Uma máquina silenciosa trabalha sempre para que milhões de pessoas na América do Sul tenham chegada a chuva, rios e plantações. Esse mecanismo se labareda Amazônia e funciona da seguinte maneira: a umidade vinda do oceano produz chuva sobre a floresta; essa chuva é absorvida do solo pelas árvores, e lançada de volta na atmosfera em forma de vapor; o vento, logo, espalha, esse vapor por todo o continente, fazendo chover em diversas regiões. 
De harmonia com a pesquisadora Julia Valentim Tavares essa é a principal infraestrutura hídrica da América do Sul e a maior “máquina de chuva” do planeta. Uma árvore adulta na Amazônia pode liberar para a atmosfera de 200 a 300 litros de chuva todos os dias.
“Imaginem 400 bilhões delas trabalhando juntas todos os dias. Se pudéssemos tornar essa umidade provável, veríamos rios gigantes voando no firmamento. É o que nós cientistas chamamos de rios voadores.”
Marielos Peñaclaros, copresidente do Pintura Científico pela Amazônia, entidade que reúne mais de 350 cientistas dedicados a estudar o bioma, destaca que a floresta é a pilar vertebral dos ciclos de chuva, nutrientes e carbono a níveis lugar, regional e global.
“Em outras palavras, a Amazônia sustenta a vida, não só na região amazônica, mas no planeta porquê um todo.”
As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazonia, no final de agosto, no Equador.
Alerta
Além de frisar a valimento desse sistema hídrico, as cientistas fizeram um alerta: a devastação da Amazônia já está afetando a “máquina de chuva”, e sua “quebra” seria catastrófica para todo o planeta.
De harmonia com Marielos, atividades porquê a mineração e o narcotráfico, em conjunto com o desmatamento e as queimadas têm atingido diretamente a conectividade amazônica, fator médio para a conservação do bioma.
“A Amazônia é um mosaico vivo de ecossistemas terrestres e aquáticos interconectados entre si, que abriga uma grande multiplicidade de culturas. Essas comunidades têm um relacionamento profundo e interdependente com os ecossistemas através dos seus modos de vida, práticas de manejo e conhecimento.”
Segundo ela, os efeitos no clima já são mensuráveis, com evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira resulta em menos chuva em regiões do Brasil e da Bolívia. Em regiões desmatadas, a temperatura tem aumentado, e as épocas de seca estão ficando mais intensas e mais cumpridas.
Julia Valentim Tavares também está medindo esses efeitos a partir do interno das árvores da borda sul da Amazônia, o chamado círculo do desmatamento, onde o volume de chuvas já diminuiu e a temperatura aumentou na última dez. Ela investiga por quanto tempo essas árvores podem resistir às secas, antes que suas “cordas” internas sejam danificadas.
“Se o solo tem chuva, essa corda permanece intacta. Numa estação seca, o solo deixa de ter chuva e essa corda é tensionada. A atmosfera puxa para cima, o solo puxa para insignificante, até a hora que essa corda se rompe. Se isso intercorrer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede.”
Aquecimento global
Nos últimos anos, a região também tem sofrido com os efeitos do aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca da sua história, por consequência do El Nino, fenômeno originário de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica, e tem se tornado mais intenso.
Marielos destaca que 88% da bacia amazônia sentiu os efeitos dessa seca, que também interferiu na “máquina de chuva”. A capital da Colômbia, Bogotá, localizada na região dos Andes, sofreu desabastecimento de chuva. Em Quito, capital do Equador, que também está fora da Amazônia, a falta de chuva levou à cortes no fornecimento de virilidade elétrica.
“A pergunta que todos deveríamos estar fazendo é: De onde nasce a chuva de inúmeras cidades latinoamericanas? De onde nasce a chuva que usamos na cultura, pecuária, indússtria, produção de vitualhas?”, provocou a copresidente do Pintura Científico pela Amazônia.
A seca também deixou a Amazônia mais vulnerável às queimadas, que foram recordes naquele ano. Julia Valentim Tavares lembra que a fumaça dos incêndios chegou a se espalhar pelo país e depreender até a Região Sudeste.
“Esse vestimenta revelou duas coisas muito importantes. Primeiro: a Amazônia nunca esteve distante, o que acontece na floresta não permanece na floresta. E segundo: milhões de pessoas dependem da Amazônia, mas ainda assim não se sentem conectadas com ela.”
A previsão de que um super El Niño ocorra levante ano alarmou as pesquisadoras. “Quando existem essas secas, a floresta ou tem mortalidade por omissão hidráulica, ou para de crescer, somado com os eventos de queima. Logo, a Amazônia deixa de funcionar porquê um sumidouro de carbono e passa a ser um emissor, aumentando o aquecimento global”, alerta Julia.
“A gente está esperando que seja tão ou mais possante do que em 2024, mas a principal diferença é que da outra vez aconteceram coisas que ninguém estava esperando. Uma vez que um rio poderia secar na Amazônia? Agora, todo mundo está falando sobre isso”, enfatizou Marielos.
De harmonia com ela, a solução definitiva só será alcançada com a subtracção drástica das emissões de gases do efeito estufa, que depende sobremaneira da substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes de virilidade.
“Temos também que investir na conectividade. Restaurar as áreas degradadas, restaurar aquelas que foram desmatadas para produção, fazer essa reconexão ecológica. Porque a Amazônia já está se aproximando do ponto de não retorno, e a perda totalidade dessa conectividade seria catastrófica para o mundo todo.”
*A repórter acompanhou o TEDxAmazia a invitação da organização do evento.









