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Nuno Leal Maia retorna ao teatro em 'Meno Male'
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Nuno Leal Maia retorna ao teatro em ‘Meno Male’ – 11/06/2026 – Ilustrada

Quarenta anos posteriormente fazer história no teatro brasílico com quase sete anos consecutivos em edital, a icônica comédia política “Meno Male”, escrita por Juca de Oliveira, ganha uma novidade montagem. O espetáculo, que marca a segunda produção realizada posteriormente a morte do responsável, estreia no dia 12 de junho de 2026, no Teatro Renaissance, em São Paulo, trazendo um elenco estrelado e uma sátira social atualíssima.

A direção desta versão carrega um possante componente afetivo. Léo Stefanini, que hoje comanda o espetáculo, cresceu nos bastidores da montagem original dos anos 1980, dirigida por Bibi Ferreira, na qual seu pai, Fulvio Stefanini, atuava ao lado de nomes porquê Oliveira e Luis Gustavo.

Ao revisitar a obra agora, com o olhar maduro de quem também conviveu com o responsável em seus últimos trabalhos, Stefanini enxerga além do riso. “Hoje acho que entendo melhor o processo: porquê o Juca construiu o texto para chegar ao resultado espetacular. A carpintaria dramatúrgica é perfeita. Uma vez que ele diria: basta fazer a sério.”

Conciliando trabalhos distintos —já que também dirige o denso drama “O Pai”, que retrata o tema da demência—, Stefanini rejeita a teoria de que a tristeza de uma peça contamine a leveza da outra. Para ele, o ponto de convergência é a própria humanidade. “Ambos os espetáculos são profundamente humanos. Não têm relação entre si, mas ambos alcançam a espírito humana com a mesma intensidade”, diz.

Essa mesma humanidade se reflete na atemporalidade da sátira política de “Meno Male”, que expõe a proximidade perigosa entre os interesses públicos e privados.

Ao investigar o cenário atual, o diretor é decisivo: “A sensação é de que a peça foi escrita ontem! O mesmo cheiro de sempre: depravação, facilidades, ‘mamatas’. Zero que a gente já não veja há décadas. Montamos a comédia, porque, sem incerteza, é melhor rir do que chorar!”.

A trama de “Meno Male” promove um choque cultural e moral irresistível. De um lado, os bastidores caóticos do poder em Brasília e São Paulo; do outro, a simplicidade e a tradição do bairro da Mooca. O conflito explode quando Alberto, um secretário de Estado corrupto, personagem do ator Marcelo Faria, bate o coche no táxi de Nicola, um imigrante italiano falido e de temperamento explosivo. O nó cego da história se cabo no vestuário de que Alberto mantém um caso secreto exatamente com Angelina, a jovem neta de Nicola.

Para dar vida ao emblemático Nicola, a produção escalou o veterano Nuno Leal Maia. Embora estivesse distante dos palcos desde “O Quebra-luz Lilás”, de Plínio Marcos, há mais de dez anos, o ator revela que se manteve ativo no cinema, participando de produções porquê “Montserrat”, “Milénio Luas”, “Trópico de Leão” e o ainda inédito “Sangue de Groselha”.

O retorno à ribalta, segundo ele, foi motivado pela força do conjunto: “O que me cativou em ‘Meno Male’ foi o projeto porquê um todo. Além do magnífico texto do Juca, me recordo do enorme sucesso que fez na estação. Também tinha vontade de saber o trabalho do Léo, que vem se firmando porquê um nome possante na direção teatral”.

Interpretar um personagem tão pitoresco e, ao mesmo tempo, mourejar com o peso da depravação que orbita a história exige um controle preciso do tom, um pouco que Nuno buscou no estabilidade dramático.

“Em alguns momentos, você deixa a cena respirar mais ligeiro, permitindo que o público ria da incoerência, do impudência, da lógica torta do personagem. Mas logo em seguida é preciso lembrar que aquilo que está sendo engraçado também é grave”, explica o ator.

No papel de Luísa, a esposa e assessora do secretário corrupto, está Suzy Rêgo, que possui um histórico de peso no universo de Oliveira —ela integrou o fenômeno “Caixa 2” em 1997. A atriz recorda com carinho os quatro anos e meio em edital na estação, definindo a experiência porquê “uma verdadeira faculdade de teatro”.

Para ela, rotular as obras de Oliveira unicamente porquê comédias políticas reduz o verdadeiro alcance do responsável. “Juca sempre dizia que escrevia sobre a natureza humana em seus mais diversos comportamentos e posições sociais”, afirma Rêgo, acrescentando que “é a identificação do nosso estimável público que transforma o drama vivido pelas personagens em comédia. Humana”.

Embora as personagens femininas da peça possam parecer, à primeira vista, presas a estereótipos da estação —porquê a “esposa assessora” ou a “jovem amante”—, o texto de Oliveira subverte essas posições por meio da dificuldade moral. Rêgo antecipa que o público encontrará camadas profundas em sua personagem.

Completam o elenco Joaquim Lopes, Antoniela Esquina e Naiara de Castro, dando vida a assessores fofoqueiros e secretárias apaixonadas que movem as engrenagens dessa sátira atemporal. Unindo o riso rasgado à reflexão incômoda, “Meno Male” promete mostrar que, mesmo que os cenários mudem, o comportamento humano diante do poder continua sendo o melhor espelho da nossa sociedade.

Folha

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