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Nolan renova suas ambições com versão épica de 'Odisseia'
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Nolan renova suas ambições com versão épica de ‘Odisseia’ – 15/07/2026 – Ilustrada

“Uma idade de magia aparente.” É assim, com essa frase na tela, que Christopher Nolan dá início à sua versão hiperbólica para “Odisseia”, poema atribuído a Homero e tido uma vez que um dos textos basilares da cultura ocidental. Pela primeira vez, ele ganha as telas em formato de blockbuster, com todas as benesses que um cineasta recém-laureado com o Oscar poderia querer.

Numa Hollywood que cada vez mais aperta os cintos orçamentários, escolhendo onde filmar com uma frieza pragmática e substituindo cenários e adereços por telas verdes, o filme de Nolan parece mesmo fruto de magia.

Com seu orçamento medido em US$ 250 milhões, tapume de R$ 1,3 bilhão, “A Odisseia” teve cenas gravadas em seis países –Grécia, Marrocos, Itália, Islândia, Escócia e Estados Unidos–, viu seus prédios e objetos de cena serem construídos do zero e foi conquistado por uma câmera desenvolvida mormente para o projeto, o primeiro filmado inteiramente em Imax.

Figurantes e criaturas da mitologia grega também estavam fisicamente presentes, em vez de terem sido geradas por computação gráfica, e o elenco protagonista reuniu alguns dos nomes mais muito pagos da indústria, uma vez que Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Robert Pattinson, Lupita Nyong’o e Charlize Theron.

“Caminhar pelo set e ver milhares de pessoas fez eu me sentir uma vez que se eu estivesse gravando um filme há 80 anos”, diz Damon, em sua terceira parceria com Nolan. Ele assume o papel de Odisseu —ou Ulisses, na versão em latim–, o trágico herói helênico que vagar 20 anos para voltar para morada, a ilhéu de Ítaca, em seguida a Guerra de Troia.

Assim, “A Odisseia” é uma renovação das ambições do cinema de Nolan e da crédito que Hollywood deposita neste que é um dos cineastas mais celebrados de sua geração, possessor de uma filmografia que inclui ainda três capítulos bem-sucedidos de “Batman”, “Interestelar” e “A Origem”.

“‘A Odisseia’ é uma história maravilhosa para o cinema, porque ela abraça os elementos mais fantásticos da mitologia grega, e poder levar isso para um filme grandioso e moderno realmente me animou”, disse Nolan na semana passada, em meio à estreia mundial do filme em Londres e a ressalvas daqueles que, somente pelo trailer, acharam sua versão contemporânea demais.

“Sempre que você narra uma história, você o faz a partir da tradução que tem dela. E, enquanto cineasta, eu sempre tento deixá-la interessante para o público. Por isso precisava de uma abordagem terrena. Tentei fabricar um mundo harmónico, que o público pudesse compreender.”

Há dois anos, o britânico enfim venceu um aguardado Oscar de direção e outro de melhor filme por “Oppenheimer”, sucesso inesperado também de bilheteria, onde beirou o US$ 1 bilhão, ou R$ 5 bilhões, de arrecadação. Um feito que muitos analistas acreditavam ser improvável, dada a natureza densa, as cenas em preto e branco, a classificação indicativa para maiores e as três horas de duração do longa.

Nesse primeiro projeto em seguida as sete estatuetas vencidas por “Oppenheimer”, Nolan retorna aos temas já explorados na cinebiografia do inventor da explosivo atômica. Porquê naquela história, “A Odisseia” fala dos fantasmas da guerra e tem um protagonista obsesso muito mais por suas escolhas e as repercussões delas do que por armas, no primeiro caso, ou monstros, no segundo.

“Eu cheguei ao término de ‘A Odisseia’ percebendo que eu havia continuado a examinar coisas que achei interessantes e, francamente, perturbadoras em ‘Oppenheimer’”, diz Nolan. “Quanto mais trabalhava nessa adaptação, mais eu percebia que os temas de Homero eram universais, mesmo que a sociedade tivesse mudado tanto. As pessoas ainda olham para essa história em procura de verdades e respostas para questões complexas.”

Assim, Odisseu precisa enfrentar as mesmas sereias, feiticeiras e gigantes do poema de séculos detrás, mas por uma lente mais humana, seguindo uma bússola orientada pela moral de hoje. Para Nolan, ele é um varão obsesso, não um herói infalível.

Ele secção rumo a Ítaca, onde sua mulher, Penélope, vivida por Hathaway, o aguarda pacientemente. Ela é impelida a escolher um novo marido para governar a ilhéu, mas diz que só o fará quando finalizar a sudário para o seu sogro. De dia, diante de todos no palácio, ela tece. À noite, escondida na penumbra, desmancha o trabalho.

Enquanto isso, o único herdeiro de Odisseu, Telêmaco, vivido por Holland, navega pelo rol de pretendentes que aguardam ansiosamente por uma oportunidade para matá-lo. Inseguro, ele também segue a teoria de desconstrução do herói helênico sugerida por Nolan, ao clamar pela volta do pai e até chorar em cena. É uma vez que se houvesse uma inversão entre a mãe abandonada e o fruto prodígio.

“Penélope é casada com o varão mais astuto que existe, mas eles se tratam uma vez que iguais, o que quer proferir que ela é também capaz de entender sua situação e velejar por ela. Ela vê tudo o tempo inteiro, não está sendo manipulada, uma vez que alguns podem pensar”, diz Hathaway.

“Nós tentamos mostrar quão jovem Telêmaco é; ele tem somente 16 anos, logo queríamos que o público se conectasse com ele, o visse uma vez que um irmão mais novo. Mostrá-lo uma vez que um varão vulnerável foi uma porta de ingressão importante nesse sentido. Não acho que a história dele seja uma de coragem, mas sim de desespero”, afirma Holland.

Ambos acreditam que o cinema passa por uma boa temporada –de reconstrução, mas ainda assim positiva–, apesar da dificuldade de muitos exibidores em reconquistar o público perdido para o streaming. São filmes uma vez que “A Odisseia”, épicos feitos à tendência antiga, para telas gigantes, que ajudam a manter a experiência cinematográfica viva. “As pessoas estão se apaixonando pelo cinema novamente, e filmes uma vez que nascente são importantes”, diz Holland.

É uma vez que se o cinema de Nolan tomasse para si o que ele acredita ser o maior ensinamento dos gregos, a xênia, lei sagrada de Zeus que prega que anfitriões recebam muito seus visitantes –ou que os cinemas que exibem seus filmes tratem muito o testemunha, oferecendo uma experiência à fundura do notório preciosismo técnico do britânico.

No filme, o noção da gentileza para com o próximo guia tanto a jornada de Odisseu, quanto a espera de Penélope num palácio lotado de pretendentes desagradáveis. É uma discussão que também ajuda “A Odisseia” a se posicionar uma vez que um glosa contundente sobre os dias de hoje.

Espécie de guia místico de Odisseu nos 20 anos que ele passa longe de Ítaca, a diva Atena, que assume a forma humana de Zendaya, é outra que reforça a lei sagrada ao lembrar dos horrores causados pelo Cavalo de Troia —uma teoria do protagonista— e pelos homens que se esconderam dentro dele para massacrar o inimigo estrangeiro.

Para a atriz, o filme é uma oportunidade de revisitar o pretérito para entender um presente de guerras e discursos de ódio. “Eu não quero desistir da humanidade, mesmo que esse sentimento seja justificável muitas vezes. Espero que a gente possa usar a lei de Zeus, que é um tanto muito simples, e lembrar que somos todos seres humanos. Os mesmos privilégios que queremos para nós, deveríamos querer para os outros.”

O repórter viajou a invitação da Universal Pictures

Folha

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