O festival É Tudo Verdade, maior evento talhado ao documentário do país, anunciou nesta terça-feira (24) os títulos da edição deste ano, sua 31ª. Com 75 produções de 25 países, entre longas, médias e curtas-metragens, a programação começa em 9 de abril e se estende até o dia 19 do mesmo mês, em salas de São Paulo e do Rio de Janeiro, com ingresso gratuita.
Na capital paulista, o documentário inédito “Bowie: O Ato Final”, de Jonathan Stiasny, abre o festival no dia 8, em cerimônia para convidados na Cinemateca Brasileira. O longa mostra o processo criativo de David Bowie para o seu último álbum, “Blackstar”, quando o artista já havia recebido o diagnóstico de cancro no fígado. Ele morreu no dia dez de janeiro de 2016, dois dias em seguida o lançamento do disco.
No Rio de Janeiro, “Vivo 76” dá a largada ao festival no NET Rio, em evento também para convidados. O filme do brasílio Lírio Ferreira mistura arquivos raros e entrevistas para fazer um retrato de Alceu Valença, em celebração aos 50 anos do álbum “Vivo!”, de 1976, que registrou o show “Vou Danado pra Catende”. O disco se tornou um marco da psicodelia brasileira e da resistência à ditadura militar.
Neste ano, muitas produções selecionadas pelo festival exploram o tema da memória ou da reconstrução do pretérito a partir de mergulhos em imagens de registo. Na competição internacional de longas, por exemplo, “Diciembre”, de Lucas Gallo, reconta a crise argentina de 2001, enquanto “Atlas de la Desaparición”, de Manuel Correa, faz uma investigação judicial sobre as vítimas do franquismo. Voltado para o presente, “Shooting”, de Netalie Braun, usa arquivos inéditos para mostrar a relação entre a indústria cinematográfica israelense e a segurança do país.
Na mesma toada, a competição vernáculo de longas tem “Apocalipse Segundo Baby” e “Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Porquê Sonha”, que revisitam as vidas da cantora Baby e do cineasta Campos. Já em “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, exibido no Festival de Berlim, meninas do sertão do Piauí relembram experiências de suas mães para imaginar o próprio horizonte.
Para Amir Labaki, fundador do É Tudo Verdade, a reinterpretação de acontecimentos e o mergulho em arquivos é uma resposta ao nosso tempo, em que a perceptibilidade sintético é cada vez mais presente. “É fundamental entender a origem das imagens hoje, em que temos narrativas forjadas”, diz.
O É Tudo Verdade fará, ainda, uma retrospectiva da cineasta Vivian Ostrovsky, 80. Nascida nos Estados Unidos, ela passou boa secção da puerícia no Rio de Janeiro, para depois estudar cinema em Paris. Nos anos 1970, fundou a associação Ciné-Femmes International, dedicada a promover e exibir filmes dirigidos por mulheres. Ela também fez mais de 30 filmes experimentais em Super-8.
Cinco cineastas brasileiros mortos no último ano serão homenageados. Será exibido “Sobre os Anos 60”, de Jean-Claude Bernardet, um dos maiores críticos do cinema brasílio; “Em Nome do Jogo”, de Luiz Ferraz e Rubens Crispim Jr., vítimas do acidente de avião na Amazônia; “Missão 115”, de Silvio Da-Rin e “Os Anos JK: Uma Trajetória Política”, de Silvio Tendler. “Estamos nos despedindo de uma gração de grandes criadores para o documentário vernáculo”, afirma Labaki.
Pela primeira vez, o É Tudo Verdade terá uma sessão dedicada ao público infantil. O É Tudinho Verdade vai exibir documentários de David Reeks e Renata Meirelles sobre o universo das brincadeiras infantis em diferentes regiões do Brasil.
Competição Internacional de longas e médias
- ‘Atlas de la Desaparición’, Manuel Correa
- ‘BENITA’, Alan Berliner
- ‘Closure’, Michał Marczak
- ‘Diciembre’, Lucas Gallo
- ‘Tussen Broers’, Tom Fassaert
- ‘Una Película de Miedo’, Sergio Oksman
- ‘Fordlândia Panacea’, Susana de Sousa Dias
- ‘Mamá Está Acá’, Adriana Loeff e Claudia Abend
- ‘بابا والقذافي’, Jihan
- ‘The Eyes of Ghana’, Ben Proudfoot
- ‘Shooting’, Netalie Braun
- ‘Tombeau de Glace’, Robin Hunzinger
Competição vernáculo de longas e médias
- ‘Apopcalipse Segundo Baby’, Rafael Saar
- ‘A Fabulosa Máquina do Tempo’, Eliza Capai
- ‘Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Porquê Sonha’, Luis Abramo e Pedro Rossi
- ‘Sentinela Maria da Penha’, André Bomfim
- ‘Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas’, Carlos Adriano
- ‘Retiro – A Mansão dos Artistas’, Roberto Berliner e Pedro Bronz
- ‘Sagrado’, Alice Riff
