A 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasiliano, um dos mais tradicionais do país, foi cancelada por falta de recursos, na esteira do ajuste fiscal iniciado pelo governo do Província Federalista para salvar o BRB, o Banco de Brasília, em crise pelo envolvimento com o escândalo financeiro do Master.
A edição deste ano deveria principiar no dia 11 de setembro, mas, nesta segunda-feira (10), a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Província Federalista informou à produção do evento que não fará o repasse de R$ 3 milhões necessários para deixar o evento de pé. A pasta foi procurada nesta segunda-feira, mas ainda não respondeu.
O Festival de Brasília do Cinema Brasiliano teve sua primeira edição em 1965 e só não foi realizado em 1972, 1973 e 1974, censurado pela ditadura militar.
Henrique Rocha, diretor-geral de produção do Festival de Brasília, diz que, sem o repasse do governo, a realização do festival é inviável.
“É um tanto inédito no período democrático e que naturalmente não esperávamos”, afirma. Segundo Rocha, a produção do festival começou em março, com a buraco de inscrições de realizadores e o lançamento do calendário nacionalmente. Isso foi feito, diz o produtor, “por orientação e com a presença deste mesmo governo”.
Integrantes da produção do festival já se preparavam para a possibilidade de cancelamento, uma vez que a primeira parcela do repasse, de R$ 1,5 milhão, deveria ter sido feita em junho. A soma viabilizaria a lanço de pré-produção do evento. Outro R$ 1,5 milhão ainda deveria ser repassado em duas parcelas: R$ 1 milhão na semana do festival e R$ 500 milénio depois do fechamento.
Na sexta (7), a governadora Celina Leão (PP) disse que “essa segmento de eventos sofreu um grande incisão, sim”. Segundo ela, despesas em outras áreas são prioritárias, uma vez que saúde, limpeza e transporte público.
A governadora não chegou a confirmar que o festival seria cancelado, mas afirmou que os cortes eram previstos. “Ninguém dá uma sarau na sua morada, ou faz um cinema, ou faz um show, se não tiver numerário para resolver problema de saúde, problema de transporte. Nossa decisão foi tomada; nós tivemos que trinchar gastos.”
O BRB, para quem o governo do Província Federalista tenta viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, é o principal patrocinador do Festival de Brasília do Cinema Brasiliano.
O banco informou que o patrocínio de R$ 750 milénio estava confirmado. O problema, para a produção, é que o contrato prevê que o repasse seja feito por reembolso. Ou seja, em seguida a realização do festival, o BRB reembolsaria a produção por despesas até esse valor.
O calendário para viabilizar o evento já estava apertado, ainda que o governo liberasse o numerário. Além de tapume de 40 pessoas envolvidas na produção e que ainda não foram remuneradas, o festival precisava comprar passagens, contratar hospedagens e receptivos para tapume de 50 realizadores selecionados para a mostra competitiva e para os integrantes do júri solene.
Há ainda fornecedores, designers e contratos para a construção de infraestrutura do segundo sítio de exibição dos filmes. A morada do festival é o Cine Brasília, que também sofreu recentemente com o ajuste fiscal determinado pelo governo.
Um dos últimos cinemas de rua do Brasil ainda em funcionamento e segmento do multíplice arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer, o cinema chegou a permanecer três meses sem repasses do governo do Província Federalista, mas a situação foi regularizada.
Nas últimas semanas, a organização do festival e técnicos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Província Federalista estiveram reunidos mais de uma vez para tentar chegar a uma solução. A pasta vinha pedindo a liberação do numerário, sem sucesso.
O repasse pelo governo distrital havia sido previsto em 2024, quando o governo do Província Federalista fechou contrato com o Instituto Alvorada Brasil para a realização de três edições do festival. A secretaria vinha dizendo que não havia decisão de cancelamento ou delonga do evento.
Além das exibições, o festival também promove o chamado “envolvente de mercado”, em que realizadores apresentam seus projetos para grandes produtores e possíveis financiadores. Para nascente ano, estavam previstas também oficinas de figurino, pós-produção, sátira em cinema, atuação e montagem.





