Em 'Equilibrivm', Anitta mostra sua melhor versão, mas ainda se

Em 'Equilibrivm', Anitta mostra sua melhor versão, mas ainda se atrapalha quando mira no exterior

Celebridades Cultura

‘Equilibrivm’: Anitta mostra boa temporada, mas perde força em faixas para o exterior
Título: “Equilibrivm”
Artista: Anitta
Nota: 7,5/10
Para além do gospel, fé e música costumam dar liga. Tim Maia teve sua temporada “Racional”, Madonna levou a Cabala ao “Ray of Light”… e agora, Anitta trouxe sua espiritualidade para “Equilibrivm”, álbum lançado nesta quinta (16).
Ecoando as crenças da brasileira, o disco tem uma ração de sincretismo: tem um pouco de mantra, referências a crenças indígenas e, principalmente, à religião dela, o Candomblé.
Se hoje ela canta sobre orixás, não é tanto por pioneirismo, mas por prolongação de uma história. As rítmicas, cantos e temas da umbanda e do Candomblé são o sustentáculo do samba, do maracatu, do Carnaval, nos álbuns de Clara Nunes, Os Tincoãs… e mais recentemente, MC Tha, Majur, e por aí vai.
Essa história é longa e não caberia cá. Mas não dá pra falar de “Equilibrivm” porquê se ele existisse em um vácuo.
Anitta em imagens de ‘Equilibrivm’, disco lançado nesta quinta (16)
Divulgação
Evidente, isso não torna o trabalho de Anitta menos corajoso, em uma quadra de crescente intolerância religiosa no Brasil. Inclusive porque ela tem proporção e plataforma para fazer até gringo pesquisar o que é terreiro.
O Candomblé inspira boa segmento das letras e aparece entre atabaques e detalhes em muitas músicas. Mas não vai toar estrangeiro para quem não é da religião: “Equilibrivm” é, essencialmente, um disco que costura samba, funk e até reggae com uma rouparia pop.
Cá, a cantora repete uma estratégia que aprendeu com o projeto “Ensaios da Anitta”, ao convocar “faróis” da novidade música brasileira, de Melly a Ebony, e reprofundar no estilo de cada um.
A lógica também se aplicou aos bastidores: estão aí produtores habilidosos e em subida, porquê Janluska e Gabriel Duarte (produtores de Marina Sena e Anavitória), Iuri Rio Branco (Luedji Luna, Liniker, entre outros) e o produtor e DJ Carlos do Multíplice.
Com time de peso, Anitta constrói um ótimo início de álbum, um MPB gostosinho e suingado. O grande destaque é “Mandinga”, parceria com Marina Sena. A tira brinca com “Quina de Ossanha”, do emblemático disco “Os Afro-Sambas”.
O clássico de Baden Powell & Vinicius de Moraes aparece várias vezes em forma de sample e interpolação e, ainda assim, a parceria de Anitta e Marina constrói um caminho próprio e charmoso.
Anitta em imagens de ‘Equilibrivm’, disco lançado nesta quinta (16)
Divulgação
Mas ao chegar na metade do álbum, Anitta “se lembra” do público internacional e o negócio começa a destoar. É o caso de “Varias Quejas”, versão em espanhol da música do Olodum – apesar dessa versão estar mais para a do Gilsons.
O restauro não reaproveita os traços mais fortes da original, o que é uma pena. A percussão do Olodum era justamente o que criava um clima de gira, que teria tudo a ver cá.
“So Much Love” não acrescenta e “Pinterest”, sambinha chuva com açúcar, menos ainda. No meio de um disco sobre o sagrado, uma música com nome de rede social soa porquê uma “publi” abrupta. Também não ajuda ter a letra em espanhol.
Esse pedaço do disco é aquém do resto e mostra um sintoma da curso da Anitta. Desde que ela começou a mirar na exportação, vieram muitos projetos irregulares, de quem tinha porquê prioridade aprazer um mercado.
Mas não precisa transfixar mão da identidade dela pra isso. Basta ver “Choka Choka”, com ninguém menos que Shakira. É um baita funk, em que as duas brincam de intercâmbio: enquanto a brasileira canta em espanhol, a colombiana arrisca um português.
Anitta em imagens de ‘Equilibrivm’, disco lançado nesta quinta (16)
Divulgação
Aliás, é na mistura de funk com os elementos de pontos – o tal do macumbeats – que “Equilibrivm” fica mais potente. A música “Meia Noite” é supimpa nisso: a versão de estúdio deixa o batuque e o coro crescerem e o resultado é hipnótico.
Se o conjunto inteiro ousasse assim, seguindo um pouco menos as fórmulas do pop radiofônico, seria um grande disco. Ao todo, o álbum está longe de toar mal, mas é muito menos aventuroso no som do que na proposta.
Mesmo com momentos que destoam, “Equilibrivm” ainda é o álbum mais interessante da curso de Anitta. Assim porquê no ótimo “Funk Generation”, Anitta mostra que sua melhor versão é a que olha para as próprias raízes. Porque quando um artista tem fé e paixão pelo que faz, a gente sente do outro lado.

Fonte G1

Tagged

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *