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Diretor de RRR diz que ação mirabolante vem do emocional
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Diretor de RRR diz que ação mirabolante vem do emocional – 18/10/2026 – Ilustrada

Um guerreiro indiano invade um fortaleza britânico com a força de ursos e guepardos. A cena do homérico “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” simboliza a coragem que imortalizou o revolucionário Komaram Bheem, mas também é literal —num caminhão desordenado, ele abre jaulas de animais selvagens e solta hordas deles no palácio.

Entre danças mirabolantes, uma vez que aquela em que os protagonistas humilham um aristocrata, lutas com labaredas de incêndio e habilidades surreais —com recta a um “toca cá” dentro da chuva—, o momento esteve entre os vários que viralizaram pelo mundo em 2022, quando o filme de S.S. Rajamouli chegou à Netflix.

O longa sobre guerrilheiros da Índia de 1920, governada pela Inglaterra, alcançou uma das maiores bilheterias do país e será exibido pela primeira vez num cinema brasílico, durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A exibição ocorre nesta segunda (19), às 17h30, no Solar Fábio Prado, e terá a participação do próprio Rajamouli, que em seguida ministra uma masterclass sobre seu estilo exagerado.

“[Essas cenas] nunca viram rotina. Cada filme é um novo filme, e precisamos trabalhar duro para entender a motivação emocional por trás de cada um deles”, diz. “Só posso fazer as cenas de ação com isso, simples, e nunca se pode subestimá-las.”

O contraditório também guia “Seu Delito, Seu Sofrimento”, em que um rapaz humilde, morto por um empresário egocêntrico, retorna uma vez que uma mosca para rever a dulcinéia, e “Magadheera”, drama histórico em que um herói e uma princesa do século 17 reencarnam nos tempos atuais.

Numa das cenas, um só soldado enfrenta século homens. Foi com essa assinatura, que atribui a guerrilheiros habilidades divinas —no término de “RRR”, a caracterização do líder Alluri Sitarama Raju lembra o Senhor Ramada, deus que usa círculo e flecha— e desafia a veras, que o diretor virou uma das vozes mais influentes de Tollywood, setor audiovisual que hoje rivaliza com o mais tradicional da Índia, Bollywood.

Embora ainda liderem a arrecadação vernáculo, musicais e romances de Bollywood, feitos no setentrião do país, têm disputado espaço com sucessos de Tollywood, que costumam seduzir habitantes do sul com tramas sobre homens comuns e eventos extraordinários.

A diferença mais evidente entre esses setores é o linguagem. Enquanto os filmes de Bollywood são produzidos na língua hindi, a mais falada na Índia, Tollywood prioriza a língua telugu. O governo já tentou tornar a primeira o único linguagem solene do país, sem sucesso, e hoje obras uma vez que as de Rajamouli são vistas uma vez que um modo de resistência cultural.

O sucesso também se justifica por investimentos altos em dublagem, que permitem que os longas conquistem o setentrião da Índia, com o hindi, e o resto do mundo. Foi “Baahubali”, outro fenômeno de Rajamouli, aliás, que popularizou obras “pan-indianas”, feitas para ultrapassar barreiras culturais e obter todo o território indiano.

“A Índia é um tesouro cultural, mitológico, com muitas versões de histórias que aprendemos desde crianças”, afirma ele, que diz não ver diferenças de estilo entre as duas indústrias. “Crescemos com muitas dessas histórias, mas nos falta infraestrutura para que possamos elevá-las ao melhor nível provável. Nos últimos anos, no entanto, crescemos amplamente e conseguimos levá-las para fora do país.”

“Baahubali” é o primeiro de uma duologia, concluída em 2017, que reúne tramas palacianas e ação monumental para narrar a subida ao trono de um príncipe herdeiro. No processo, o jovem concilia as raízes nobres e a bagagem de uma tribo que participou de sua geração.

A natureza ambígua dos personagens é alguma coisa que atrai o cineasta desde as primeiras obras, uma vez que o seu título de estreia, “Student No. 1”, em que um ex-prisioneiro, sentenciado por uma morte eventual, se matricula numa faculdade para proteger estudantes indefesos, e “Sye”.

O último, em que grupos rivais resolvem suas pendências jogando rugby, mudou profundamente a divulgação de filmes indianos —antes, era incomum primar nomes de diretores em trailers e cartazes.

“Sou muito ganancioso, e quero que minhas histórias cheguem a cada vez mais pessoas. O Brasil ainda é um mistério para mim, porém, quando percebemos que “RRR” fez sucesso cá, entendemos que indianos e brasileiros têm gostos parecidos”, afirma Rajamouli.

Para 2027, quando deve lançar “Varanassi”, promete um lançamento simultâneo em vários países, incluindo o Brasil. Um dos mais caros na história da Índia, o longa tem sido descrito uma vez que uma proeza interplanetária, com recta a artefatos sagrados, ameaças cósmicas e um arqueólogo que lembra Indiana Jones. “É uma vez que seis ou sete filmes reunidos em um só.”

Quando “RRR” chegou à Netflix, veículos uma vez que a revista New Yorker sugeriram conexões entre o filme e o nacionalismo hindu, associado à extrema-direita.

Isso porque a cena final faz homenagens a líderes nacionalistas, que dividem a tela com rostos de outros espectros. Há, ainda, o gavinha entre os protagonistas —segundo críticos, a maneira uma vez que um líder tribal é aconselhado a se portar socialmente corrobora para o questionável sistema de castas, que estabelece uma jerarquia entre os indianos.

Naquela idade, Rajamouli reforçou diversas vezes seu compromisso com a “neutralidade e o entretenimento”. Segundo ele, é inevitável que artistas percam o controle sobre suas obras. “Elas pertencem ao povo, que pode usá-las de qualquer forma que considerar útil. Às vezes você se sente feliz por vê-las sendo usadas para o muito, às vezes se sente triste por vê-las sendo usadas de modos que não pretendia.”

O diretor descreve o cinema uma vez que uma religião e diz ser responsável pelas imagens que cria. “Artistas sempre tiraram sua inspiração do povo, e os problemas do povo movem a política. Arte e política são ramificações das emoções das pessoas, quer seja a raiva ou a felicidade. Tento ser o mais apolítico provável, mas entendo que isso não é totalmente viável em meu país.”

Folha

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