Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Copa do Mundo oferece alívio em Cuba, que vive crise
Esporte

Copa do Mundo oferece alívio em Cuba, que vive crise – 15/06/2026 – Esporte

“Você precisa ser feliz”, estampa um grafite em um prédio em ruínas em Havana. E, durante quase duas horas, na partida da Despensa do Mundo entre Marrocos e Brasil, os cubanos seguiram o parecer e deixaram suas preocupações de lado.

A transmissão do Mundial pela televisão estatal cubana começou com dois dias de demora na ilhota caribenha de 9,6 milhões de habitantes devido a um problema no pagamento dos direitos de transmissão. No sábado, os moradores de Havana finalmente puderam observar ao primeiro jogo pela TV.

Em um pequeno moca do populoso bairro de Núcleo Habana, circunvalado por casas geminadas em tons pastéis, fachadas desgastadas e roupas estendidas nas sacadas, homens acomodados em bancos acompanhavam o duelo entre Marrocos e Brasil em uma pequena televisão presa à parede.

Cuba tem uma possante tradição no beisebol, e sua única participação em uma Despensa do Mundo ocorreu há quase um século, em 1938, quando chegou às quartas de final.

Mas a chegada da internet traste, há muro de dez anos, impulsionou uma novidade paixão, e o futebol passou a dominar, principalmente entre as crianças.

Quando a televisão estatal anunciou, um dia posteriormente a introdução do torneio no México, que transmitiria 16 jogos da período de grupos e depois todas as partidas a partir das oitavas de final, o clima melhorou.

Agora, resta que a eletricidade faça sua segmento. Com uma rede elétrica envelhecida e enfrentando há mais de quatro meses um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, Cuba sofre com frequentes apagões.

Ismael Veranes, diretor de recursos humanos do Teatro Pátrio de Cuba, foi ao moca observar à partida porque estava sem força havia 20 horas em sua vivenda, localizada nas proximidades.

Enquanto tomava um suco de frutas —um dos poucos pequenos prazeres que ainda se permite em meio à crise econômica—, ele afirmou que a Despensa ajuda a sossegar a mente em uma rotina marcada por transportes precários e cortes de força.

“Quando você volta cansado do trabalho, não tem eletricidade. À noite faz calor, há mosquitos, é terrível”, contou à AFP o varão, dividido entre sua torcida pela França e pelo Brasil.

Nostalgia

Uma hora antes do jogo, em uma esquina próxima, Michael, um fã de nove anos de Lionel Messi, e sua mana Meiliuvis, de 10, brincavam de futebol com uma tampinha de garrafa sob o olhar de Che Guevara, retratado em um mural do outro lado da rua.

Se no pretérito os cubanos cresciam apaixonados pelo beisebol —Fidel Castro era divulgado por jogar diante das multidões—, desde a popularização dos smartphones, em 2018, “as crianças se inclinam mais para o futebol”, explica Osmany, pai de Michael.

Embora a crise também afete os campos de futebol da ilhota, muitos deles “em condições muito precárias”, a Despensa do Mundo “nos permite nos distrair por um tempo”, diz ele sorrindo.

Muitos cubanos falam com nostalgia de Copas anteriores, quando a televisão estatal transmitia todos os jogos e vitualhas e combustíveis não eram tão escassos, exceto durante o início da dezena de 1990, posteriormente o término da ajuda soviética.

Hoje, unicamente bares com TV a cabo e cervejas caras exibem todas as partidas, deixando muitos torcedores do lado de fora, literalmente assistindo da passeio.

“Não é a mesma coisa”, lamenta Alan, de 36 anos, parado na rua com dois amigos e uma lata de cerveja na mão.

Ainda assim, em uma Cuba onde a crise aprofundou as desigualdades, alguns torcedores têm mais privilégios do que outros.

No arborizado bairro de classe média de El Vedado, em Havana, cervejas a um dólar circulavam durante uma sarau organizada para escoltar o jogo em um núcleo cultural decorado com bandeiras do Brasil e enfeites da Despensa.

Do lado de fora, uma fileira de veículos 4×4 evidenciava a existência de uma pequena escol beneficiada pelos salários em dólares do crescente setor privado, enquanto outros cubanos buscam comida em contêineres de lixo.

Mas mesmo ali a crise se faz presente: o sinal de televisão congela periodicamente, provocando protestos dos torcedores.

Para o biólogo Víctor Díaz, de 24 anos, poder escoltar a Despensa é motivo de celebração.

“Ter um tanto que alivie todas as cargas que enfrentamos diariamente é incrível”, afirmou.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *