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Exposição em Washington revisita bandeira americana 04/07/2026 Ilustrada
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Exposição em Washington revisita bandeira americana – 04/07/2026 – Ilustrada

Ela tremula em desfiles patrióticos, acompanha soldados rumo à guerra, marca a chegada do varão à Lua e aparece em protestos, marchas pelos direitos civis e, em tragédias, porquê no assassínio do presidente John F. Kennedy. Ao longo de quase 250 anos, a bandeira americana atravessou alguns dos momentos mais decisivos da história dos Estados Unidos.

Seu estampa também mudou. Criada em 1777, a bandeira passou por 26 alterações até chegar ao formato atual, em 1960, quando ganhou a 50ª estrela, posteriormente a incorporação do Havaí. O país representado por ela, porém, continuou se transformando.

É justamente essa trajetória que a Galeria Pátrio de Arte de Washington revisita na exposição “American Icon: The US Flag in Art” (“Ícone Americano: A bandeira dos EUA na Arte”), organizada porquê secção das comemorações dos 250 anos da independência americana.

Reunindo tapume de 30 pinturas, fotografias, gravuras, esculturas e vídeos produzidos entre o termo do século 19 e os dias atuais, a mostra acompanha porquê diferentes artistas reinterpretaram a bandeira conforme mudavam também os Estados Unidos.

Entre eles estão alguns dos principais nomes da arte e da retrato americana, porquê Jasper Johns, Gordon Parks, Dorothea Lange, Faith Ringgold, Robert Frank e Childe Hassam. Em geral, todos usam a bandeira porquê ponto de partida para discutir não somente patriotismo, mas também identidade, pertencimento, guerra, imigração e as contradições da própria história americana.

“O projeto surgiu justamente da percepção de quantas obras do nosso pilha utilizavam a bandeira americana”, afirma E. Carmen Ramos, diretora de curadoria e conservação da Galeria Pátrio. Segundo ela, a proposta foi mostrar porquê artistas “interpretam e reinterpretam a bandeira americana a partir do momento histórico em que vivem”.

A primeira obra da exposição resume essa teoria. “Allegory of Freedom” (parábola da liberdade, em português), produzida durante a Guerra Social por um artista não identificado, retrata um varão preto em posição medial em um momento em que pessoas antes escravizadas passavam a ser reconhecidas porquê cidadãs. Para Ramos, a pintura representa um período de transição na identidade pátrio americana e na própria teoria de quem fazia secção daquele país.

Poucos passos adiante, a bandeira aparece em um dos episódios mais contraditórios da história dos Estados Unidos. Conhecida por retratar a Grande Depressão, Dorothea Lange tem fotografias exposta nesta mostra.

Ali, está exposta a imagens alunos nipo-americanos de uma escola pública de San Francisco fazendo o juramento de lealdade diante da bandeira em abril de 1942 —posteriormente o ataque de Pearl Harbor. Dias depois, muitas famílias de origem japonesa seriam enviadas pelo próprio governo para campos de encarceramento durante a Segunda Guerra Mundial.

A mesma bandeira reaparece na retrato “American Gothic” (americano gótico, em português), de Gordon Parks, detrás de uma faxineira negra que segura uma vassoura e um esfregão, em uma das imagens mais conhecidas sobre a segregação racial americana.

Em “The Flag Is Bleeding” (“a bandeira está sangrando”, em português), de 1967, Faith Ringgold transforma o símbolo pátrio em uma bandeira ensanguentada durante o auge do movimento pelos direitos civis. Sob ela, um varão branco, uma mulher branca e um varão preto aparecem ligados uns aos outros, incapazes, porém, de esconder a tensão estampada em seus rostos.

“A exposição convida o visitante a enxergar essa dificuldade”, afirma Ramos. “Há obras que falam sobre patriotismo e esteio às tropas, mas também trabalhos produzidos em momentos de grandes transformações históricas.”

Mas nem toda bandeira da mostra nasce de um conflito histórico. Um dos artistas conhecidos pelas obras sob a bandeira americana e um dos principais nomes da pop art, Jasper Johns transforma o símbolo pátrio em objeto de experimentação.

Em uma das obras expostas, produzida em relevo de chumbo, ele retira justamente aquilo que torna a bandeira imediatamente reconhecível: suas cores. Restam somente as estrelas e listras gravadas sobre uma superfície cinzenta.

Ramos diz que esse era justamente um dos interesses do artista. Citando uma frase de Johns, ela afirma que a bandeira é “uma imagem que a mente já conhece, mas que raramente é realmente observada”. A obra, diz, convida o público a olhar novamente para um símbolo tão familiar que costuma passar despercebido.

Essa liberdade de tradução atravessa toda a exposição. Se Johns reduz a bandeira à sua forma, outros artistas a transformam em memória pessoal.

É o caso da fotógrafa Sheila Pree Bright, que percorreu os Estados Unidos entre 2006 e 2008 retratando jovens com a bandeira americana enquanto pedia que completassem uma frase simples: “America is…” (“América é…”).

As respostas revelam experiências muito diferentes de pertencimento. Uma jovem imigrante chinesa descreve o desconforto de viver entre duas culturas. Uma americana de origem sudanesa associa a bandeira às oportunidades encontradas por sua família no país. Outro participante a vê porquê símbolo de esperança. “Você encontra toda uma gama de perspectivas individuais sobre a pátria”, resume Ramos.

Também há espaço para leituras mais ambíguas. Em uma retrato do renomado Robert Frank, espargido pela série “Os Americanos”, duas mulheres observam um desfile da janela enquanto uma enorme bandeira ocupa quase toda a retrato. O tecido, ao mesmo tempo em que domina a cena, revela e esconde as personagens.

Em contraste, Allies Day (“Dia dos Aliados”), de Childe Hassam, registra uma Novidade York tomada por bandeiras americanas e de países aliados durante a ingresso dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. Ali, elas aparecem porquê símbolo de união e celebração pátrio, lembrando que a exposição também suplente espaço para representações de patriotismo, e não somente de sátira.

Embora inaugurada em um momento em que a bandeira voltou ao meio do debate político americano — frequentemente associada a discussões sobre patriotismo, imigração e identidade pátrio —, a mostra evita referências diretas a governos ou presidentes contemporâneos.

As obras, explica Ramos, foram selecionadas exclusivamente do pilha permanente do museu, e a intenção foi mostrar porquê diferentes gerações de artistas reinterpretaram esse símbolo ao longo da história, e não comentar um momento político específico.

O trajectória conta ainda com uma instalação em vídeo da artista Holly Bass, construída a partir de discursos e escritos de mulheres negras porquê Fannie Lou Hamer e Shirley Chisholm.

Para Ramos, a obra sintetiza o espírito da exposição ao reunir história pátrio, memória familiar e experiência pessoal. Foi por isso que ela foi escolhida para receber o visitante logo na ingresso da mostra: uma introdução à teoria de que, por trás de um dos símbolos mais conhecidos dos Estados Unidos, existe uma infinidade de histórias.

Folha

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