A humanidade nunca enfrentou um duelo tão grande porquê a crise climática. Ainda assim, muitos parecem não ter entendido ainda a seriedade do problema, alertou o redactor e neurobiólogo italiano Stefano Mancuso nessa terça-feira (9), durante a inauguração do Núcleo de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e da Galeria VÃO, no Rio de Janeiro.
“A crise climática é o problema mais grave que a humanidade já enfrentou em toda a sua história. Não se trata de uma crise passageira ou de um ciclo procedente superável. Estamos diante de um risco real de extinção da nossa própria espécie se não mudarmos radicalmente a nossa relação com o planeta”, lembrou o pesquisador.
Para Mancuso, a preocupação da humanidade em enxergar somente a si mesma e ignorar a submissão em relação ao reino vegetal é uma das maiores ameaças à sobrevivência do planeta.
“Viver sob uma lógica de monocultura humana, porquê se pudéssemos viver isolados das outras espécies e sem depender diretamente delas, é uma ilusão perigosa que está nos conduzindo ao colapso”, afirmou o pesquisador.
Professor da Universidade de Florença, Mancuso é uma das maiores referências mundiais em neurobiologia vegetal. Suas obras são publicadas no país pela Ubu Editora, que conta com os títulos A revolução das vegetais — vencedor do Prêmio Galileo de divulgação científica em 2018 —, A incrível viagem das vegetais, A vegetal do mundo, País das vegetais e Fitópolis.
Ciência x opinião
Mancuso defendeu o papel do conhecimento acadêmico diante das transformações climáticas globais e criticou negacionistas que relativizam dados científicos sobre o aquecimento global.
“É uma tremenda estupidez tratar a ciência porquê se fosse somente uma opinião, principalmente quando estamos discutindo a crise climática. A ciência trabalha com fatos, evidências e dados consolidados, não com pontos de vista subjetivos que podem ser aceitos ou descartados ao paladar de cada um”, afirmou.
Porquê opção prática para sofrear o aquecimento urbano, o pesquisador defendeu medidas urgentes de renaturalização, porquê a substituição do asfalto por alternativas verdes. Segundo ele, é preciso agir rapidamente para remover coberturas impermeáveis e arborizar as cidades em tamanho.
“Temos que retirar 20% das ruas e do asfalto das cidades para dar espaço às vegetais. As administrações municipais que fizerem isso primeiro serão as que vão evitar milhões de mortes e poupar gastos econômicos colossais. As outras serão obrigadas a fazê-lo daqui a dez anos, sob regime de emergência, gastando dez vezes mais e carregando na consciência as mortes que poderiam ter sido evitadas”, concluiu.
Cidades na floresta
Para ilustrar que a convívio equilibrada entre a urbanização e a natureza é provável, o pesquisador citou as antigas civilizações na Amazônia.
“As cidades antigas da Amazônia nos mostram um caminho fascinante. Elas não destruíam a floresta para viver: eram criadas dentro da própria floresta, em conexão íntima com ela. É a prova histórica de que o ser humano é capaz de projetar espaços habitáveis que coexistem com a biodiversidade, em vez de aniquilá-la porquê fazemos na arquitetura moderna”, disse.
Porquê os vegetais representam a maioria da biomassa do planeta, o neurobiólogo sustenta que a sobrevivência humana depende da capacidade de compreender as vegetais não porquê recursos passivos, mas porquê sujeitos inteligentes.
De entendimento com as pesquisas de Mancuso, as vegetais apresentam lucidez descentralizada e cooperativa. A tomada de decisões no reino vegetal ocorre de maneira distribuída por todo o organização, principalmente em suas raízes. Esse protótipo nivelado é assinalado pelo responsável porquê uma prelecção de organização coletiva para as sociedades humanas frente às crises contemporâneas.
Caminho dos tribunais
O pesquisador italiano também apontou caminhos práticos para forçar governantes e grandes corporações a adotarem uma agenda virente real, destacando que o ativismo puramente discursivo não é suficiente.
“Os tribunais têm hoje papel fundamental para prometer que as mudanças aconteçam. A via jurídica, por meio de processos contra governos omissos e empresas poluidoras, tem se mostrado um dos instrumentos mais eficientes e realistas que temos para exigir o cumprimento de metas climáticas e a preservação do meio envolvente”, argumentou.
Exposição
Durante visitante ao Rio de Janeiro, o redactor inaugurou a primeira exposição da Galeria VÃO, intitulada “Revolução das Vegetalidade” em homenagem a um de seus livros.
A mostra reúne fotografias, instalações, pinturas e gravuras de artistas brasileiros, porquê Luiz Zerbini, Castiel Vitorino Brasiliano, Ana Kemper, Beta Azevedo, Isa Muriá, Moara Tupinambá, Renata Padovan e Rosana Palazyan, que exploram as intersecções entre natureza e tecnologia. A visitação pública é gratuita e ocorre de terça a domingo, das 10h às 17h.
De entendimento com Moises Promanação, coordenador do CCCS, o novo galeria cultural, vizinho de instituições porquê o CCBB e os museus de Arte do Rio (MAR) e do Amanhã, procura aproximar a sociedade da produção científica por meio da sensibilidade artística.
“A galeria nasce do libido institucional de gerar um espaço que cultive, na mesma proporção, a mediação e divulgação do conhecimento científico, a fruição artística e a reflexão sátira, fios costurados a partir do diálogo entre os programas Cultura e Ensino do Sesc RJ, no intuito de pensar mundos contemporâneos nos quais caibam outros mundos, muito porquê as diversas formas de habitá-los”, disse ele.




