Dupla de 'Não mexe nas minhas gavetas' superou decepções no futebol e nos palcos antes de dominar as rádios em 2026

Conheça a história de Danilo e Davi e do hit “Não mexe nas minhas gavetas”
O primeiro semestre de 2026 das rádios no Brasil foi escravizado pelo sertanejo, repetindo o resultado dos últimos anos. Mas, desta vez, o destaque veio com um bordão que saiu das ruas e virou inspiração para um refrão embalado pela sanfona e uma paradinha envolvente.
Com a fita “Não Mexe nas Minhas Gavetas”, a dupla Danilo & Davi conquistou o topo das paradas e se consolidou porquê a música mais tocada nas rádios do país nos primeiros seis meses do ano, segundo dados da Crowley.
Para quem nunca ouviu o ditado, a frase “não mexe nas minhas gavetas” é usada porquê uma espécie de alerta irônico para distanciar os olhares e até atitudes de alguém que dá em cima dos pares de outras pessoas.
Quem vê o sucesso da dupla talvez não imagine sua trajetória, que passou por renúncias, desafios e até passagens pelos campos de futebol.
Em entrevista ao g1, a dupla, que completa seis anos de estrada e é apadrinhada por Marcos e Belutti, falou sobre os bastidores de seus hits, as trajetórias individuais marcadas por desilusões e superações, e a viradela definitiva de curso em seguida a união dos dois com a aposta de um paraninfo músico.
Danilo: do controle da TV porquê microfone aos hits de Marília Mendonça
Danilo e Davi
Cadu Fernandes/Divulgação
Procedente de Paracatu (MG), Danilo, de 31 anos, deu os primeiros passos na música aos 9 anos, brincando com o controle da TV porquê microfone e participando de um festival escolar com “Fada”, de Victor & Leo. “Peguei o segundo lugar não sei porquê, eu cantava muito ruim”, brinca.
O libido de levar a curso a sério só despertou aos 15 anos, quando se mudou para Crixás (GO), tendo porquê sua maior referência o cantor Luan Santana. Com o suporte da mãe, ele decidiu aventurar tudo e se mudou para Brasília em procura do sonho da curso solo.
Danilo dividia uma kitnet de tapume de 30 m² com um colega, e dormia na sala enquanto estudava “modão” no violão e dava suas primeiras canetadas na constituição.
Em seguida um encontro com o compositor Gabriel Agra, ele entendeu que as letras poderiam ser a sua porta de ingressão para os palcos. Foi ali que decidiu fazer uma pausa em seu lado cantor, que não estava rendendo frutos, e se mudou para Goiânia para se destinar às composições.
Danilo – ou Gustavo Gomes Pereira, seu nome de batismo – se deu muito no caminho da constituição e, hoje, assina mais de 600 músicas, segundo o site do Ecad. Entre elas, estão grandes hits porquê “10%” (Maiara & Maraisa), “Eu Sei de Cor” (Marília Mendonça), “Medida Certa” (Jorge & Mateus) e “Dois Enganados” (Murilo Huff e Marília Mendonça).
Apesar do sucesso financeiro e o reconhecimento no mercado da constituição, o verdadeiro sonho de Danilo continuava sendo os palcos. Em 2018, ele tentou gravar um DVD solo, mas o projeto não deu em zero. Desiludido e com as oportunidades congeladas pela chegada da pandemia em 2020, o artista desabou.
“Fiz uma prece muito potente, chorando em prantos no banho. Falei para Deus que estava fazendo a coisa mais difícil da minha vida, que era desistir. Largar aquele sonho foi muito difícil”, relembra.
Danilo e Davi
Cadu Fernandes/Divulgação
Murado de dois meses depois, Danilo conheceu Marcos (da dupla Marcos & Belutti) durante uma sessão de constituição. Ao vê-lo gravar a voz guia de uma música no celular, Marcos perguntou sobre sua curso. Danilo contou sua trajetória para o sertanejo, que rebateu dizendo que ele não era artista solo e que tinha uma dupla para apresentar para ele.
O cantor topou e conheceu Davi. Uma semana depois, Wander Oliveira, da WorkShow, o convidou para ser o segunda voz de Netto, na dupla com Henrique, em seguida a morte trágica do parceiro em um acidente de sege.
Apesar de muitos considerarem ser a grande chance na curso de Danilo, o cantor recusou a proposta para seguir com Davi. “Seis anos depois, tenho a certeza de que respeitar aquele processo foi a melhor decisão da minha vida”, conclui.
Davi: Do traumatismo no futebol ao apadrinhamento do tio famoso
Se hoje Davi comemora a escolha do parceiro e o primeiro lugar nas rádios, sua juvenilidade foi desenhada longe dos palcos. Nascido em Santo André (SP), o cantor de 28 anos cresceu em um nascimento músico — com recta a uma tia-avó caloura do Chacrinha e um tio entre os maiores nomes da música sertaneja, o Marcos, dupla de Belutti. Ainda assim, ele acabou se encantando mais pelo esporte na juvenilidade.
Aos 13 anos, Allan Marcelo De Souza Celestino (nome de batismo de Davi) passou em um teste para o Velo Clube e foi morar no alojamento do time. A experiência, segundo ele, foi traumatizante. Em seguida meses de treinamento, Davi foi desligado do time. “Foi minha primeira logro.”
De volta a Santo André, Davi sentiu o libido de trovar falar mais cimo ao ver o coral dos adolescentes na Igreja Batista. Mas os primeiros passos não foram porquê ele sonhava. Convidado por sua prima Larissa (filha de Marcos) para trovar no coral de outra igreja, ele tomou um choque de verdade.
“Eu não tinha experiência em coral. O professor ficou sem paciência nenhuma comigo e gritou na frente de todo mundo porque eu não tinha tanta técnica. Voltei para a vivenda triste, dizendo que a música não era para mim.”
Danilo e Davi
Cadu Fernandes/Divulgação
Davi persistiu e virou o solista principal dos adolescentes. Até que começou a sentir que, enquanto cantava na igreja, pensava muito em si. “Senti que ali já não era mais veneração. Decidi que iria para a música sertaneja e, quando estivesse na igreja, seria somente para gostar a Deus, sem me importar com o que pensam da minha voz ou porquê eu estava me portando”.
Ao pedir suporte ao seu tio, ouviu que precisava “pegar experiência na noite por uns dois anos”. Quando finalmente entrou em estúdio para gravar com Marcos, o resultado foi frustrante: “Foi um fiasco. Cantei tudo inexacto e senti que tinha desapontado ele. Pensei em desistir, mas ouvi de novo aquela voz: ‘tenta mais uma vez'”.
Entre barzinhos e botecos, Davi chegava a fazer 22 shows por mês com cachês de R$ 200. Mas com a chegada da pandemia, tudo parou. Uma novidade conversa com Marcos levou ao encontro de Danilo e Davi.
Finalmente, o encontro: conexão instantânea
Com as histórias unidas, a conexão entre a dupla foi instantânea. E apesar de já ter uma quesito financeira inabalável com as composições, Danilo fez questão de principiar do zero e viver a verdade da estrada com Davi.
“Quando aceitei a dupla, tive que regredir bastante em questão de qualidade de vida, porque eu tinha a minha renda com as composições. Mas quis passar a mesma coisa que o Davi iria passar. Quando a gente começou, nossos shows eram de R$ 8 milénio, R$ 10 milénio. A gente entrava na van e viajava 30 horas de Goiânia até o Rio Grande do Sul para tocar para 30 pessoas. O sigilo do sucesso é viver o processo e esperar o tempo”, destaca Danilo.
Hoje, a verdade é muito dissemelhante. Questionados se a sequência de hits no topo das paradas ajudou a acrescer “zeros à direita” no cachê da dupla, eles não escondem a felicidade da viradela financeira.
“Deu uma melhoradinha boa, graças a Deus”, brinca Davi. “Antes a gente comprava roupa só em lugares duvidosos, agora estamos comprando Zara”, diverte-se Danilo.
O promanação de um hit: ‘Música do Povão’
Danilo e Davi
Cadu Fernandes/Divulgação
“Não Mexe nas Minhas Gavetas” nasceu em um campings de constituição da dupla, feito sob medida para o último DVD, “Associação”.
Danilo explica que a fita surgiu da procura por um bordão popular.
“Eu paladar muito de criar sobre bordões. ‘Não mexe nas minhas gavetas’ é aquele ditado para quando alguém tá mexendo nas suas coisas, na sua ficante, na sua namorada”, conta Danilo.
O refrão chiclete, mas, ficou guardado no bolso por um ano e quatro meses. “A gente segurou ela tanto tempo porque ainda não tinha quando iríamos gravar um novo projeto. E quando começamos e camping, foi o momento em que ‘Apaga Apaga Apaga’ começou a tracionar”, conta Danilo, citando outro hit da dupla.
A música foi destaque no Top 10 do Spotify ao longo de quase todo o ano de 2025. Inicialmente, “Apaga Apaga Apaga” era uma encomenda para a dupla Diego e Victor Hugo. Mas ao colocar a voz, a dupla decidiu permanecer com ela.
“Eles estavam esperando a música, mas não chegou. A gente cortou o caminho”, brinca Danilo.
O Laboratório dos ‘Campings’ e as críticas do mercado
Responsáveis por assinar tapume de 90% do próprio repertório, Danilo & Davi defendem os campings de constituição — reuniões imersivas com vários compositores —, um formato que costuma receber críticas de sertanejos mais tradicionais.
Em recente entrevista, por exemplo, Chitãozinho, dupla de Xororó, falou sobre esse processo de constituição.
“Eu acho que a música sertaneja hoje está muito mecanizada. Ela está muito feita em série. Os caras se juntam em estúdios, nos campings, num lugar, e meia dúzia de pessoas fica fazendo música. E dali saem alguns sucessos. “Mas eu não acredito que a música que faz sucesso repentino, vá permanecer”, analisou o sertanejo.
A dupla discorda das críticas ao processo de constituição. Para Davi, os campings foram vitais, não só para a produção de seus hits, mas também para encontrar a identidade da dupla, que passou por um período de incertezas.
“A gente viveu num laboratório até mais ou menos 2023, quando a gente não sabia o que gravar, qual era a faceta do Danilo e Davi. E foi justamente dentro desses campings que a gente conseguiu desenvolver as características da dupla”, relembra.
Danilo também defende a constituição em grupo. “A maioria dos artistas não participa dos campings. Eles vão só para ouvir as músicas e chegam lá e falam, não é isso que eu queria. Se você não participar, se não tiver ali botando a mão na volume, você não vai saber o que é bom para você.”
Danilo e Davi encerra o Festival do Coco em Mâncio Lima neste domingo (14)
Reprodução
Fonte G1




