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Epidemia de assinaturas cria novas divisões no streaming 04/11/2026
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Epidemia de assinaturas cria novas divisões no streaming – 04/11/2026 – Ilustrada

Há pouco mais de um mês, “American Hostage” estreou. A série, sobre um impasse armado que ocorreu de verdade numa dependência de crédito imobiliário de Indiana, em 1977, é uma daquelas surpresas que senhor deslindar porquê crítico de TV. Reúne atuações dedicadas de Jon Hamm e Giovanni Ribisi e reflexões assustadoramente atuais sobre as frustrações dos que não têm poder diante dos poderosos.

Você deveria ver, se puder. O que provavelmente não poderá, a menos que abra a carteira mais uma vez.

É que “American Hostage” está no MGM+. O que é MGM+? Boa pergunta! É um serviço de streaming, derivado do conduto premium Epix. (O que é Epix? Não há tempo para isso!) O mais relevante é que custa US$ 7,99 por mês. Ou seja, são US$ 7,99 fora a lista interminável de assinaturas que você provavelmente já tem.

(Reparo: muitos dos planos que menciono cá oferecem várias opções de preço —mensal ou anual, com ou sem anúncios, em um pacote ou outro. Talvez seja bom ter uma calculadora à mão.)

Tradicionalmente, críticos de TV não costumam levar o preço em conta ao determinar o que tapar. Isto não é sátira gastronômica. Mas, ultimamente, ver TV começou a parecer uma experiência em um restaurante sofisticado, com uma infinidade de adicionais, aumentos de preço e suplementos de caviar fazendo a conta ir às alturas.

Isso é frustrante para os consumidores em tempos de inflação. Mas também não faz muito à arte —ou, pelo menos, à experiência e à conversa em torno dela. Cria mais uma ramificação entre os que têm, escolhendo entre um vasto menu na primeira classe da mídia, e os que não têm, deixados de fora na terceira classe.

Transforma um meio que já foi universal, embora frustrante, em um pouco cada vez mais inacessível, ainda que muitas vezes supimpa. “American Hostage” é boa. Mas é boa a ponto de valer US$ 7,99 por mês? Alguma série é?

Houve um tempo em que a TV era gratuita —muito, tirando o investimento em um aparelho, uma antena e seu valedoiro tempo assistindo a anúncios. Todos tinham aproximação às mesmas ondas de transmissão e aos mesmos programas. Nasci na era das antenas de TV com duas hastes e não vou romantizá-la porquê se tivesse sido melhor. Mas, porquê tantos aspectos da vida “aprimorados” pela tecnologia, ela era menos complicada.

Isso mudou com a popularização da TV a cabo. “Família Soprano” ajudou a transformar a HBO de um luxo doméstico ocasional (ou uma comodidade de quarto de motel) num item cultural indispensável. Cada vez mais, a TV que valia a pena observar e comentar era um pouco pelo qual era preciso remunerar. E depois remunerar um pouco mais. Os canais a cabo se multiplicaram, e o pacote de TV —espremendo os canais a que você assistia junto aos muitos que não via— foi ficando cada vez mais inchado.

Consumidores de mídia já espremidos além da conta desejavam que fosse dissemelhante. Quem dera fosse provável escolher as plataformas que você queria assinar! Em qualquer lugar de Wall Street, um dedo se curvou em uma pata de macaco, e nasceu o negócio do streaming.

Agora, se você tivesse uma conexão com a internet (mais uma tarifa, a menos que seu vizinho fosse desmazelado com a senha do Wi-fi), poderia escolher seus serviços à la carte: Netflix, Hulu, Prime Video, Peacock, Disney+, Paramount+, AMC+. YouTube TV e YouTube Premium. Dropout, para comédia. Shudder, para terror. Crunchyroll, para anime. Quer seguir esportes profissionais? Talvez seja bom emendar um segundo trabalho.

Conheço todos eles porque meu trabalho exige que eu possa observar a qualquer coisa exibida em qualquer lugar. Um dia, quando eu me reformar, desfazer meus compromissos mensais com mídia será porquê liquidar os ativos de uma empresa da Fortune 500 que foi à falência.

Ao mesmo tempo, escrevo para pessoas que estão comparando o dispêndio de mais uma assinatura com o da gasolina e do supermercado. E todos nós vivemos em uma economia cada vez mais estruturada em torno de assinaturas para praticamente tudo, porquê discutido em um incidente recente de “Last Week Tonight With John Oliver”. (HBO Max, a partir de US$ 10,99 por mês com anúncios.)

É verdade que US$ 7,99 é mais barato que um ingresso para uma sessão de cinema à tarde onde moro, quanto mais para um espetáculo da Broadway ou um show. Mas vale a pena para você? Porquê eu poderia saber? Porquê crítico, sei o que “vale a pena”, e a era do streaming criou mais espaços para que obras de valor floresçam.

O melhor dessa forma de arte agora está espalhado por vários jardins murados, cujos muros ficam um pouco mais altos a cada ano. A esta fundura, a frequência dos avisos de aumento nos preços do streaming —que vêm superando a inflação— rivaliza com a das mensagens de candidatos pedindo doações. (A PBS, apesar de seus desafios de financiamento, parece um negócio melhor a cada dia.)

Assim, o meio que costumava ser uma língua franca da cultura pop se transforma em uma Torre de Babel. As histórias que você vivencia e as referências que entende são determinadas pelas decisões de compra que tomou. Uma série supimpa — porquê “Hal & Harper”, do ano pretérito, na Mubi — pode definhar num serviço pouco espargido, com seu público restringido antes mesmo da estreia.

E uma população já fragmentada por gostos, perfis demográficos e subculturas se subdivide ainda mais por razões econômicas. Você pode transgredir às regras e compartilhar senhas de streaming. Pode gerar um sistema de lembretes para cancelar várias plataformas. Ou pode simplesmente desistir, escolher um ou dois serviços e rezar para que o algoritmo lhe ofereça um pouco bom.

O que há de bom neste ano? Há a novidade “A Leste Éden”, na Netflix (US$ 8,99 por mês com anúncios, US$ 19,99 sem anúncios, US$ 26,99 em 4K). Há minha novidade série favorita do ano, “O Sigilo de Widow’s Bay”, na Apple TV (US$ 14,99 por mês, sem anúncios —ou “gratuito”, suponho, se você comprar produtos Apple elegíveis a cada três meses por toda a perpetuidade).

Há uma supimpa novidade temporada de “Verdade Oculta”, do FX, disponível no Hulu (US$ 12,49 com anúncios ou porquê secção de uma variedade de pacotes tão extensa quanto as instruções para preencher uma enunciação de imposto de renda).

Há também “Cupertino”, um novo drama jurídico sobre o setor de tecnologia, do qual gostei mais à medida que avançava —e que, felizmente, é exibido pela CBS, uma daquelas antigas redes de TV ensejo do qual sinal ainda voa magicamente pelo ar e pode ser captado por uma antena.

Não tem antena? Há muitos serviços de streaming com o recurso de “TV ao vivo”. Vai custar custoso.

Folha

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