Executivo da Nestlé contratou torturador na ditadura militar

Executivo da Nestlé contratou torturador na ditadura militar

Brasil

O escora empresarial à ditadura no Brasil começa a ser revelado. Uma das empresas que deixou pistas dos vínculos com o regime de vexação é a Nestlé.

O incidente 2, chamado Caixa da segunda temporada do podcast Perdas e Danos conta a relação entre a multinacional suíça e os porões da ditadura no Brasil.

Comprovantes

Apesar da atuação discreta, a gigante da indústria alimentícia deixou pistas do escora oferecido ao regime de vexação no Brasil.

Uma vez que as contribuições feitas em nome da empresa, pelo executivo Gualter Mano, para o IPES, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, um think tank conservador formado por empresários e militares e que ajudou a preparar o terreno para o golpe de 1964.

O Registro Vernáculo guarda os comprovantes das contribuições da Nestlé para o clube golpista.


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Registros das contribuições do então presidente da Nestlé Brasil, Gualter Mano, para o IPES.  Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação
São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Registros das contribuições do então presidente da Nestlé Brasil, Gualter Mano, para o IPES.  Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Arquivo Nacional/Divulgação

Registros das contribuições do portanto presidente da Nestlé Brasil Gualter Mano, para o IPES. Foto: Registro Vernáculo/Divulgação

Mas há outros indícios deixados pela empresa que revelam as relações com o regime opressor e que ligam a multinacional a OBAN, a Operação Bandeirantes, o maior magnificência de tortura e morte do regime militar, uma estrutura clandestina que serviu de laboratório para implantação dos DOI-Codi pelo país afora. 

A participação da Nestlé está no registrada na página 330 do Volume 2 do relatório final da Percentagem Vernáculo da Verdade.

“Ficou publicado o festim organizado pelo ministro Delfim Netto no Clube São Paulo (…) durante o qual cada banqueiro, porquê Amante Aguiar (Bradesco) e Gastão Eduardo de Bueno Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo), entre outros, doou o montante de 110 milénio dólares para substanciar o caixa da Oban (…) Também colaboraram multinacionais porquê a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light”.

O executivo versátil

Um gavinha que até agora era pouco visível para os brasileiros tem nome e sobrenome: Oswaldo Ballarin. Pouco mais de um ano depois do jantar que garantiu o financiamento do magnificência de tortura, Oswaldo Ballarin era o nome da Nestlé entre os empresários homenageados pelo dirigente do Estado-Maior do II Tropa, general Ernani Ayrosa, no final de 1970, pelo escora à repressão. 


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Frame: Nestle Boycott/Youtube
São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Frame: Nestle Boycott/Youtube

 Ballarin tenta isentar a Nestlé pela morte de bebês por justificação do uso de leite em pó, durante audiência no Senado dos Estados Unidos, em 1978. Frame: Nestle Boycott/Youtube

Ballarin fez curso na Nestlé. Começou na empresa ainda jovem e chegou ao função de presidente executivo entre 1971 e 1978. O brasiliano tinha tanta influência na Nestlé que foi a pessoa escolhida para simbolizar a multinacional numa audiência pública que aconteceu em 1978, no Senado dos Estados Unidos, justamente para investigar a agressiva estratégia de marketing para promoção do leite em pó para bebês.

A facilidade de trânsito de Oswaldo Ballarin pelos governos militares garantiu a ele postos elevados e simultâneos em outra multinacional suíça. Ao mesmo tempo que ocupava o função de presidente executivo da Nestlé, ele também era presidente da Brown Boveri, entre 1971 e 1979. 

A Brown Boveri (hoje, Asea Brown Boveri – ABB) é uma empresa de automação e eletrificação que atuou em grandes obras no Brasil, do Bondinho do Pão de Açúcar, no primícias do século pretérito, ao novíssimo polo de produção de hidrogênio verdejante em Pecém (CE), passando pela maior obra de engenharia dos militares, a Usina de Itaipu.

A empresa integrou o CIEM, o Consórcio Itaipu Eletromecânico, um consórcio formado por empresas europeias, encabeçado pela Siemens, e que venceu a concorrência para a construção de Itaipu. O consórcio é meta de denúncias de depravação, pagamento de propinas e de falsificar regras do contrato porquê a naturalização da produção. 


São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Turbina geradora de Itaipu. Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação
São Paulo (SP), 09/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Turbina geradora de Itaipu. Oswaldo Ballarin, Executivo da Nestlé e da Brown Boveri contratou torturador como relações públicas. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação

Turbina geradora de Itaipu: as turbinas foram fornecidas pelo consórcio CIEM, do qual a Brown Boveri fazia secção. Foto: Memória de Eletricidade/Divulgação

CIA

É na versão de executivo do setor elétrico que foi verosímil encontrar os vínculos mais fortes de Oswaldo Ballarin com os porões da ditadura militar no Brasil. Ele é culpado de ter contratado os serviços de dependência de relações públicas de frente, a CIA (Consultores Industriais Associados).

Além de ter a mesma {sigla} do serviço de perceptibilidade dos EUA, a CIA atuava, na verdade, na vigilância de trabalhadores, perseguição de desafetos e organizando vaquinhas para equipar os aparatos de tortura do Estado

Quem desencavou essa história abrindo os arquivos da Brown Boveri, na Suíça, foi a pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne. 

“Eles [o CIEM] tinham uma porcentagem das encomendas que tinham que remunerar para o monopólio [de eletricidade] para financiar a luta contra a oposição (…) eles chamavam Fundo de Luta Contra a Oposição, e foi aí que surgiu a questão da CIA”.

Em meio à documentação a que teve entrada, estava a denúncia enviada por organizações de direitos humanos ao Parecer Federalista Suíço, o governo medial do país, em 20 de novembro de 1979.

Um conjunto de 16 documentos mostrando as relações do CIEM com a CIA, batizada nos documentos porquê “serviços de organizações de tortura disfarçadas”, “esquadrões da morte” e “especialistas em tortura”.

O diretor da CIA era Robert Lentz Plassing, expoente da extrema-direita, que organizava contribuições para o regime e é listado no relatório final da Percentagem Vernáculo da Verdade porquê uma das 377 pessoas responsáveis por torturas e assassinatos durante a ditadura.

Plassing integrou o DOI-Codi do Rio de Janeiro, onde era chamado pelo nome de Samuca.

Em setembro de 1979, Jean Ziegler, que ocupava uma vaga no Parecer Vernáculo Suíço foi explícito ao acusar Ballarin e a Brown Boveri, mas não esqueceu das relações do executivo com a Nestlé. 

“Oswaldo Ballarin, executivo da Nestlé e atual presidente da Brown-Boveri em São Paulo, admitiu ter transferido regularmente e substancialmente fundos da empresa entre 1963 e 1978 para a empresa Consultores Industriais Associados. Oswaldo Ballarin (e a Brown-Boveri) são, portanto, culpados de cumplicidade em homicídio premeditado”. 

Ballarin morreu em 1999 afirmando que sua relação com o Samuca do DOI-Codi era restrita às atividades de relações públicas da CIA.  

Investimento guardado 

Dissemelhante da Brown Boveri, a Nestlé não permitiu o entrada de Gabriella Lima aos seus arquivos. 

“Ela me recusou o entrada três vezes aos arquivos”, disse a pesquisadora.

Mas os números mostram que a empresa tem motivos para comemorar o período de vexação. 

De 1971 a 1975, a rentabilidade da Nestlé no Brasil praticamente dobrou. Em pleno milagre econômico, o prolongamento médio do Resultado Interno Bruto (PIB), segundo o IBGE, estava na vivenda dos 9% ao ano.

O que para os padrões atuais é muito eminente. Mas o faturamento da Nestlé conseguia ser ainda maior: na vivenda dos 12%, segundo levantamento feito por Antoinette Fredericq para o Núcleo Edelstein de Pesquisas Sociais.

Dumping leite em pó

Enquanto Ballarin era questionado no Senado dos EUA pela política da Nestlé de promover leite em pó, atrapalhando o lactação materno, cá no Brasil o executivo tinha missiva branca para dar “aulas” nas faculdades de medicina aos futuros médicos. 

Marina Rea, pesquisadora e uma das fundadoras da Rede Internacional pelo Recta de Amamentar (Ibfan), assistiu alguma dessas “aulas”. 

“O Ballarin deu lição na minha faculdade [a USP] sobre fórmulas infantis. Ele não era médico. Era um rostro que financiava reuniões e, em troca, convidavam ele para lançar os novos produtos: ‘novas fórmulas que vamos lançar’. Terrível. Eu saí da faculdade sabendo mais prescrever fórmula infantil do que orientar o lactação materno.” 

Em 1974, uma organização social da Inglaterra chamada War on Want publicou um relatório batizado porquê The Baby Killer (em tradução livre, Delinquente de Bebês). E acusou as indústrias, começando pela Nestlé, de provocar a morte de crianças em países pobres.

Marina Rea explica qual era a estratégia da empresa no Brasil.

“A Nestlé utilizou promoções comerciais bastante efetivas no primícias da vida. Uma temporada muito grave, do ponto de vista fisiológico, para a amamentação ir pra frente ou não. As empresas sabem disso. No Brasil, o mais prevalente foi a ingresso da Nestlé via dumping de leite em pó. Já que se você não disponibiliza, é simples que a mãe nem vai saber. E a outra forma foi entrar nas maternidades, buscando nos médicos um parceiro e entrar nas universidades era ótimo para isso”. 

Hoje em dia, a empresa segue metida em controvérsia.

Em 2024, uma ONG suíça, a Public Eye, mostrou que produtos que a marca oferece para as crianças de países pobres são mais açucarados que os que vão para as crianças ricas, incluindo o Brasil.  

Outro lado

Sobre as denúncias envolvendo o consórcio CIEM, a direção da Itaipu informou em nota:

“A realização do projeto teve início em 1975, em um contexto marcado pela Ditadura Militar Brasileira, quando práticas autoritárias resultaram na sonegação de informações e em violações à pundonor humana e aos direitos fundamentais (…)  Atualmente, a Itaipu desenvolve iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, com foco na paridade de gênero, no fortalecimento de capacidades locais e na inserção dessas perspectivas na ensino, além de incentivar a participação de mulheres em espaços de liderança e no desenvolvimento comunitário.”

A ABB, sobre as denúncias de depravação e o financiamento da repressão, respondeu que “a Política de Direitos Humanos da ABB formaliza o compromisso da empresa e descreve a abordagem da ABB em relação à devida diligência em direitos humanos. Esperamos que nossos fornecedores respeitem os mesmos princípios e padrões internacionais de direitos humanos.  ABB adota uma política de tolerância zero em relação a comportamentos antiéticos, incluindo qualquer forma de suborno ou depravação (…)”. 

A reverência de ter bem a ditadura no Brasil, a Nestlé enviou a seguinte nota:

“A Nestlé reconhece a prestígio de que esse período continue sendo discutido, dada sua relevância e impacto na sociedade. A empresa não compactua com práticas de repressão, discriminação ou violações de direitos humanos. A Nestlé reafirma seu compromisso com a democracia, com o reverência à variação de opiniões e com a promoção da liberdade de frase, muito porquê com o reverência aos direitos de seus colaboradores, parceiros, consumidores e da sociedade em universal”.

Questionada se, em seguida 60 anos, a empresa estaria disposta a furar os arquivos, a equipe do podcast não obteve resposta. 

Fonte EBC

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *