Sete ministérios estão envolvidos na geração da Política Vernáculo de Economia Criativa, que pretende inserir definitivamente o setor na agenda vernáculo de desenvolvimento. Ao participar de seminário sobre o tema no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (17), a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC), Cláudia Leitão, explicou o caráter transversal da proposta.
“Será um decreto interministerial. A economia criativa não está somente na Cultura. Ela está também na Novidade Indústria Brasil, no Turismo, na Ciência e Tecnologia, no Trabalho, na Micro e Pequena Empresa e na Integração e Desenvolvimento Regional”, disse, em entrevista à Filial Brasil.
Cláudia Leitão e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, participaram do Seminário Internacional Caminhos para Fomento e Financiamento em Economia Criativa, realizado no Palácio Gustavo Capanema, no núcleo do Rio de Janeiro.
Na exórdio do seminário, na terça-feira (16), a ministra definiu que “o que estamos fazendo cá é erigir, coletivamente, um marco para o horizonte da economia criativa brasileira”.
Margareth Menezes reforçou a premência de ampliar a participação do setor privado e das instituições financeiras no fortalecimento do segmento:
“O governo sozinho não vai fazer. Precisamos ativar também o voto de crédito das empresas e das instituições financeiras. Investir em cultura é potente, dá resultado rápido, gera sociabilidade e movimenta diversos outros setores da economia”, declarou.
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Escuta regional
A secretária de Economia Criativa explicou que o seminário encerra um processo de escuta realizado nas cinco regiões do país, por meio do Fórum Brasil Criativo:
“Estamos andando pelo Brasil, desde o ano pretérito, com o Fórum Brasil Criativo. Passamos pelo Setentrião, Nordeste, Sul e Núcleo-Oeste e, agora, encerramos essa passeio no Sudeste. Em cada região, realizamos escutas e produzimos cartas com as contribuições do campo criativo”, disse.
As atividades prosseguem até quinta-feira (18), quando será elaborada a Epístola do Sudeste. O documento se somará às contribuições recolhidas nas demais regiões e servirá de base para a construção do Projecto Brasil Criativo e do decreto da Política Vernáculo de Economia Criativa.
“Trata-se de uma estratégia para solidificar a economia criativa uma vez que política de Estado, articulando cultura, desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade e inclusão social”, afirmou Cláudia Leitão.
A secretária defendeu que o Brasil tem tanta capacidade quanto a Coreia do Sul para produzir cultura, influência e desenvolvimento por meio da economia criativa.
“Os coreanos fizeram uma escolha estratégica há tapume de 20 anos e transformaram a indústria criativa em um dos principais motores de sua economia. O Brasil tem potencial semelhante, sustentado por sua volubilidade cultural e territorial”.
Troca de experiências
Ao longo de terça, os participantes acompanharam painéis sobre financiamento, inovação e desenvolvimento da economia criativa. O seminário também abriu espaço para a escuta de trabalhadores da cultura e de lideranças de diferentes regiões do país.
Participaram da programação representantes de iniciativas uma vez que o The Human Project (SE), o Ponto de Cultura Nutrir Iacitatá (PA), o Museu do Hip Hop (RS), a Comunidade Balatiponé-Umutina (MT) e a Feira Preta (SP), que compartilharam experiências sobre empreendedorismo cultural, desenvolvimento territorial e os desafios para prometer sustentabilidade financeira aos projetos.
A programação também apresentou experiências de empreendedores criativos apoiados por linhas de financiamento e fomento e reforçou a premência de combinar investimento público, crédito, garantias, cooperação internacional, dados, sustentabilidade e modelos de negócio enraizados nos territórios.
No oração de fecho do primeiro dia do seminário, a ministra da Cultura destacou a premência de ampliar a compreensão da economia criativa uma vez que vetor estratégico para o desenvolvimento do país:
“Estamos buscando despertar na sociedade brasileira e nas empresas essa dimensão ainda pouco explorada das indústrias culturais e da economia criativa. Sabemos da força da cultura na transformação social, na volubilidade e na representatividade, mas precisamos solidificar também sua dimensão econômica”, afirmou.
A ministra ressaltou também que milhões de brasileiros trabalham direta ou indiretamente com cultura, mas ainda enfrentam dificuldades para acessar financiamento e políticas estruturadas de desenvolvimento.
Financiamento
Um dos principais temas do seminário é a geração de instrumentos financeiros adaptados às características do setor. Para a assessora da Dimensão de Relacionamento Institucional, Marketing e Cultura do BNDES, Luciane Gorgulho, a economia criativa ainda enfrenta desafios porque grande segmento de seus ativos é intangível.
“A economia criativa é transversal e está presente em diversos setores. Muitas vezes, não se enxerga sua relevância em termos de geração, propriedade intelectual e imposto econômica”, observou.
Segundo ela, a construção de mecanismos específicos de financiamento é fundamental para ampliar a capacidade de investimento dos empreendedores:
“A relevância de instrumentos uma vez que um provável Fundo Vernáculo de Economia Criativa seria justamente oferecer fontes de recursos adequadas às necessidades empresariais do setor. Porquê se trata de um segmento fundamentado em ativos intangíveis, as linhas tradicionais de crédito nem sempre atendem às suas demandas”, afirmou.
O Seminário Internacional Caminhos para Fomento e Financiamento em Economia Criativa foi organizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Serviço Brasílio de Base às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), reunindo representantes do poder público, instituições financeiras, organismos internacionais, empreendedores e agentes culturais para discutir estratégias de fortalecimento da economia criativa no Brasil.








