Professora alerta para endividamento com taxa de água e esgoto

Professora alerta para endividamento com taxa de água e esgoto na Maré

Brasil

A falta de transparência nas cobranças da concessionária Águas do Rio, na Maré, é uma prática de mercado identificada em outras regiões atendidas pela empresa, uma vez que Japeri, um dos municípios mais pobres do estado do Rio de Janeiro. A constatação é da professora Ana Lucia de Britto, da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ).

Na avaliação da professora da UFRJ, o problema ocorre porque a concessionária atua “orientada por uma lógica de ampliação de receitas”, uma vez que cobranças pelo provimento e coleta de esgoto são insuficientes para remunerar os acionistas.

“Essas empresas têm uma série de mecanismos para formação de caixa que vão além da prestação de um serviço de chuva e esgoto”, frisa Ana Lucia. Ela cita taxas para o namoro do provimento, religação e a cobrança de juros em casos de inadimplência.

“São vários custos altíssimos e penduricalhos que elevam o valor da conta”, explica.

Em março, moradores da Maré receberam as primeiras contas de chuva, que sucederam o proclamação de investimentos de R$ 120 milhões na comunidade. Os valores foram considerados altos, e moradores recorreram às associações. Em Rubens Vaz, uma das 16 comunidades da Maré, as cobranças chegaram a R$ 1.153.

“Onde era para vir [uma conta de] R$ 5, veio [de] R$ 260, R$ 280, teve conta de quatro moradores cá de R$ 1.153, em março, sendo que eles [a concessionária] falaram que iam cobrar só em abril”, relata o presidente da associação lugar, Vilmar Gomes Crisóstomo, sabido uma vez que Maga.

“Eu estou preocupado”, diz ele. A tarifa de R$ 5 foi uma promessa da concessionária para os moradores da Maré, por pelo menos um ano.

 


Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Cartaz da Águas do Rio avisa das obras de infraestrutura na comunidade de Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Cartaz da Águas do Rio avisa das obras de infraestrutura na comunidade de Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Papeleta da Águas do Rio avisa das obras de infraestrutura no Multíplice da Maré – Foto: Tânia Rêgo/Dependência Brasil

Maga também relata que, na Maré, faturas chegaram sem o nome do responsável pelo residência. “Teve gente que recebeu conta subida sem nome, sem CPF, sem endereço da rua… Está escrito: [morador] não cadastrado, mas chegou lá para alguém remunerar”, afirma.

“Mas uma vez que que vou remunerar alguma coisa que não está no meu nome?”, pergunta Vilmar. Ele orientou os mareenses a não pagarem cobranças sem a identificação pelo nome e CPF.

A concessionária informou que identificou problemas no sistema e cancelou as cobranças.

Ao contrário de outras localidades atendidas, na Maré também não haverá cobrança pela instalação de hidrômetros nem pela relação do esgoto à rede, principal mediação da empresa na comunidade.

Diferentemente de Japeri, o cadastro na tarifa social será automático para os moradores e dará recta à tarifa residencial de R$ 5, segundo a concessionária. Residências com negócio serão avaliadas separadamente.

 


Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Funcionários da Águas do Rio trabalham na infraestrutura de tratamento do esgoto na comunidade Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Funcionários da Águas do Rio trabalham na infraestrutura de tratamento do esgoto na comunidade Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Concessionária Águas do Rio anunciou investimentos de R$ 120 milhões para ampliar a rede de esgoto na Maré – Foto: Tânia Rêgo/Dependência Brasil

Apesar de as cobranças terem sido canceladas, Maga, da associação de moradores, vê com preocupação a chegada da Águas do Rio. Ele avalia que, mesmo na tarifa social, os valores são altos, e prevê inadimplência.

“Cá as pessoas não têm R$ 1 para comprar um pão de manhã para filhos e netos, não têm R$ 60 para a conta”, diz o presidente da associação de moradores.

Para ele, com o início das cobranças, moradores vão completar “com o nome negativado”.

A solução do presidente da associação é o subvenção pelo Estado, com secção de uma agenda de justiça climática ─ concepção usado para explicar o impacto desproporcional do aquecimento global, uma vez que calor extremo, chuvas e alagamentos em comunidades negras, pobres e periféricas, mas as que menos contribuíram para o problema.

 

Japeri

Denúncias de cobranças abusivas de chuva e esgoto em Japeri levaram a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro a requerer um estudo da situação ao Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da UFRJ, da professora Ana Lucia de Britto. Há anos, a instituição pesquisa o saneamento no estado.

A pesquisa Revérbero da Privatização no Chegada à Chuva em Japeri constatou que pessoas inscritas no Cadastro Único, uma vez que idosos e analfabetos, não eram atendidas pela tarifa social mesmo tendo recta, o que gerava cobranças supra da possibilidade de pagamento. O levantamento encontrou pessoas com “dívidas impagáveis para a sua situação socioeconômica” e que mesmo assim tiveram a chuva cortada.

Na tarifa social, na qual os moradores de Japeri deveriam ter sido incluídos, a cobrança mensal pela chuva e esgoto deveria ser de R$ 28,18 cada. O valor cobre 15 milénio litros de chuva, considerados suficientes para uma família de quatro pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, em Japeri, uma vez que pode ter ocorrido na Maré, o cadastro na tarifa não foi repentino e houve cobranças sem transparência.

Uma vez que resultado, em Japeri, a pesquisa da UFRJ identificou “agravamento do endividamento da população” que já era pobre.

“É uma questão de inacessibilidade econômica, de não ter numerário para outras coisas, de permanecer com o nome sujo e sem chuva”, diz Ana Lucia de Britto.

No último sábado (11), em Japeri, moradores que há seis meses enfrentam falta de chuva foram atendidos por equipes da Secretaria de Estado de Resguardo do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ. A ação incluiu a atualização de cadastros e o cancelamento de dívidas pela Águas do Rio.

“O consumidor não pode ser cobrado por um serviço que não foi entregue”, explicou o Procon, em nota. Segundo o órgão estadual, a medida permitiu a regularização “sem o peso de débitos acumulados indevidamente durante o período de desabastecimento”.

Outro lado

À Dependência Brasil, a Águas do Rio informou que é uma empresa estruturada para atender a um cenário marcado pela falta de saneamento no estado do Rio de Janeiro e aplica a tarifa social para 2 milhões de consumidores.

Em Japeri, a partir de novos investimentos, mais de 6 milénio pessoas passaram a ter chegada regular ao provimento de chuva segura, afirma a concessionária, em substituição ao cenário anterior, “de ligações improvisadas”, que colocavam a saúde em risco.

Em obras na rede de esgoto, na localidade, a empresa investe R$ 140 milhões, e constrói uma novidade estação de tratamento. “A unidade atenderá Japeri, Queimados e secção de Novidade Iguaçu, o que levará saúde a 270 milénio pessoas e ainda contribuirá para a proteção da Bacia do Guandu”, destaca a Águas do Rio em nota.

Em relação as cobranças na Maré, a companhia reforça que dados incorretos ou incompletos, além da diferença do tipo de imóvel, impactaram nas cobranças. A empresa pede que os moradores procurem atendimento nessas situações.

Fonte EBC

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