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Ecofalante: Cultura não é batalha, diz Lucrecia Martel 27/05/2026
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Ecofalante: Cultura não é batalha, diz Lucrecia Martel – 27/05/2026 – Ilustrada

“Tenho muita vergonha de falar com as pessoas, de entrar em suas casas –não tenho talento proveniente para ser documentarista.” E, no entanto, a autora da frase, a cineasta argentina Lucrecia Martel, superou a instabilidade e no ano pretérito dirigiu um, “Nossa Terreno”, exibido no último Festival de Veneza.

Famosa por um cinema ficcional intimista, mas sempre alerta para os meandros do funcionamento da sociedade de seu país, a diretora há anos vinha acompanhando o sério problema fundiário envolvendo a comunidade Chuschagasta, população indígena do noroeste prateado que sofre com a usurpação de suas terras pela escol agrária sítio. Sentiu-se impelida a recontar sua história, mesmo que em um formato que ela diz não dominar.

O longa é um dos destaques da 15ª Mostra Ecofalante, que estreia tem início nesta quinta (28), com foco em obras de temática progressista, de áreas uma vez que ecologia, feminismo e questões coloniais.

Entre os 104 filmes programados, estão “Rompendo Rochas”, de Sara Khaki e Mohammadreza Eyni, indicado para o Oscar de melhor documentário, sobre uma mulher que se tornou liderança em um povoado no Irã, e “O Grande Lago Salso”, de Abby Ellis, coproduzido por Leonardo DiCaprio, sobre uma prenúncio ecológica em Utah, nos Estados Unidos.

O filme de Martel demorou quase 15 anos para finalmente ser concluído. “Entendia um pouco do que estava acontecendo ao meu volta. Logo, mesmo sem me sentir qualificada, abracei a responsabilidade de fazer esse documentário”, disse a cineasta, em Veneza.

“No processo, muito rapidamente percebi que a maior ficção na Argentina é a teoria de país. Vivemos de crise em crise não unicamente porque somos incompetentes na gestão do país, mas porque temos uma país fundada em um mito que não inclui todos nós. As comunidades são completamente negadas, excluídas na história argentina.”

No filme, a questão fundiária do país vizinho é tratada a partir de um incidente de 2009, quando um ativista da resguardo das terras Chuschagastas, Javier Chocobar, foi assassinado enquanto tentava impedir a invasão de áreas de posse indígena.

Há trechos do próprio momento em que ele foi baleado, deixando evidente o descaso e a hostilidade dos donos de terreno ao mourejar com os locais. Mas grande secção do longa se debruça mesmo é sobre o julgamento de um grande proprietário e dois ex-policiais implicados no homicídio.

“Eu não poderia fazer um filme sobre o que os Chuschagasta pensam. Mas eu poderia fazer um sobre as mentiras inventadas pela comunidade mulatinha, branca e de classe média, aquela que governa o país. E posso fazer isso porque tenho entrada a esse mundo e o compreendo muito muito. O resto é muito distante para mim, tenho que observá-lo de certa forma à intervalo”, explica a cineasta, que procurou ser cautelosa para não ser acusada de assumir o ponto de vista de uma comunidade da qual ela não fez secção. Ou de toar uma vez que uma “branca salvadora”.

“A comunidade entendeu o que eu queria, mas não foi fácil, porque durante muito tempo insistiam que eu fizesse um filme que servisse uma vez que prova de arguição no julgamento. Mas confiei que, mais tarde, me compreenderiam, logo continuei filmando ao meu modo, e só depois me reconectei com a comunidade. Eu me senti na obrigação de recontar as mentiras da país argentina sobre as comunidades indígenas, mas da perspectiva da país, por assim proferir.”

Martel diz que não acredita que um filme, mesmo documentário, traga alguma coisa que possa ser chamado de “verdade”. Pode mostrar registros factuais, mas a elaboração sobre eles são só discursos a partir do que foi filmado.

“Não é que você esteja buscando a verdade. Eu nunca a busquei nem buscarei. O que você procura é alguma coisa que, pelo menos, se pareça um pouco com o que você vê, com o que sente”, diz Martel. “O que eu fazia era ouvir, observar os detalhes, uma vez que as pessoas falavam, piscavam, quando engoliam a sedento. E erigir alguma coisa a partir disso. O que é um semelhante ao que eu costumo fazer, também, nas ficções.”

Martel é uma das cineastas de maior prestígio da América Latina. Já teve filmes em diversas sinais mundo afora e foi inclusive presidente do júri do polêmico Festival de Veneza de 2019, quando laureou “Coringa”, de Todd Phillips, com o Leão de Ouro, além de dar o Grande Prêmio do Júri para “O Solene e o Espião”, de um Roman Polanski no auge do cancelamento.

Mas ela diz que não guarda boas lembranças de eventos competitivo, em júri ou disputando prêmios –ela diz ter oferecido graças a Deus quando “Nossa Terreno” foi exibido em Veneza fora da combate por troféus.

“No final você se preocupa mais com o que vai vestir do que com o que está realmente acontecendo”, diz Martel. “Quando fui a festivais fora de competição foi uma experiência muitíssimo melhor. Não pretendo nunca mais competir em lugar nenhum. Meu Deus, não é bom para os filmes competirem! A cultura não é uma guerra.”

Folha

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