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Fatih Akin desventa violência da guerra em filme 23/06/2026
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Fatih Akin desventa violência da guerra em filme – 23/06/2026 – Ilustrada

Quando Fatih Akin aceitou guiar “Uma Puerícia Alemã”, filme sobre um menino de família nazista fundamentado na puerícia do ator teutónico Hark Bohm, seu colega, ele não se sentia muito conectado à história. Essa legado não pertencia a ele, pensava o diretor de origem turca —mas mudou de teoria depois as filmagens. “Sou responsável por tudo que os humanos fazem com outros humanos. Isso é o que aprendi”, diz.

O tema não era exatamente estranho a Akin. Desenvolvido em Hamburgo, ele se tornou um rosto divulgado do cinema independente teutónico depois vencer o Urso de Ouro do Festival de Berlim com “Contra a Parede”, em 2004 e, principalmente, o Orbe de Ouro de filme estrangeiro em 2017 por “Em Pedaços”, história sobre uma imigrante turca que quer se vingar dos neonazistas que assassinaram seu rebento e marido.

“Todos os meus filmes falam de ‘outsiders’, de refugiados, de pessoas que deixam seu país para iniciar em outro lugar”, diz Akin no terraço de um hotel na Croisette, durante o Festival de Cannes, onde “Uma Puerícia Alemã” foi exibido fora de competição no ano pretérito. Em generalidade, suas histórias investigam porquê essas pessoas redefinem a própria identidade quando já não pertencem ao lugar de partida ou fado.

Em seu novo filme, talvez a resposta seja mais complexa. É que Nanning, menino de dez anos que é protagonista de “Uma Puerícia Alemã”, não está partindo para lugar qualquer —pelo contrário, ele vive só na pacata e rústico ilhota de Amrum, no extremo setentrião da Alemanha, nos anos 1940. Seu pai, um solene nazista, está no continente, e a mãe, também politicamente fervorosa, adoece e delira quando ouve na rádio que os alemães vão perder a guerra.

Só um pedaço de pão branco com manteiga e mel, ela diz ao garoto, poderia melhorar o seu humor. Nanning faz do observação uma missão, e secção pela ilhota em procura dos ingredientes para saciar a mãe. O problema é que, com a guia iminente, o país vivia uma grave escassez de provisões, piorada pelo decreto de racionamento severo do governo nazista.

Em sua jornada, Nanning recebe ajuda de alguns habitantes de Amrum, e a ira de outros pela conexão de sua família ao regime. Singelo e ignorante, o menino não entende por que há quem odeie Adolf Hitler, venerado em sua lar. Aos poucos, porém, ele é introduzido à veras violenta, em cenas com um quê de grotesco, estilo que virou marca de Akin.

Em perceptível momento, por exemplo, correndo pela praia, ele encontra o corpo em desagregação de um soldado, com o rosto já carcomido. Em outra cena, Nanning, incapaz de matar o coelho que capturou para um quinteiro em troca de um substância, vê o varão estripar o bicho em sua frente, e a câmera não ignora os órgãos escorrendo para fora do bicho.

Para Akin, esses são momentos de contato do menino com a brutalidade da guerra, que não chega visualmente a Amrum. “Ver a guerra, ver a vida e a morte por meio da natureza e entender que ele [Nanning] precisa fazer secção disso se quiser sobreviver”, diz o diretor.

Para Akin, existe perceptível paralelo com o presente, em porquê as pessoas são acostumadas a regularizar as violências contemporâneas em seu cotidiano. “Minha filha de 12 anos viu a gravação da cena do coelho e odiou. As pessoas comem músculos, mas deveriam ver porquê a músculos é obtida. Ela não nasce no supermercado.”

“Uma Puerícia Alemã” lembra “Jojo Rabbit”, longa de Taika Waititi sobre um garoto obcecado por Hitler que descobre que a mãe está escondendo uma pequena judia em sua lar. O longa de Akin, porém, não tem o mesmo humor meio punk, e acaba sendo um coming-of-age sobre a perda de inocência mais dramático.

A produção do longa é assinada pela Bombero International, empresa de Akin, e pela Warner. Antes de “Uma Puerícia Alemã”, Akin conta que precisou desistir de alguns filmes por não conseguir financiá-los, entre eles um que deveria ser rodado em Hollywood.

“Foi uma experiência péssima. Trabalhei duro demais naquele filme. Fiz um storyboard inteiro, criei monstros e tudo mais. Reescrevi o roteiro por pretexto da greve dos roteiristas. E não recebi um único dólar por aquela merda”, diz Akin, sem esconder a frustração. “A única razão pela qual me tornei produtor foi para proteger meus filmes e fazê-los do jeito que eu queria. E, às vezes, nem isso consigo.”

O desânimo com a indústria cinematográfica, porém, parece permanecer de lado em nome de outro propósito. “O cinema sempre surpreende você. É sobre iniciar um filme porquê diretor e terminá-lo porquê responsável. Esse é o mistério do cinema”, diz ele. “É porquê o que Keith Richards disse sobre tocar guitarra. Existe um acorde secreto. Estou procurando esse acorde secreto.”

Folha

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