As empresas não podem depender unicamente de provedores de nuvem para acessar os modelos mais avançados de lucidez sintético. A próxima tempo da tecnologia aponta para a adoção de servidores próprios, em um envolvente com maior proteção de informações confidenciais, diz Luis Gonçalves, presidente da Dell para a América Latina.
“A gente já começa ver a IA corporativa transpor do laboratório e ir para implementação. Esse é um mercado que unicamente começou e vai penetrar muitas oportunidades”, diz Gonçalves.
Na carteira da empresa, segundo o executivo, há organizações tão distintas quanto terminais portuários, mineradoras, porquê a Vale, e tribunais de Justiça, porquê o TJ de São Paulo. Todas já operam com servidores próprios.
Historicamente associada à venda de PCs, a Dell tem hoje tapume de 65% de sua receita vinculada a equipamentos de infraestrutura para a lucidez sintético. “A empresa soube ler os sinais do mercado e se adequar.”
Gonçalves reconhece que a lucidez sintético acelerou o processo de transformação da própria Dell, que, assim porquê empresas porquê Nokia e Cisco –protagonistas da era das pontocom, na dezena de 1990–, precisou se repensar.
“Companhias líderes no mercado, se não tiverem essa capacidade de se adequar, se tornam dinossauros extintos”, diz.
Em entrevista ao programa C-Level, Gonçalves diz que a lucidez sintético deixou para trás a tempo de experimentação. O próximo passo é sua adoção em larga graduação, em atividades do dia a dia, por empresas, que deverão operar com modelos híbridos, combinando entrada interno aos próprios dados com consulta a informações externas.
Segundo o executivo, os modelos licenciados para uso interno apresentam um dispêndio incremental. “[O custo] reduz brutalmente comparado com a outra opção, que seria usar tudo fora”. Isso porque esse padrão híbrido –chamado de “factory AI”, segundo o executivo– diminuiria o consumo de tokens na nuvem.
Mas existe o risco de investir demais em lucidez sintético, seja em nuvem ou em servidores próprios, sem inferir o retorno esperado?
Sim, diz ele, por isso é preciso critério na escolha das soluções, sob o risco de o cliente remunerar “para alguma coisa andejar a 100 por hora quando ela está andando a 80”, exemplifica.
Na Dell há mais de 25 anos, com passagens por Chile e México, Gonçalves diz que entre os principais gargalos para o desenvolvimento tecnológico no Brasil estão a falta de gente capacitada e a subida fardo tributária. Em prol, jogam a população jovem e a vigor limpa e barata.
“O que eu preciso é ter gente para operar, know-how para fazer aquilo intercorrer, talentos preparados e o desenvolvimento do uso”.
Questionado sobre o proeminente consumo de chuva dos grandes data centers de lucidez sintético, o executivo diz que a refrigeração a chuva hoje está longe de ser a solução ideal, mas é a melhor opção porque economiza muito mais vigor ao refrigerar melhor.
Mais de 95% dos equipamentos vendidos pela Dell no Brasil são fabricados localmente, na única fábrica da empresa no mundo que atende exclusivamente o mercado sítio, em Hortolândia. Segundo o executivo, o Brasil tem graduação suficiente para sustentar o negócio. Ainda assim, “idealmente”, a empresa gostaria de fazer do país uma plataforma de exportação.
Isso poderia se tornar veras, diz o executivo, quando forem superados entraves econômicos que tornam os produtos fabricados no país menos competitivos no exterior. “Um computador hoje na Argentina chega mais barato [comprado] da China do que do Brasil”, diz.
Sobre eventuais riscos para a indústria sítio representados pelo pedido de permissão de importação de servidores de Taiwan ou da China a preços menores, Gonçalves é precatado.
“Se você assumir que o mercado está estagnado, pode ser. Mas se você assumir que o mercado tende a crescer, concorrência é sempre bem-vinda, desde que atuando dentro das mesmas condições concorrenciais”.
Sobre a possibilidade de flertarmos com uma espécie de bolha similar à vivida pelas empresas pontocom no pretérito, Gonçalves diz que os altos investimentos atuais, alguns até questionáveis do ponto de vista de retorno econômico-financeiro, podem sugerir o cenário. No médio prazo, porém, a expectativa é de expansão sustentada na chamada “IA física” –a movimentação de coisas por meio da lucidez sintético.
Por onde uma empresa que nunca fez zero com IA deveria estrear? Muitas iniciativas acabam sendo delegadas a áreas secundárias da organização, justamente pelo risco que aparentam simbolizar, diz.
“Mas a receita mais óbvia, não necessariamente mais fácil, é a seguinte: qual é a sua vantagem competitiva? O que você faz muito? Use a IA para fazer aquilo ser ainda melhor”, diz.
E quais são as perguntas que a empresa deve fazer ao elaborar seu projecto de investimento em IA? O primeiro passo é identificar fluxos ineficientes, um tanto que pode surgir em conversas com quem vive a rotina da organização.
“Puxa, mas isso cá podia ser melhor, essa utensílio cá é ruim. Ah, esse processo é lento, aquilo não funciona, a conexão com a outra espaço não vai, o outro não responde com a velocidade que eu queria”, diz. “Todos temos problemas estruturais, principalmente as grandes empresas. Você mapeia isso e pergunta ‘porquê resolvo isso com IA?’.”
O processo, porém, está longe de ser simples. Para isso, é necessário estar disposto a redesenhar processos e, em muitos casos, afirma, a própria empresa.





