“É ter jogadores bons, jogadores muito bons”, afirmou Didier Deschamps, questionado sobre o sigilo para compreender três semifinais consecutivas de Despensa do Mundo. “Sei muito que um treinador e seu estafe só têm sucesso por razão dos jogadores”, acrescentou o comandante da França, antes de permitir a si mesmo um sorriso: “Mas talvez eu não seja tão ruim no que faço”.
Talvez não seja mesmo.
Deschamps, 57, tentará nos próximos dias tornar-se o primeiro varão a trabalhar uma vez que técnico em três decisões do Mundial. Vencedor em 2018 e vice em 2022, conta novamente com jogadores bons, jogadores muito bons, e vai mostrando um repertório dissemelhante do utilizado nas duas experiências anteriores.
Considerado pragmático, por vezes excessivamente defensivo, ele topou fazer concessões em seu estilo depois o desempenho registrado na Eurocopa de 2024. No torneio europeu, embora tenha avançado até as semifinais e parado em um jogo duro com a campeã Espanha, a formação francesa tinha até ali somente três bolas na rede em cinco partidas: eram dois gols contra e um de pênalti.
Chegou a ser posta em incerteza a incomum firmeza do treinador, que assumira o time 12 anos antes, em 2012. Ele sobreviveu à trepidação da eliminação na Euro e, em janeiro de 2025, anunciou que seu ciclo se encerraria na Despensa de 2026. “Vai concluir, porque precisa concluir em qualquer momento. Você nunca quer que uma coisa ótima acabe, mas precisa saber quando expor chega.”
De lá para cá, Deschamps promoveu uma repaginação na equipe. Para isso, estabeleceu uma espécie de concordância com seus talentosos atacantes: daria a eles maior liberdade com a esfera desde que houvesse dedicação ao projecto defensivo. No atual Mundial, “Les Bleus” marcaram 16 gols em seis jogos, e a sensação é que o número poderia ser muito maior.
O duelo com Marrocos nas quartas de final foi ilustrativo, com 22 finalizações na construção da vitória por 2 a 0. A elogiada formação africana –que estreou na Despensa empatando com o Brasil, com desempenho superior ao do contendor pentacampeão– foi claramente dominada pela França, mesmo em uma jornada na qual o garçom Olise não foi muito e o bombeiro Mbappé perdeu pênalti.
Depois do péssimo pontapé da marca penal, o craque se redimiu com um golaço. Saltou também aos olhos sua dedicação para impor pressão na saída de esfera do oponente, um pouco outrora inimaginável. Com a ajuda dos homens de frente e um bom trabalho da dupla de zaga formada pelos rápidos Upamecano e Saliba, houve somente dois gols sofridos na campanha.
Dessa maneira, falta uma vitória para Deschamps ser o primeiro técnico presente em três finais de Despensa do Mundo. Se vencer também a decisão, ele se tornará o segundo treinador com dois títulos e terá uma vantagem sobre Vittorio Pozo (que dirigiu a Itália nas glórias de 1934 e 1938): ergueu também uma taça nos tempos de jogador, uma vez que o capitão do time que castigou o Brasil em 1998.
Não é excesso expor que a história da seleção francesa tenha um antes e um depois de Didier. Ele esteve em 32 dos 79 jogos da equipe na história do Mundial e participou diretamente, uma vez que desportista ou comandante, de impressionantes 57,8% dos triunfos. Se satisfazer seu objetivo, chegará no próximo termo de semana a 59,6%.
Em campo, há 28 anos, o meio-campista de Baiona –cidade basca do atual território francesismo– era evidentemente um coadjuvante de Zidane. À ourela do gramado, foi vencedor em 2018 contando com Pogba, Mbappé e Griezmann. Agora, além de Mbappé, tem à disposição o atual Esfera de Ouro, Dembélé, e o talentoso Olise.
Por isso, há quem diga que estejamos simplesmente diante de um faceta de sorte.
“É verdade, falam isso sobre ele”, observou o ex-jogador Thierry Henry, jovem companheiro de Deschamps na França de 1998. “Muito, se você continua a invadir e a invadir uma vez que treinador, uma vez que jogador, por 40 anos, não é sorte. É trabalho, é ímpeto. Ele é um exemplo para todos nós.”
Marcello Lippi, que dirigiu o volante de 1994 a 1999 na Juventus, já via nele o perfil de técnico. “Inteligentíssimo”, disse diversas vezes o italiano, comandante da Itália na conquista do tetra, em 2006.
Seu pupilo, de veste, perseguiu uma curso do lado de fora das quatro linhas e surpreendeu ao levar o Monaco à final da Liga dos Campeões, em 2004. Depois disso, teve bons momentos na Juventus e no Marseille, porém foi mesmo na equipe pátrio francesa que estabeleceu seu nome uma vez que treinador.
No ciclo para 2026, tomou decisões difíceis. Se fez ajustes do ponto de vista tático, também mostrou jogo de cintura em situações uma vez que a criminação de estupro contra Mbappé. Conversou com o desportista e o deixou fora de alguns jogos. Também o convenceu a assumir a posição mais adiantada do ataque, um pouco encarado inicialmente com resistência.
Uma vez que um centroavante, ou quase isso, o craque tem oito gols na Despensa do Mundo e é o representante em campo de Deschamps. Com a tira de capitão, quando marcou contra a Suécia, o camisa 10 correu para abraçar o dirigente, que havia se ausentado do grupo para ir ao velório da mãe.
“O espírito de equipe não ganha necessariamente jogos, mas a falta dele pode fazer você perdê-los”, declarou o técnico, genuinamente sensibilizado pelo gesto. “A força coletiva está supra de tudo, e o Kylian é o mais reluzente exemplo disso.”
Kylian Mbappé é, sem incerteza, o mais reluzente membro do time francesismo. Mas talvez Deschamps realmente não seja tão ruim.





