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Documentário 'Lula' está sendo remontado, diz produtor 21/10/2026
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Documentário ‘Lula’ está sendo remontado, diz produtor – 21/10/2026 – Ilustrada

Exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, há dois anos, o documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone e Robert S. Wilson, está sendo remontado, segundo Maximilien Arveláiz, um de seus produtores. Por isso, o trabalho ainda não foi lançado em rodeio mercantil ou plataformas de streaming —nem no Brasil, nem em outros países.

Questionado sobre o motivo que levou a equipe a rever a edição do filme e retardar a sua comercialização, Arveláiz respondeu, por mensagem de texto, que “é o nosso método”.

O filme se concentra no momento da prisão do petista, em abril de 2018, no contexto da Lava Jato, e vai até as eleições presidenciais de 2022, em que derrotou Jair Bolsonaro. Também volta às origens nordestinas e sindicais do petista e dá atenção ao impeachment de Dilma Rousseff, descrita em cena uma vez que sua protegida.

Segundo Arveláiz, em seguida a estreia mundial em Cannes, o documentário foi exibido em outros festivais internacionais e despertou o interesse de distribuidores.

“O processo de finalização da obra, no entanto, demandou mais tempo do que o inicialmente previsto, postergando as negociações para seu lançamento mercantil, que permanecem em curso”, diz ele, que divide os créditos de produção com o prateado Fernando Sulichin e com Wilson, também diretor.

Arveláiz, que já trabalhou com Stone no pretérito, foi emissário da Venezuela no Brasil e figura próxima ao governo de Hugo Chávez, além de, mais recentemente, ter produzido o documentário “Melania”, sobre a primeira-dama dos Estados Unidos.

Segundo o IMDb, a maior base de dados sobre cinema mundial, depois da exibição na França, em maio de 2024, “Lula” teve exclusivamente exibições públicas em festivais de Kosovo, em agosto daquele ano, e em Busan, na Coreia do Sul, em outubro. Há ainda uma transcrição do filme que circula de forma irregular na internet.

O longa não emitiu ainda seu Registro de Obra Estrangeira, junto à Sucursal Vernáculo de Cinema, a Ancine, exigido para comercialização de filmes internacionais no país. Segundo Arveláiz, considerando que o filme retrata o atual presidente da República, a produção optou por comercializar os direitos para o Brasil em seguida o término do ciclo eleitoral.

A previsão inicial era que “Lula” estreasse no país no segundo semestre de 2024, segundo a poste de Lauro Jardim, no jornal O Orbe. O jornalista também noticiou que o lançamento do filme teria empacado em seguida a produção ter dificuldade em conseguir a liberação de imagens oficiais junto ao Palácio do Planalto. Arveláiz nega.

“A decisão preserva o caráter artístico e documental da obra e evita que sua exibição seja interpretada uma vez que iniciativa de natureza político-partidária”, afirma Arveláiz. Ele não revela o orçamento do filme, que é feito por uma empresa de pequeno porte.

Não é geral que produções internacionais revelem seu orçamento. No caso de trabalhos que envolvem estrelas e grandes estúdios, especialistas do mercado fazem estimativas dos valores, mas isso é mais difícil no caso de trabalhos menores.

Oliver Stone, responsável de produções oscarizadas nos anos 1980 e 1990, uma vez que “Platoon”, “Nascido em 4 de Julho” e “The Doors”, se tornou um grande crítico do mercado hollywoodiano e, nos últimos anos, deu uma guinada em direção aos documentários políticos, a maioria deles financiados de forma independente fora dos Estados Unidos.

Um ponto de viradela foi a produção do polêmico “Comandante”, de 2003, sobre o cubano Fidel Castro, cuja exibição foi suspensa pelo meio HBO e nunca teve lançamento solene nos Estados Unidos, apesar de ter circulado por outros países.

Trabalhos dos últimos anos para a TV, uma vez que “Mi Camarada Hugo” —sobre sua relação com Hugo Chávez, produzido pela emissora Telesur—, “Entrevistas com Putin” e “JFK Revisitado: Através do Espelho” —exibidos pelo meio americano Showtime— não tiveram seus orçamentos estimados ou divulgados.

O mesmo vale para o documentário “Nuclear Now”, de 2022, exibido no Festival do Rio, sobre questões climáticas e a vontade nuclear. Já para seu filme de ficção mais recente, “Snowden: Herói ou Traidor”, de 2016, a prensa internacional estimou valores entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões.

Meses em seguida o site Intercept Brasil ter divulgado que Flávio Bolsonaro pediu verba ao ex-banqueiro para remunerar custos do filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro, “Lula” voltou aos holofotes no início de outubro, quando a revista Veja publicou um áudio atribuído ao ex-banqueiro em que ele diz ter talhado R$ 30 milhões a documentário sobre o petista.

A Polícia Federalista negou que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tenha prestado testemunho ou entregue documentos na sua tentativa de delação premiada a saudação de um suposto financiamento da obra. Integrantes da Procuradoria-Universal da República também negam que haja um incluso que trate desse tema, assim uma vez que a resguardo de Daniel Vorcaro.

Auxiliares de Stone disseram à poste de Mônica Bergamo, na Folha, que o cineasta não pediu recursos a Vorcaro e nunca havia ouvido falar do banqueiro.

Folha

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