‘Da Magia à Sedução 2’ não é uma obra-prima, mas diverte – 12/09/2026 – Ilustrada
Estrelado por Sandra Bullock e Nicole Kidman, com direção de Susanne Bier, “Da Magia à Sedução: Manipanço de Paixão” tem grandes méritos. Em primeiro lugar, o de continuar o filme original quase três décadas mais tarde, com o mesmo elenco. Além das protagonistas, que interpretam as irmãs Sally e Gillian Owens, as atrizes Dianne Wiest e Stockard Channing também retornam, no papel das tias Franny e Jetty.
O feito parece ainda mais surpreendente quando lembramos que o filme original não fez lá muito sucesso em sua estreia, em 1998. É uma situação dissemelhante de “O Diabo Veste Prada 2”, sequência de um filme vencedor de bilheteria e bastante premiado.
A história se baseia na saga dos Owens, escrita por Alice Hoffman em uma série de livros. Um poder mágico próprio é pretérito para as mulheres da família, de geração em geração. Elas sofrem, porém, com uma terrível maldição. Se uma delas se gostar por um varão e for correspondida, o parceiro sofrerá uma morte trágica. A solução é evitar histórias de paixão.
No filme de 1998, Sally e Gilly são jovens adultas que lidam de jeitos diferentes com a magia e a maldição. Enquanto a primeira, mais esgar, sonha com uma família normal, a segunda gosta de emoções fortes e evita compromissos. Nessas, encontra um “boy lixo” e precisa ser salva pela mana.
No longa que estreia esta semana, Sally, duas vezes viúva, esconde os poderes das filhas, que estão na universidade, e não quer mais saber de romance. Mas Kilye (Joey King) se declara para o namorado, Gideon (Xolo Maridueña), e, em seguida, ele sofre um acidente.
A trama será movida pela invenção da magia pelas filhas e pela tentativa de anular a maldição, de modo a prometer um paixão longevo aos pombinhos. Para isso, Kilye irá até a cidade das ancestrais, na Inglaterra. Sally e Gilly vão detrás e pedem ajuda ao charmoso e tatuado professor Ian Wright (Lee Pace), sabedor de uma magia sombria.
Há belos momentos de celebração na moradia da família, repleta de ingredientes para poções, bibelôs e aconchego. A tradição de ingerir margaritas à meia-noite rende cenas gostosas de ver –uma vez que é bom presenciar a mulheres que se divertem, em ambientes mais ou menos íntimos, sem precisar trabalhar, seduzir ou cuidar.
Há, também, piadas prontas dispensáveis e diálogos redundantes, numa autocomplacência incômoda. Por exemplo, a dificuldade de compelir as malas desproporcionalmente grandes das viajantes americanas pelas escadas dos prédios ingleses não merecia tanto espaço. Por outro lado, a presença de Wiest e Channing é tão poderoso que as cenas com as tias poderiam ser mais muito aproveitadas.
Na novidade geração, Joey King e Maisie Williams conseguem imprimir personalidade própria e ao mesmo tempo lembram Gilly e Sally, respectivamente. Já Gideon é tão gentil e bom moço que chega a permanecer sem perdão.
Desde os primórdios, o cinema enfeitiça espectadores com sua capacidade de registrar a passagem do tempo, de torná-la visível. Um filme uma vez que “Da Magia à Sedução 2”, sobretudo quando visto junto com o longa dos anos 1990, potencializa esse feitiço, mostrando os efeitos do tempo no elenco.
Não é muito o envelhecimento que vemos, praticamente renegado pela evolução dos procedimentos estéticos nas últimas décadas. É interessante, porém, pensar que, em 1998, Wiest e Channing tinham pouco mais de 50 anos, mais jovens do que Bullock e Kidman hoje. Seus papéis, de tia, não permitiam, logo, nem decotes nem novas paixões, e era difícil enxergar as jovens que tinham sido.
Já Sally e Gilly seguem “na pista”, vulneráveis ao charme do professor tatuado ou outros pretendentes, com personalidades que só intensificam as qualidades que tinham na juventude.
Quem não viu “Da Magia à Sedução” nos anos 1990 não perdeu muito. A recepção fria, sobretudo da sátira, tem sido atribuída a certa incompreensão. Numa entrevista, Bullock disse que o filme estava primeiro de seu tempo.
É verdade que a sororidade e o resgate da figura da feitiçeira são conquistas recentes. Causava espanto, na idade, feitiçeira ser sexy e linda. Mas, de 1987, “As Bruxas de Eastwick” fez sucesso de público e sátira.
“Da Magia à Sedução: Manipanço de Paixão”, uma vez que seu predecessor, não é uma obra-prima. Mas, para além dos temas da voga, diverte e emociona. Bom para ser visto em família.





