Mais de 120 associações norte-americanas, entre elas a influente ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis), alertaram torcedores, jogadores e jornalistas estrangeiros sobre riscos significativos de violações de direitos humanos caso viajem aos Estados Unidos durante a Despensa do Mundo de 2026.
Em um documento intitulado “aviso aos viajantes”, as organizações chamam a atenção para a possibilidade de negação arbitrária de ingresso no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamentos desumanos, no contexto da política migratória adotada pelo governo do presidente Donald Trump.
Segundo o expedido da ACLU, torcedores, atletas, profissionais da prensa e outros visitantes podem suportar violações graves de seus direitos, uma vez que o governo Trump intensificou sua agenda considerada draconiana contra a imigração e os direitos humanos.
As entidades signatárias do documento fizeram um apelo direto à Federação Internacional de Futebol (Fifa), solicitando que a organização utilize sua influência para pressionar o governo setentrião‑americano e exigir mudanças concretas nas políticas migratórias, além de garantias claras de proteção para todas as pessoas envolvidas no evento.
O diretor do programa de direitos humanos da ACLU, Jamil Dakwar, afirmou que é mais do que necessário que a Fifa assuma uma postura ativa e utilize seu peso institucional para exigir compromissos tangíveis, de modo que as pessoas possam se sentir seguras ao viajar e presenciar às partidas da Despensa do Mundo.
De conformidade com o alerta divulgado pelas organizações, visitantes estrangeiros que pretendem presenciar ao Mundial nos Estados Unidos podem estar sujeitos à negação arbitrária de ingresso no território setentrião‑americano, ao risco de prisão, detenção prolongada ou deportação, muito uma vez que à inspeção invasiva de redes sociais e dispositivos eletrônicos por autoridades migratórias.
Emprego violenta e inconstitucional das leis de imigração
O documento também aponta para a possibilidade de emprego violenta e inconstitucional das leis de imigração, incluindo fiscalizações baseadas em perfis raciais, além do risco de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes durante a detenção, e até mesmo a possibilidade de morte sob custódia do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na {sigla} em inglês).
Diante dessas advertências, a Fifa respondeu por meio de um expedido no qual afirmou que, de conformidade com o cláusula 3º de seus Estatutos, compromete‑se a respeitar e promover todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente.
A entidade destacou que diversos documentos relacionados à Despensa do Mundo de 2026, assim uma vez que a geração de um Grupo Consultivo sobre Direitos Humanos, formado por especialistas independentes, e a promoção de um Mecanismo de Reclamação em Material de Direitos Humanos, demonstram seu compromisso com a proteção desses direitos em todas as atividades‑chave do torneio e para todos os atores envolvidos.
O temor entre os torcedores é reforçado pelo vestimenta de que, dos 104 jogos previstos para a Despensa do Mundo de 2026, 78 serão disputados nos Estados Unidos, país que coorganiza o evento ao lado de Canadá e México. As restrições migratórias impostas pelo governo setentrião‑americano geram privativo preocupação entre os torcedores de países uma vez que Irã, Haiti, Senegal e Costa do Marfim, já classificados para o torneio, cujos cidadãos podem enfrentar obstáculos adicionais para entrar no país.
Embora Washington afirme que essas medidas não afetam os vistos de turismo, o que em tese permitiria a ingresso de torcedores que tenham ingressos para os jogos, a Fifa precisou implementar um procedimento depressa para a solicitação de entrevistas nos consulados, sem qualquer garantia de licença do visto.
Ou por outra, muitos torcedores demonstram receio de viajar aos Estados Unidos devido às operações do ICE destinadas a paralisar e deportar estrangeiros em situação migratória irregular.
Em janeiro, o assassínio de dois manifestantes em Minneapolis, no setentrião do país, abatidos por agentes federais, provocou uma vaga de indignação e reforçou as preocupações em relação ao uso excessivo da força por secção das autoridades, aumentando o clima de inquietação em torno da realização do Mundial no território setentrião‑americano.
Com AFP





