Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Copa: como Pochettino virou treinador dos Estados Unidos 19/06/2026
Esporte

Copa: como Pochettino virou treinador dos Estados Unidos – 19/06/2026 – Esporte

Em junho e julho de 2024, a frustração tomou conta do futebol americano. A seleção masculina dos Estados Unidos acabava de ser eliminada da Despensa América.

Enquanto torcedores decepcionados desciam as rampas do Arrowhead Stadium, em Kansas City, Missouri, alguns entoavam gritos pedindo a destituição do técnico Gregg Berhalter.

Alguns defendiam que um treinador de classe mundial era necessário para revitalizar o potencial da seleção antes da Despensa do Mundo de 2026.

Havia, porém, problemas com esse projecto. Os Estados Unidos nunca haviam produzido um técnico de futebol masculino de nível mundial. E, em teoria, não possuíam nem o prestígio futebolístico nem os jogadores capazes de atrair um treinador desse calibre vindo de fora.

Historicamente, a Federação de Futebol dos Estados Unidos também não dispunha do orçamento necessário. Grandes nomes pareciam improváveis.

Berhalter, contratado em 2018 e reconduzido ao função em 2023, ganhava murado de US$ 1,7 milhão por ano, incluindo bônus. Era um recorde para um técnico nascido nos Estados Unidos avante da seleção masculina. Bob Bradley, seu predecessor, ganhava menos de US$ 1 milhão por ano no término da dez de 2000.

Jürgen Klinsmann, o renomado treinador teutónico que comandou a seleção entre 2011 e 2016, foi a exceção: ao final de seu segundo contrato, recebia mais de US$ 3 milhões anuais, segundo documentos fiscais da US Soccer.

Klinsmann, porém, não era um técnico de clubes particularmente consagrado. Para atrair alguém com grande reputação e currículo extenso, a federação americana sabia que precisaria fazer um investimento financeiro sem precedentes em 2024.

Os dirigentes não se intimidaram. “Começamos com uma lista daqueles que considerávamos os melhores treinadores do mundo”, disse J.T. Batson, CEO da US Soccer.

Entre os nomes abordados estava Jürgen Klopp, vencedor da Champions League e da Premier League pelo Liverpool. E quando essa tentativa vazou para a prelo, um dia depois a destituição de Berhalter, os mesmos torcedores que haviam reclamado nos grupos durante a Despensa América passaram a sonhar.

Um desses torcedores era Scott Goodwin, fundador da Diameter Capital. Nascido na França e com passagem pela Espanha, ele manteve sua relação com o futebol enquanto construía curso no mercado financeiro. Em uma conversa por mensagens com três amigos —dois deles ex-jogadores profissionais que ainda trabalham no futebol— ele vinha reclamando dos problemas da seleção americana.

Quando viu nomes uma vez que Klopp surgirem, escreveu ao grupo: “Vamos trazer esses caras”. Quando um dos ex-profissionais comentou que os melhores treinadores talvez fossem caros demais, ele respondeu: “Eu pago”. E ele falava sério.

A teoria era que, se eles —doadores ou técnicos— embarcassem no projeto e levassem a seleção masculina dos Estados Unidos longe na Despensa do Mundo de 2026, poderiam ajudar a mudar o rumo do futebol no país. Poderiam inspirar excitação e participação entre as crianças americanas. Poderiam deixar um legado.

Mas havia uma requisito: Batson e o diretor esportivo da US Soccer, Matt Crocker, precisavam contratar um treinador que justificasse o investimento. Para Goodwin, havia três nomes ideais: Klopp, Pochettino e Pep Guardiola, do Manchester City.

Batson e Crocker perseguiram pelo menos dois deles. Encontraram-se com Pochettino em julho, em um hotel de Barcelona. Em agosto, estavam convencidos de que haviam conseguido persuadi-lo. Restava desvendar uma vez que pagá-lo. Foi logo que voltaram a procurar Goodwin.

Havia uma diferença, segundo ele, entre o salário que Pochettino esperava receber e o que a US Soccer acreditava poder remunerar. Os patrocinadores cobririam metade dessa diferença. Goodwin poderia entupir a outra metade?

Ele diz que se assustou com o valor, mas tinha uma solução. Ligou para Kenneth C. Griffin, fundador e CEO da Citadel. Meses antes, durante um almoço, os dois haviam conversado sobre cultura futebolística, desde a formação de jovens atletas até Lionel Messi no Inter Miami.

Griffin tinha um interesse idoso pelo esporte e já havia doado US$ 8 milhões à Instauração US Soccer para financiar a construção de 100 campos de futebol de pequeno porte em Chicago e no condado de Miami-Dade, na Flórida. Portanto Goodwin perguntou: Griffin estaria disposto a contribuir para a contratação de Pochettino?

Em origem, a resposta de Griffin foi: “Estou dentro”. Ele acreditava que um treinador “do mais cocuruto nível” —uma vez que Emma Hayes, que recebeu um salário recorde para comandar a seleção feminina dos Estados Unidos e quase imediatamente a levou ao ouro olímpico— poderia ser “um catalisador de benefícios positivos de longo prazo, mesmo que o pacto seja de limitado prazo”.

Foi estruturado um pacto que acabaria pagando a Pochettino vários milhões de dólares por ano, um contrato que, segundo a US Soccer, foi “financiado em secção significativa por uma doação filantrópica de liderança de Griffin”.

Sem ele e Goodwin, a contratação não teria realizado. A menos, é simples, que Pochettino, prateado de 54 anos, estivesse disposto a trabalhar por muito menos, afirmou a presidente da federação americana, Cindy Parlow Cone.

Desde logo, trajetória do treinador não tem sido necessariamente linear ou ascendente. Na verdade, os 20 meses de Pochettino no comando foram turbulentos. Ele falou sobre uma vez que identificou problemas, destruiu aquilo que precisava ser destruído e começou a reconstruir a mansão desde os alicerces. Isso exigiu sofrimento, derrotas e tempo.

Mas, se os Estados Unidos tiverem sucesso na Despensa do Mundo de 2026, Pochettino receberá os elogios, e seus patrocinadores milionários olharão para seus investimentos uma vez que um pouco que valeu a pena.

Nos seus primeiros sete meses no função, de setembro de 2024 a março de 2025, Pochettino recebeu murado de US$ 5 milhões, segundo documentos fiscais. Exclusivamente seu bônus de assinatura foi de US$ 2,5 milhões.

Embora ganhe menos do que recebia no Chelsea ou em seu clube anterior, o Paris Saint-Germain —e menos do que alguns outros técnicos de escol da Europa— ele é, com ampla margem, o funcionário mais muito pago da história da US Soccer.

Naquele momento, porém, ele também enfrentava dificuldades. Muitos observadores questionavam se valia o investimento saliente. Derrotas consecutivas para Panamá e Canadá, em março de 2025, encerraram sua “lua de mel” com a torcida.

No verão, parecia ter atritos com sua principal estrela, Christian Pulisic. A equipe continuava rendendo inferior do esperado. Aqueles que sempre defenderam que treinadores são supervalorizados no futebol de seleções pareciam ter encontrado a prova de sua tese.

Mas logo o valor de Pochettino começou a surgir. Jovens jogadores e atletas antes periféricos, que receberam sua crédito, passaram a contribuir. A equipe atropelou o Uruguai por 5 a 1 em novembro.

Depois, derrotas pesadas para Bélgica e Portugal trouxeram os americanos de volta à veras. Ainda assim, a vitória sobre Senegal em 31 de maio e uma atuação promissora contra a Alemanha renovaram a crédito.

Na sexta-feira, na estreia da Despensa do Mundo, os Estados Unidos derrotaram o Paraguai por 4 a 1. Ao que tudo indica, Pochettino preparou a seleção americana para os maiores holofotes que ela já enfrentou.

Empolgada, a seleção agora enfrenta a Austrália, nesta sexta (19), às 16h, pelo Grupo D.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *