Notícias Favoritas

O seu portal favorito de notícias na Internet

Copa do Mundo também sofre com a cera dos jogadores
Esporte

Copa do Mundo também sofre com a cera dos jogadores – 11/06/2026 – Coluna FolhaStats

Nos primórdios do futebol, toda falta era considerada um acidente involuntário. Um imprevidência. Finalmente, um cavalheiro nunca atingiria um superior colega de propósito. Assim, em 1891, a geração da regra do pênalti gerou grande polêmica. “Um insulto permanente aos esportistas ter que jogar sob uma regra que assume que jogadores se comportam uma vez que canalhas dos mais inescrupulosos”, escreveu o jogador C.B. Fry em 1907.

O Corinthian inglês, que inspirou o Corinthians brasílico, se recusava a fazer gol de pênalti e tirava seu goleiro de campo quando era marcado um pênalti contra si.

Cinco meses depois da regra, com o Aston Villa vencendo o Stoke por 2 a 1 a dois minutos do termo, um pênalti foi marcado. O goleiro, um miserável do Villa, isolou a globo para fora do campo, que voltou com a partida já encerrada. Não havia acréscimos: os jogos terminavam aos 90 minutos, mesmo com um pênalti a cobrar.

Essa história está em livros e artigos acadêmicos, mas o incidente não é mencionado em notícias sobre a partida nos jornais ingleses do dia. Porém, no Sunderland Daily Echo daquela data, encontrei um louvado que havia terminado um jogo cinco minutos antes “sob a sentimento de que o tempo havia concluído”. O futebol, uma vez que se vê, tinha um problema com o tempo.

Para resolvê-lo, em 1897 o juiz passou a controlar mais seriamente o tempo e poder acrescer minutos à partida. O tempo roubado seria devolvido. Seria?

O gráfico aquém mostra a rapidez com que a globo foi reposta nas três últimas Copas do Mundo. Em todas, o time repõe mais rapidamente quando está perdendo e mais lentamente quando está ganhando. A diferença chega a 20 segundos por reposição.

Se o juiz repõe o tempo perdido, por que os jogadores demoram a repor a globo quando estão em vantagem? Porque os canalhas inescrupulosos de Fry sabem manipular a “sentimento” do juiz mencionada no Sunderland Daily.

Até 2022, o louvado concedia uma prestação quase fixa, de três a quatro minutos. Para quatro minutos perdidos no segundo tempo, devolviam-se praticamente os quatro (100%). Para oito, quatro e meio (57%). Para 12, pouco mais de cinco (44%). Cada minuto de cera rendia só dez segundos de volta. Em 2022, sob orientação da Fifa, o juiz passou a acompanhá-la: 37 segundos devolvidos por minuto. O problema diminuiu, mas não sumiu.

Contra a cera, o juiz se vale de acréscimos e do cartão amarelo. Só que um anula o outro. Uma vez que o tempo perdido é em tese reposto no termo, o cartão parece desproporcional. E há um segundo motivo para o louvado recuar: ninguém pode diferenciar lentidão de enrolação. Esse limiar está escondido na cabeça do juiz, e punir o jogador segundo uma medida oculta parece facultativo. Resultado: somente um cartão por cera a cada dez partidas nas últimas três Copas.

A partir desta Despensa, punição e protocolo mudam. Quando descobrir que o jogador enrola, o juiz inicia com o braço uma resenha regressiva de cinco segundos; ao termo, se a globo não estiver em jogo, a posse troca de lado. O relógio passa da mente do juiz para seu corpo, à vista de todos.

O acréscimo continua, provavelmente com a imprecisão que o acompanha há 135 anos. A novidade é que o protocolo reduz a cera na origem, reduzindo tempo a ser reposto e erro a ser cometido.

Já os jogadores saberão o momento exato de soltar a globo. O que antes era uma negociação silenciosa entre jogador e juiz vira um momento evidente. Esperar até o último segundo deixa de ser moral ditada pelo prática, que separava canalhas de cavalheiros, e passa a ser um simples gesto técnico, ditado pelo ponteiro.

Metodologia do estudo

Natividade e modelo

Os dados provêm da Opta, que registra cada evento das partidas (passe, falta, lateral, finalização, gol) com jogador, posição e momento. A estudo cobre as Copas do Mundo masculinas de 2014, 2018 e 2022, com 64 partidas por edição, 192 jogos no totalidade.

Duração das reposições

Cera é a lentidão em repor a globo em jogo para consumir o tempo regulamentar. Para cada paragem foi medido o pausa, em segundos, entre a saída da globo e o retorno ao jogo. Foram consideradas unicamente as cobranças sem nenhum evento entre a saída e o retorno (por exemplo, um cartão amarelo oferecido entre a cobrança de um lateral ou atendimento médico durante um tiro de meta), de modo que o pausa meça só a reposição. Os tipos analisados são lateral, falta, tiro de meta, escanteio, impedimento e a posse da globo pelo goleiro. O tempo da globo na mão do goleiro existe unicamente na Despensa de 2022, única edição em que a Opta registra o momento em que o goleiro põe a globo no soalho e segue com ela nos pés. Em 2014 e 2018, há registro de quando ele libera a globo, mas não é provável separar o tempo com as mãos do tempo já com os pés. A substituição foi medida unicamente quando ocorreu durante um lateral, com a situação de placar atribuída à equipe que substituiu; casos de substituição simultânea das duas equipes foram descartados. Para cada reposição foi registrado o placar no momento da cobrança (perdendo, empatando ou vencendo), e a estudo por placar considera unicamente o trecho do minuto 75 ao termo.

Acréscimo por jogo

A lei 7.3 da Ifab lista os motivos de acréscimo, mas não fixa quanto deve resistir cada reposição. Uma vez que referência, adotamos a duração mediana de cada tipo de cobrança na mesma Despensa, calculada nas reposições sem eventos sobrepostos. Essa mediana praticamente não muda se calculada só nos lances com o jogo empatado, situação em que não há incentivo a cera (diferença de no supremo um segundo), o que indica que a referência não está inflada pela própria perda de tempo do time em vantagem. Para as cobranças, uma vez que lateral, falta, tiro de meta, escanteio e impedimento, conta uma vez que cera unicamente o tempo que excede essa mediana. Para as paradas que a própria lei trata uma vez que tempo perdido (gol, substituição, lesão e revisão no VAR, entre outras), conta o pausa inteiro. A soma dessas parcelas no segundo tempo de cada partida é o tempo perdido em cera, comparado ao acréscimo facultado pelo louvado. O tempo não reposto é a diferença entre os dois. Em 11 minutos de cera, essa diferença é de 6,7 minutos em 2014; 5,3 em 2018; 2,2 em 2022.

Taxas de reposição

Para cada jogo, o acréscimo facultado foi comparado ao tempo perdido em cera no segundo tempo. Até 2022, o acréscimo era quase fixo, de três a quatro minutos, qualquer que fosse o tempo perdido. Em 2014 e 2018, quando um time perdia quatro minutos, o juiz repunha praticamente os quatro; quando perdia oito, repunha tapume de quatro e meio; quando perdia 12, pouco mais de cinco. Ou seja, o acréscimo quase não crescia quando a cera dobrava ou triplicava, de modo que a secção reposta caía de quase 100% para 57% e depois 44%. Cada minuto a mais de cera devolvia unicamente tapume de dez segundos. Em 2022, esse valor subiu para tapume de 37 segundos, e o acréscimo passou a escoltar a cera.

Cartões

Foram contabilizados os cartões amarelos por perda de tempo, motivo identificado pela Opta: tapume de 17 nas 192 partidas, uma a cada dez jogos, quase todos contra equipes em vantagem.

Folha

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *