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Emissoras públicas buscam novos formatos para fortalecer parcerias
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Emissoras públicas buscam novos formatos para fortalecer parcerias

Encontrar uma voz feminina para a locução do São João de Caruaru, em Pernambuco, era a missão do reality A Voz Dela. O programa, da televisão pública da cidade, a PrefTV, mobilizou Caruaru, que acompanhou 11 mulheres disputando a chance de apresentar uma das festas mais tradicionais do país.

A competição, que incluiu testes de improvisação, conquistou fãs e foi apresentada no encontro da Rede Vernáculo de Notícia Pública (RNCP), nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro. 


Caruaru (PE), 19/05/2026 - Cena do reality “A Voz Dela”, programa original da PrefTV. Foto: Jorge Farias/Prefeitura de Caruaru
Caruaru (PE), 19/05/2026 - Cena do reality “A Voz Dela”, programa original da PrefTV. Foto: Jorge Farias/Prefeitura de Caruaru

Cena do reality “A Voz Dela”, programa original da PrefTV. Foto: Jorge Farias/Prefeitura de Caruaru

“Em um dos palcos principais do São João de Caruaru, a gente não tinha presença feminina, porquê locutora, anunciando atrações, dando avisos e fazendo as promoções”, contou a apresentadora do A Voz Dela, a jornalista Rebeca Nunes.

“Tivemos essa teoria em conjunto, para trazer mulheres que não são, necessariamente, da informação, são mulheres comuns, mas que têm uma boa desenvoltura e o sonho de estar ali, naquele palco, que fala para milhares de pessoas”, complementou sobre o programa, que em 2026 fez a segunda edição ao vivo, na TV e internet.

Mais tempo na tela da TV Brasil para esse tipo de produção é uma das propostas da masmorra de emissoras de rádio e TV da RNCP, que é coordenada pela Empresa Brasil de Notícia (EBC) e formada por uma maioria de emissoras não comerciais. A possibilidade de veicular ou exibir teor regional está entre as principais razões de adesão à masmorra do Sistema Público, explicou Welder Alves, Gerente de Rádio, Projetos Especiais e Mídia Digitais do Sistema Encontro das Águas (antiga TV Cultura do Amazonas).

Ao entrar para a RNCP, a TV Encontro das Águas já teve vários programas e reportagens exibidos pela TV Brasil e pela Rádio MEC, porquê o Festival de Óperas e a cobertura da COP-30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em 2025, no Pará. Mesmo assim, as afiliadas veem espaço para mais.

“A rede tem, entre suas várias demandas, uma que se sobressai, que é a ampliação da presença de produções regionais na programação”, afirmou Welder.

Ele citou um operação com dados da EBC constatando que os programas das parceiras ocupam 11,3% da grade da TV Brasil, entre 6h e meia-noite, o que considerou importante.

Para desenvolver novas estratégias para veiculação vernáculo, a RNCP pretende fazer discussões em câmaras, com o termo do encontro, nesta terça.

A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, ex-diretora de Teor e Programação da empresa, disse que a EBC está em um novo momento, no qual as transformações tecnológicas, porquê a chegada da TV 3.0, que pretende integrar televisão e internet, exigirão que todos estejam no mesmo patamar.

“Nós somos um campo [o campo público]”, disse Pellegrino. “Cabe a cada emissora fazer a sua programação, produzir o seu teor, trazer a sua linguagem e se colocar na mesma prateleira, juntos, subvertendo hierarquias.”

O diretor-geral da EBC, David Butter, reconheceu que a rede da EBC não “tem que se prender a modelos” existentes.

“Nós podemos ter soluções próprias”, afirmou. Segundo ele, o papel da EBC é de ser facilitadora da relação, “mais do que uma cabeça de rede alimentada por afiliadas”.

“Não precisa ser assim”, disse. “Cabe à EBC ver oportunidades e compartilhar com suas emissoras parceiras”, completou.

As parcerias têm o pedestal dos trabalhadores da EBC e da sociedade social. Integrante do Comitê de Participação, Inconstância e Inclusão, instaurado ano pretérito, a jornalista Cibele Tenório defende que as afiliadas busquem uma relação nivelado com a EBC.

“Não podemos, porquê rede, repetir o protótipo de rede mercantil”, destacou Cibele. “A TV só pode ser chamada Brasil, se ela tiver o Brasil na tela, se os sotaques estiverem na tela e as pessoas se virem nessa tela.”

Cibele também elogiou experiências porquê os programas independentes contratados pela Rádio Educadora da Bahia, gerida pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. A contratação dos conteúdos se deu por edital sim e escolheu programas sobre diversos gêneros musicais, porquê música baiana, africana, rap e trap, que o Iderb ofereceu para veiculação por emissoras que integram a RNCP, gratuitamente.

Epístola do Rio

Ao final do encontro da Rede Vernáculo de Notícia Pública, foi apresentado um rascunho da Epístola do Rio, com resumo das reivindicações e análises das afiliadas sobre o cenário da informação pública no país.

No documento, gestores da rede reforçam o pedido por secretaria de recursos federais oriundos da Taxa para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). Segundo o site da Anatel, em 2025, a EBC recebeu R$ 3,8 milhões da CFRP.

“O foco da missiva é a resguardo da sustentabilidade financeira das emissoras e formas de financiamento, não dá para ser uma única [fonte]”, analisou o diretor-geral da Instauração Carmélia Maria de Souza, Igor Pontini.

Ele é responsável pela gestão do Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo e defende a geração de uma instituição, nos moldes de uma associação, para reunir as emissoras públicas de TV.

A Epístola do Rio, acrescentou Pontini, também reconhece importantes iniciativas da EBC, porquê a geração de uma política de inovação e o pedestal às novas afiliadas.

O documento será enviado a órgãos de governo porquê a Secretaria de Notícia da Presidência da República, Morada Social, Secretaria-Universal da Presidência e ministérios.

Fonte EBC

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