Elle Fanning é alien sexy no OnlyFans em série do

Elle Fanning é alien sexy no OnlyFans em série do Apple TV – 12/04/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Elle Fanning se cobre de tinta azul, veste uma peruca laranja e começa a tirar o vestido prateado tubular que contorna seus seios e nádegas de forma provocante. Ela come um pacote de salgadinhos e dispara jatos de vômito pela sala, enquanto duas garotas reagem à cena aos gritos. Perto dali, um bebê dorme tranquilo, protegido do caos pela sua tenra idade.

A sequência é uma boa ilustração do mundo de opostos no qual a protagonista de “Margô Está em Apuros” opera. Por um lado, ela é uma mãe extremamente zelosa; por outro, preenche suas horas produzindo teor erótico para uma plataforma online, humilhando homens que a pagam para realizar suas fantasias.

“Seu pênis é uma vez que um pequeno e fofo pokémon, é uma vez que um Pikachu”, diz ela para um fã depois que passa a oferecer um “pacote” no qual compara fotos íntimas masculinas a monstrinhos dos games da Nintendo. “O seu é uma vez que um tentacruel, com uma glande rosa pulsante e veias que mais parecem tentáculos azuis”, escreve para outro.

Tamanha originalidade não indica uma curso longeva na pornografia. Foi só em seguida engravidar do professor de literatura de sua faculdade que Margô recorreu à atividade, uma vez que meio de subsistência de uma mãe solo que já não pode transpor para trabalhar.

Ao ouvir o “bip, bip” da caixa registradora do mercado escaneando mais e mais pacotes de fraldas, ela decide que é hora de tomar uma decisão extrema —furar uma página no OnlyFans, site em que qualquer um pode vender textos, fotos e vídeos próprios, em sua maioria de teor sexualmente explícito.

Fazer glória na plataforma, porém, não é fácil. Para se distanciar das milhares de mulheres que vendem teor no site, ela decide usar sua arma mais poderosa, a escrita, que a fez se sobresair na faculdade. Margô cria, portanto, HungryGhost –a fantasma faminta–, uma personagem extraterrestre que mistura o erotismo ao humor nonsense, amalgamando fãs pela internet.

“Queríamos que ela continuasse sendo uma pessoa criativa, uma escritora, porque essa é a sua origem”, diz David E. Kelley, um dos criadores da novidade série do Apple TV. Vencedor de 11 estatuetas do Emmy, o americano se especializou em personagens femininas que fogem do convencional, em séries uma vez que “Big Little Lies” e “Nove Desconhecidos”.

E não é só Margô que navega entre os extremos. Na série, Michelle Pfeiffer vive a sua mãe, uma mulher que trabalhava no Hooters –rede de restaurantes que contrata garçonetes de corpos voluptuosos para invocar a clientela masculina– e que finge ser fã de Elvis Presley e Jesus Cristo para ser aceita pelos membros da igreja que frequenta.

Nick Offerman é um ex-lutador brutamontes, mas chega a parecer bonachão quando retorna para cuidar da filha, Margô, munido de muito afeto e de uma escova de dentes para limpar os ladrilhos do banheiro. Nicole Kidman é outra lutadora de luta livre que, fora do ringue, deixa a fantasia espalhafatosa para vestir um terno em seu escritório de advocacia.

Mais do que de opostos, os personagens de “Margô Está em Apuros” vivem de performance. Eles criam personas para se apresentar à sociedade da maneira que lhes convêm, dependendo do que precisam.

“São personagens que criam versões artificiais de si, mas que são extremamente autênticos quando estão perto de quem os patroa, da família. É um tema que certamente vai ressoar com esse público que cresceu na era do Facebook, com essa dualidade”, diz Kelley.

No caso de Margô, a pequena de peitos volumosos que se exibe na internet é fruto da urgência de fabricar um fruto sozinha num mundo que parece insensível à maternidade. Ela não é abandonada unicamente pelo professor que a engravida, enfim, mas por amigas universitárias próximas, que a julgam tanto quanto os frequentadores da igreja da mãe.

“A maioria dos personagens da série cria alter-egos para poder sobreviver. Não é que eles ignoram ou queiram esconder quem são, mas eles precisam confrontar esse dilema entre quem esperavam que seriam e quem precisam ser para sustentar uma família”, diz Pfeiffer, que vem se aproximando da televisão com a produção da Apple e também com a recém-lançada “Madison”.

São temas principalmente caros para alguém que amadureceu diante das câmeras, embrulhada no rótulo de “sex symbol” colado a ela em seguida personagens que poderiam muito muito fazer uma colaboração com HungryGhost –caso da Mulher-Gato de “Batman” ou da “ingénue” que se vê seduzida por um visconde em “Ligações Perigosas”.

Pfeiffer, uma vez que a Margô da série, porém, gosta de manter a vida privada muito distante da personagem que aparece diante das câmeras. “Porquê atriz, eu incorporo diferentes personas a cada trabalho, é uma maneira mais segura de viver, de manter a minha privacidade.”

Antes de ser série, “Margô Está em Apuros” foi livro. Se os temas de maternidade, disparidade social e emancipação feminina já eram familiares para a escritora Rufi Thorpe, a secção do OnlyFans exigiu uma longa pesquisa.

Criadores de teor não costumam revelar valores, mas muitos dos astros da plataforma dizem que conseguiram quitar dívidas, remunerar despesas universitárias e fazer riqueza vendendo fotos e vídeos picantes. Alguns deles serviram de consultores na série, para que seu nonsense envolvido em purpurina estrangeiro fosse minimamente verossímil.

“Eu achava que sabia o que era o OnlyFans, mas quando comecei a pesquisar, percebi que há um grande espectro”, diz Fanning, meses depois de ser indicada ao Oscar por um papel que não poderia ser mais dissemelhante, o de uma atriz que quer trabalhar com um cineasta sueco cerebral.

Seu próximo trabalho, “Rosebush Pruning”, com o diretor Karim Aïnouz, promete ser uma interessante mistura entre as densas intrigas familiares de “Valor Sentimental”, o filme que lhe rendeu a indicação, e os rompantes de nonsense e erotismo de “Margon Está em Apuros”.

“Cada pai do OnlyFans tem o seu lance. É um mundo vasto, diverso. Para Margô, a plataforma é a maneira de pôr a sua originalidade para fora. Ela se empodera ao gerar esse tipo de teor, ela ganha um novo propósito, apesar dos julgamentos”, afirma a atriz.

O jornalista viajou a invitação do Apple TV

Folha

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