil não pode se sobrepor a um problema de saúde pública”, afirma.

“Os dados dos anúncios nos ajudariam a montar o quebra-cabeças de porquê as bets funcionam e operam nas redes sociais e porquê elas afetam a vida dos brasileiros e brasileiras impactados pela presença delas na internet”, complementa.

A ANJL, por outro lado, rebateu a hipótese de que o aumento no número de anúncios de bets durante a Despensa do Mundo possa ter impactos negativos.

“Da mesma forma que não faz sentido inferir que um suposto ‘excesso’ de propagandas de chocolates na idade no período de Páscoa ou de cervejas durante o Carnaval causará uma vaga de portadores de diabetes ou dependentes de álcool”, diz a entidade em nota.

Ainda de tratado com a entidade, “não interessa às bets legalizadas o incentivo à compulsão ou ao vício” uma vez que “esse apostador apresenta um pico de consumo e depois para, prejudicando a si próprio e, ainda, a reputação do setor”.

Além de procurar as duas principais associações do setor, a BBC News Brasil enviou questionamentos a cinco das 10 bets citadas nesta reportagem. As bets contactadas foram: Betano, Esportes da Sorte, Betnacional, Superbet, 7Games e Bet365.

Betano, Betnacional e 7Games não responderam aos questionamentos enviados.

A Superbet informou que seu posicionamento seria o mesmo da ANJL. A Esportes da Sorte disse, em nota, que: “Os investimentos em mídia do dedo seguem o planeamento estratégico anual da companhia, que foi iniciado em janeiro de 2026”.

A nota diz ainda que “a verba alocada para essas plataformas tem se mantido regular ao longo de todo o ano, sem qualquer variação significativa ou intensificação deliberada” e que os anúncios respeitam critérios de segmentação em “conformidade com as normas e diretrizes vigentes”.

A BBC News Brasil não conseguiu localizar as assessorias das seguintes empresas:

Onabet, Vaidebet, Estrelabet e Sportingbet.

Procurado, o Ministério da Saúde disse, em nota, que períodos porquê o da Despensa do Mundo são um “repto crescente de saúde pública”.

“O Ministério da Saúde reconhece a expansão das apostas on-line porquê um repto crescente de saúde pública, pelos riscos associados ao uso problemático dessas plataformas, que podem ser ampliados em períodos de grandes eventos esportivos, porquê a Despensa do Mundo”.

A pasta disse que lançou um programa de teleatendimento para pessoas com problemas com o jogo compulsivo e que, desde março, foram registrados 6.912 cadastros de pessoas interessadas em acessar o serviço. A pasta não informou se houve aumento na procura por esse atendimento durante o período que antecede e durante a Despensa do Mundo.

A BBC News Brasil também o Parecer Vernáculo de Autoregulamentação Publicitária (Conar), mas não obteve retorno.

Polêmica na Despensa do Mundo

A atuação das bets no mercado publicitário brasiliano durante a Despensa do Mundo virou branco de polêmicas nas últimas semanas. A controvérsia ganhou força nos primeiros dias da competição.

Algumas destas casas de apostas patrocinam canais esportivos tanto na TV quanto na internet.

A principal branco de polêmicas sobre o ponto até agora foi a CazéTV, conduto no YouTube que está transmitindo todos os jogos da Despensa do Mundo pela internet.

No final de junho, a Senacon, mencionou a CazéTV em uma investigação sobre publicidade supostamente irregular de bets.

Narradores e comentaristas do conduto estariam dando dicas de porquê apostar em bets, além de referir probabilidades sobre retorno de apostas e fazer recomendações a reverência de resultados supostamente prováveis de se concretizar.

Esse tipo de publicidade é proibido pelo Conar e levou o Ministério da Rancho, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, a penetrar, na terça-feira (30/6), um processo administrativo contra as empresas que fizeram esses anúncios na CazéTV com multas que podem chegar a R$ 2 bilhões.

À BBC News Brasil, a Livemode, que é dona do conduto, disse que “a publicidade veiculada pela CazéTV sempre observou a legislação brasileira aplicável, as diretrizes do Conar e as boas práticas do setor” e que a empresa “trabalha exclusivamente com operadoras autorizadas pelo Ministério da Rancho”.

Em meio à polêmica sobre o impacto das bets sobre o público brasiliano, o ministro da Rancho, Dario Durigan, disse no final de junho que o governo estuda impor às bets que incluam em sua publicidade alertas semelhantes aos que foram impostos para empresas de tabaco e bebidas alcoólicas alertando que os jogos podem simbolizar risco à saúde.

Folha

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