Dries Van Noten abre fundação com exposição sobre beleza – 08/05/2026 – Ilustrada
Há cartazes espalhados por Veneza com frases assinadas por nomes uma vez que Rei Kawakubo e Jean Cocteau. Alguns são vermelhos, outros azuis ou amarelos. Em geral, eles buscam definir o mais subjetivo dos conceitos: a venustidade. Entre os autores dessa disseminação de pensamentos silenciosos está um estilista de talento uno que, ao longo de suas quase quatro décadas na voga, entregou ao público suas interpretações mais profundas sobre o belo: Dries Van Noten.
“Cada citação, seja de um repórter, artista ou pensador, oferece uma maneira distinta de ver o mundo”, diz ele, “e juntas formam uma conversa sutil que se desdobra por Veneza”. Para o belga, trata-se de lembrar que a venustidade não é fixa nem uno, mas emerge da forma uma vez que ideias se encontram, se sobrepõem e se propagam. “Dessa maneira, as ruas se tornam um espaço de reflexão, curiosidade e diálogo, convidando à invenção mesmo antes de entrar na Fondazione”.
A mediação antecipa “The Only True Protest is Beauty”, primeira exposição da Fondazione Dries Van Noten, que abre no dia 25 de abril e segue até 4 de outubro de 2026, sob curadoria de Van Noten e Geert Bruloot. O título se inspira em um verso do compositor Phil Ochs: “Em tempos tão sombrios, o único protesto verdadeiro é a venustidade”. Para Dries, hoje, com tanta instabilidade, instabilidade e injustiça no mundo, ela pode atuar uma vez que resistência, subsistir na nuance, uma vez que uma força suave, mas persistente, que abre novas maneiras de pensar. “Não se trata de um magia superficial, mas daqueles momentos que fazem você pausar, mudar seu olhar ou sentir alguma coisa dissemelhante, ainda que por um momento”, afirma.
É mal a venustidade deixa de se reduzir à mera formosura – sendo ele um grande simpatizante do imperfeito, uma vez que das rosas em um final de outono. “Na Fondazione, não buscamos defini-la, nem apresentá-la uma vez que alguma coisa completo”, explica. Trata -se de um encontro repleto, uma simetria inesperada ou uma perturbação sutil capaz de desestabilizar.
É a partir dessa teoria que mais de 200 obras – de Comme des Garçons a Peter Buggenhout – que dialogam com vestuário, têxteis, arte, design colecionável e joalheria nos espaços da sede no histórico Palazzo Pisani Moretta. “As peças de Kawakubo trazem uma presença escultórica, quase arquitetônica — parecem deliberadas, guiadas por concepção, e fazem você repensar forma e espaço. O trabalho de Ayham Hassan irrompe com uma pujança completamente dissemelhante: vibrante, tátil, repleto de detalhes, mas aportado em um tino de resiliência moldado por sua geração na Cisjordânia”. Para ele, colocá-los em diálogo é alguma coisa realmente marcante. “Juntos, permitem explorar múltiplas formas de compreender a venustidade e uma vez que ela pode ser imaginada e vivida.”
Há também peças de Christian Lacroix, com quem compartilhou o processo criativo da sua coleção feminina de verão 2020 – e adicionou seus consideráveis metros de fitas de gorgurão à etiqueta de Van Noten. “Trabalhar com ele proporcionou um momento em que duas visões distintas não exclusivamente coexistiram, mas se enriqueceram ativamente. Vínhamos de lugares bastante diferentes — o trabalho dele estava enraizado na exuberância, na cor, na teatralidade, e o meu talvez mais voltado à sobreposição e à reflexão — e o resultado foi alguma coisa vivo e inesperado. Para mim, isso é exatamente explorar a venustidade: terebrar um espaço onde diferentes histórias possam se encontrar e surpreender.”
Assim, a Fondazione, criada por ele e seu parceiro Patrick Vangheluwe, surge uma vez que um novo capítulo depois uma vida uma vez que estilista. “Tudo o que explorei ao longo dos anos — formas, texturas, materialidade, sobreposição de ideias — agora encontra outras obras, objetos e experimentos em diálogo. A voga se torna um fio condutor, uma maneira de rastrear uma vez que uma silhueta, um namoro ou uma construção podem repercutir na estátua, na retrato, nos objetos. É a mesma curiosidade que impulsionou meu trabalho na voga, mas agora com mais espaço para se expandir e respirar de novas maneiras”, diz ele, que desfilou sua última coleção em junho de 2024. Mas nem mesmo a aposentadoria das passarelas permitiu que abandonasse esse tirocínio — quase neológico — de ressignificação da venustidade.
Pode tanger uma vez que um eufemismo declarar que a elegância pictórica do universo criado por Dries Van Noten, o transformou em símbolo daquilo que se convencionou invocar de roupa com psique. Por trás da verso do trabalho de um dos integrantes do lendário Antwerp Six — inscrita em um tino estético privado, que se desdobra em composições táteis e cromáticas —, existia um impulso manente de trasladar, em vestuário, interpretações viscerais do belo. Para ele, aliás, ela sempre foi uma forma de permanecer acessível ao mundo. “O que mudou”, diz, “não foi a teoria em si, mas a maneira uma vez que a interpreto. Com o tempo, passei a confiar ainda mais que a venustidade não é decoração. É uma forma de atenção, um modo de permanecer sensível quando tudo nos empurra a nos fechar”.
Por isso, raramente é depurada: há nela uma tensão latente, por vezes entrecortada pelo obscuro, por um sentido de decadência, uma vez que ficou evidente na exibição “Dries Van Noten: Inspirations”, apresentada no Musée des Arts Décoratifs, em 2014. Obras uma vez que o quadro de borboletas mortas coladas de Damien Hirst condensam essa ambivalência, entre fascínio e agressividade, que atravessa seu repertório visual
A pedra angular da instauração, e também de sua trajetória, é o artesanato. Dos bordados feitos em Calcutá ou das estampas feitas no Japão, o toque manual sempre foi coligado nessa construção do seu ideal de venustidade. “Para mim, o gesto humano é o que dá forma a uma teoria”, diz. “É no ritmo de trinchar, duplicar, costurar ou moldar que uma teoria realmente começa a subsistir. A venustidade nasce desse encontro entre mente e mão, onde alguma coisa surge com vida, inesperado e pleno de presença.”
Divulgado pelo magia pela natureza, segundo ele, cuidar de um jardim e trabalhar com as mãos são experiências que seguem o mesmo ritmo. “Você não pode azafamar uma semente, assim uma vez que não pode forçar um material a tomar forma. Ambos exigem atenção silenciosa, a capacidade de perceber mudanças sutis, pequenas surpresas, os momentos em que alguma coisa realmente ganha vida. É nesse desdobrar, nesse desvelo sem pressa, que a venustidade se revela — não uma vez que resultado, mas uma vez que segmento do processo”





