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'Dark Horse': cachê de Caviezel é próximo ao do 'Coringa'
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‘Dark Horse’: cachê de Caviezel é próximo ao do ‘Coringa’ – 12/09/2026 – Ilustrada

O questionário da Polícia Federalista sobre o filme “Dark Horse”, que apura suspeitas de irregularidades no financiamento da produção, que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, traz novos detalhes sobre o orçamento do longa-metragem.

O documento integra um dos inquéritos relacionados ao Banco Master tornados públicos na noite desta sexta-feira (11) por decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federalista).

A decisão veio depois o presidente da Namoro, Edson Fachin, instaurar a orifício dos documentos vinculados ao caso, atendendo a um pedido da PGR (Procuradoria-Universal da República).

A planilha de custos previstos para o filme detalha o cachê que seu protagonista, o ator americano Jim Caviezel, receberia para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro: US$ 4 milhões, ou muro de R$ 20,48 milhões na cotação atual.

Embora Caviezel não seja mencionado explicitamente, as duas primeiras parcelas que o banqueiro deveria remunerar, de US$ 2 milhões cada, aparecem descritas uma vez que “talento principal segmento 1” e “talento principal segmento 2”.

“Talento”, tradução literal de “talent”, é o termo usado pela indústria para se referir a um artista. Porquê o documento qualifica o profissional uma vez que o “talento principal”, a referência seria ao protagonista.

Porquê a planilha registra unicamente o orçamento, não é verosímil saber se o pagamento foi efetivamente realizado nem qual foi o dispêndio final. Documentos do Parecer de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que ao menos US$ 12,3 milhões (R$ 63 milhões) dos US$ 24 milhões (R$ 123 milhões) solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro foram efetivamente pagos.

A assessoria de prelo de Flávio disse à BBC News Brasil que assuntos ligados a “Dark Horse” devem ser tratados com a produtora do filme, a Go Up Entertainment. A BBC questionou a empresa, por e-mail, mas não obteve retorno até a publicação. A reportagem não conseguiu localizar os representantes de Caviezel.

A Polícia Federalista destaca, em seu relatório, o descompasso entre os valores de “Dark Horse” e aqueles observados no mercado audiovisual brasílio. “Embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a premência de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada”, diz o documento.

O diretor do filme, Cyrus Nowrasteh, se pronunciou no X. “A conferência de custos que a prelo brasileira vem fazendo é nequice. Nos Estados Unidos, os orçamentos de produção são divulgados sem incluir os custos de marketing. Já o valor referente a ‘Dark Horse’ citado na cobertura jornalística inclui o marketing. Confrontar um valor que engloba produção e marketing com custos unicamente de produção é, simplesmente, um erro”, ele escreveu.

No entanto, na planilha de custos apresentada a Vorcaro, à qual a PF teve entrada, não há menção a despesas de distribuição, categoria que inclui o marketing. Em um filme, a pós-produção reúne unicamente os gastos necessários para editar e finalizar a obra.

Já a lanço que envolve os custos para levar a obra ao público —incluindo divulgação e distribuição nos cinemas— corresponde a ao menos 30% da soma de todas as demais despesas, entre elas cachês de elenco, roteiristas, produtores e de todos os outros profissionais envolvidos na produção.

O cachê de Caviezel para fazer Bolsonaro e o de Joaquin Phoenix uma vez que Coringa

Mesmo deixando de lado a conversão para o real, já que se trata de uma produção americana, os US$ 4 milhões são considerados exagerados por profissionais da indústria cinematográfica ouvidos pela BBC em caráter reservado.

Um produtor que transita entre os mercados brasílio e americano há mais de uma dezena lembra que Robert Downey Jr., um dos atores mais populares da atualidade, por ter interpretado o Varão de Ferro, recebeu a mesma quantia em “Oppenheimer”, sobre o pai da explosivo atômica, o físico Robert Oppenheimer.

Ainda que Downey Jr. não tenha interpretado o protagonista, seu papel foi meão para a história. Ele deu vida a Lewis Strauss, membro fundador e ex-presidente da Percentagem de Força Atômica dos Estados Unidos, um dos personagens com maior presença em cena, detrás de Cillian Murphy, que teria recebido US$ 10 milhões para interpretar Oppenheimer.

Mas as comparações não param por aí. Mesmo se limitada a referência a protagonistas, Joaquin Phoenix recebeu US$ 4,5 milhões para interpretar Coringa no filme sobre o opositor do Batman.

Os valores neste mercado podem variar bastante. Phoenix, por exemplo, recebeu muro de US$ 20 milhões pela prosseguimento de “Coringa (Coringa: Delírio a Dois)”, mas só depois de o primeiro filme se tornar um arrasa-quarteirão e ultrapassar US$ 1 bilhão nas bilheterias.

É um valor dez vezes maior do que o que os produtores de “Dark Horse” projetam recepcionar no cenário mais otimista: US$ 100 milhões.

Esse valor, aliás, também é questionado nos bastidores da indústria de cinema brasileira. Para se ter uma teoria, “Rivais”, um dos filmes mais recentes de Zendaya, uma das maiores estrelas pop de sua geração, arrecadou esse mesmo valor.

Em universal, os cachês de atores são mantidos em sigilo, e raramente os artistas ou seus agentes os tornam públicos, motivo pelo qual é difícil traçar muitas comparações. Ainda assim, esses casos são ilustrativos, na visão dos especialistas ouvidos pela BBC.

Ambos os filmes comparados estiveram entre as principais bilheterias dos anos em que foram lançados. “Coringa”, uma vez que dito, arrecadou muro de US$ 1 bilhão em 2019, e “Oppenheimer” fez US$ 976 milhões em 2023.

São produções distribuídas pelas principais empresas de cinema do mundo – o primeiro, pela Warner Brothers; o segundo, pela Universal Pictures —e lançadas em 44 e 80 países, respectivamente.

Essas cifras ilustram o caráter amplamente mercantil das duas produções, em contraste com o momento atual da curso de Caviezel.

Seu projeto mais famoso foi “Paixão de Cristo”, no qual interpretou Jesus e que arrecadou US$ 612,1 milhões nas bilheterias. Desde portanto, porém, sua curso foi marcada por papéis e projetos menores.

A exceção foi “O Som da Liberdade”, em 2023, que no Brasil mobilizou sobretudo evangélicos e bolsonaristas, mas ainda assim teve uma bilheteria global de US$ 250,5 milhões, muito subordinado à de “Paixão de Cristo” —ou, é evidente, dos sucessos de Downey Jr. e Phoenix.

A conferência é relevante porque, enquanto a história do inimigo do Batman e a do pai da explosivo atômica despertam interesse mundial, já que são personagens conhecidos há gerações, a de Bolsonaro dificilmente interessaria às massas de qualquer mercado que não o Brasil, dizem os produtores e diretores ouvidos pela BBC.

Em outras palavras, é difícil imaginar, na visão desses profissionais, que o mercado pagaria a Caviezel, para interpretar Bolsonaro em um filme de circulação virtualmente restrita ao mercado brasílio, valores tão altos uma vez que os recebidos por nomes uma vez que Downey Jr. e Phoenix em blockbusters de Hollywood.

Principalmente na situação atual do mercado de cinema, que encolheu desde que as plataformas de streaming se popularizaram, as redes sociais e os vídeos curtos se tornaram onipresentes e a disputa por atenção se intensificou durante a pandemia de coronavírus.

A bilheteria é uma evidência disso. Em 2019, antes da pandemia, os cinemas arrecadaram US$ 42,3 bilhões no mundo. Em 2025, mesmo no melhor resultado desde 2019, a bilheteria global registrou US$ 33,6 bilhões – uma queda de 20,6%, segundo a Gower Street Analytics, que monitora a indústria cinematográfica.

No Brasil, o principal mercado para “Dark Horse”, a situação é ainda mais delicada. Segundo a Ancine, a Dependência Vernáculo do Cinema, o público que foi às salas despencou muro de 36,5% entre 2019 e 2025.

Caviezel, aliás, foi mencionado nas cobranças que Flávio fez a Vorcaro, segundo a polícia.

Em um áudio de 8 de setembro de 2025, o senador cobrou pagamentos e demonstrou preocupação com um verosímil inadimplemento perante o ator e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Em 22 de outubro, um mês antes da prisão de Vorcaro, o senador afirmou que a produção estava “no limite”, pediu que Vorcaro o avisasse caso não pudesse fazer o aporte e o convidou para um jantar com os artistas.

Expectativa de bilheteria também é vista pelo setor uma vez que ambiciosa demais

Outro elemento que chamou a atenção dos produtores e diretores consultados pela BBC, quando confrontados com as tabelas vistas no questionário da Polícia Federalista: a expectativa de arrecadação de “Dark Horse”.

O projecto de negócios enviado a Vorcaro, que também consta do questionário, projetava uma bilheteria —ou receita bruta— de US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no cenário conservador e US$ 100 milhões no cenário otimista.

Números brutos podem não proferir muita coisa, mormente para quem não conhece o mercado. Por isso, comparações ajudam a dimensionar o tamanho da expectativa que os produtores de “Dark Horse” apresentaram ao possuidor do Banco Master.

Mesmo no pior cenário, a previsão colocaria o filme sobre Bolsonaro supra da bilheteria de “Minha Mãe É uma Peça 3”, estrelado pelo comediante Paulo Gustavo, o filme brasílio de maior bilheteria da história do país, que arrecadou R$ 180 milhões – um pouco próximo de US$ 35 milhões pela cotação atual.

Já os US$ 100 milhões do cenário otimista colocariam “Dark Horse” em um patamar em que comparações com bilheterias brasileiras nem sequer podem ser feitas.

É uma receita semelhante à de Rivais, o filme de 2024 estrelado por Zendaya, que vinha de sucessos uma vez que a série “Euphoria”, da HBO, a franquia de ficção científica “Duna” e a de super-heróis Varão-Aranha, na qual interpreta a namorada do protagonista.

Distribuído internacionalmente pela Warner Brothers, um dos maiores estúdios de Hollywood, Rivais arrecadou US$ 96,1 milhões no mundo, sendo US$ 50,1 milhões nos Estados Unidos e no Canadá, o que ilustra a prestígio do mercado norte-americano para o sucesso de um filme.

Em outras palavras, a história de Jair Bolsonaro precisaria ser tão pop quanto a de Zendaya, ou até mais do que isso, para executar o cenário previsto pelos produtores, afirmam os profissionais de cinema à BBC.

Também labareda a atenção dos especialistas as comparações que os produtores do filme de Bolsonaro fizeram para justificar o investimento de US$ 24 milhões solicitados a Vorcaro por Flávio.

Segundo uma estudo dos produtores que consta do questionário da polícia, esse orçamento estaria dentro da ordem de grandeza de cinebiografias internacionais de políticos e figuras públicas, uma vez que “A Mulher de Ferro”, sobre a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que consumiu US$ 14 milhões.

A lista inclui ainda “A Rainha” (US$ 15 milhões), sobre a rainha Elizabeth 2ª; “Selma: Uma Luta pela Paridade” (US$ 20 milhões), sobre a campanha de Martin Luther King Jr. pelos direitos civis; e “Estrelas Além do Tempo” (US$ 25 milhões), sobre três matemáticas negras pioneiras da Nasa, a dependência espacial americana.

Também aparecem “Frost/Nixon” (US$ 29 milhões), sobre a entrevista do jornalista David Frost com o ex-presidente americano Richard Nixon; “Mandela: Longo Caminho para a Liberdade” (US$ 35 milhões), cinebiografia de Nelson Mandela; e “JFK” (US$ 40 milhões), sobre a investigação do homicídio do presidente americano John F. Kennedy.

Para os diretores e produtores ouvidos pela BBC, porém, a conferência faz pouco sentido. Não se trata unicamente de colocar lado a lado histórias de personagens políticos de contextos e projeções internacionais diferentes, mas também estrelas de popularidades que podem ser completamente opostas.

“A Mulher de Ferro”, por exemplo, tinha Meryl Streep no papel de Thatcher. Uma das atrizes mais reconhecidas de Hollywood, ela já venceu três prêmios Oscar —sendo dois deles antes de levante filme estrear.

Já “A Rainha” era estrelado por Helen Mirren, uma das atrizes mais conhecidas e respeitadas do Reino Unificado e que também ganhou um Oscar pela tradução da régio.

Caviezel, embora tenha reconhecimento, está em um patamar dissemelhante de exposição e poder de atração de público dessas estrelas. Seu maior sucesso, vale lembrar, foi lançado há 22 anos.

Uma conferência que faria mais sentido, até por se tratar de outro político, seria “O Inexperiente”, cinebiografia sobre os primeiros anos de Donald Trump uma vez que empresário do setor imobiliário em Novidade York.

Estrelado por Sebastian Stan uma vez que Trump e Jeremy Strong no papel do jurisperito Roy Cohn, mentor de Trump, “O Inexperiente” teve orçamento estimado em US$ 16 milhões e arrecadou muro de US$ 17,3 milhões no mundo.

Repartição de custos é pouco convencional, dizem profissionais do cinema

Outro elemento que chamou atenção dos profissionais de cinema é a maneira uma vez que os produtores distribuíram os custos de “Dark Horse”.

Na tábua de investimento apresentada a Vorcaro, a maior fatia iria para a pós-produção, com 34,7% do orçamento, o que não faz sentido, por se tratar de um filme que não depende de efeitos visuais em larga graduação, uma vez que uma façanha ou uma ficção científica, diz uma diretora de franquias de sucesso no Brasil.

Em seguida aparece a pré-produção, com 27,8%. O cachê do protagonista vem depois, com 16,7%, enquanto as filmagens receberiam unicamente 13,9%, e o desenvolvimento, 6,9%.

Os 13,9% para as filmagens é o que mais justificação estranheza a esses especialistas. Segundo eles, uma partilha mais usual seria de 10% para desenvolvimento, 25% para pré-produção, 50% para filmagem e 15% para pós-produção.

Folha

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