O Festival do Rio chega ao último termo de semana com a expectativa de superar o público de 140 milénio pessoas que participaram da edição passada. O evento trouxe mais de 350 filmes na programação.
Realizada entre 1º e 11 de outubro, a 28ª edição reúne produções brasileiras e internacionais, pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do setor audiovisual, em 28 salas e espaços culturais do Rio de Janeiro e de Niterói.
Um dos principais encontros do calendário cinematográfico brasílico, o Festival do Rio funciona uma vez que vitrine para novos realizadores, espaço de circulação de filmes independentes e oportunidade de aproximação entre cineastas e público.
A programação também leva exibições a diferentes regiões da cidade, com atividades gratuitas e sessões voltadas à formação de novas plateias.
Cinema vernáculo
Entre os títulos brasileiros exibidos nesta edição está Justino: Nos Bastidores do Reino, de José Eduardo Belmonte, apresentado na Première Brasil Hors-Concours, seleção de filmes exibidos fora da competição. A produção conquistou dois Kikitos e uma menção honrosa no Festival de Cinema de Gramado.
Produzido por Nilson Rodrigues, o longa acompanha a trajetória de Justino, jovem da periferia que encontra na religião a possibilidade de transformar a própria verdade. Ao longo dos anos, ele participa da expansão internacional de uma poderosa instituição religiosa, constrói uma curso uma vez que pastor e acaba remoto da igreja posteriormente uma revelação. Posteriormente 15 anos, o protagonista decide revisitar o pretérito.
Filmado no Brasil e em Portugal, o filme atravessa diferentes períodos entre as décadas de 1960 e 1990 e aborda fé, poder, intolerância, preconceito e as relações construídas em torno das instituições religiosas. O elenco reúne Christian Malheiros, Caio Blat, Larissa Nunes, Onna Silva, Lucas Leto, Bruno Garcia, Angel Ferreira e Antônio Pitanga.
Para Nilson Rodrigues, a obra contribui para compreender transformações culturais e religiosas do país.
“É um filme necessário, fundamental para entender o processo cultural do país nas últimas décadas e o desenvolvimento do universo neopentecostal. Uma história real, vista por Mário Justino, que viveu e viu por dentro uma vez que se formou um dos maiores impérios do neopentecostalismo no Brasil”, afirma o produtor.
Formação de plateia
Rodrigues também destaca a valimento do festival para a circulação das produções nacionais. No ano pretérito, ele participou do evento com Honestino, experiência que, segundo ele, ajudou a ampliar a divulgação do filme e a impulsionar seu lançamento nas salas de cinema:
“Esse festival é fundamental para o cinema brasílico. No ano pretérito, participamos com o filme Honestino, o que foi muito importante para ampliar sua divulgação e impulsionar o lançamento nas salas de cinema”, diz.
A formação de plateias, mormente entre os jovens, é outro repto assinalado pela direção do festival. Durante uma sessão de gala nesta semana, a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, chamou a atenção para a dificuldade de aproximar o público brasílico de histórias que dialogam com as experiências e angústias da juventude.
“A gente tem poucos filmes que conversam sobre a vida dos nossos jovens e todas as angústias que isso significa. Invadir o público brasílico para estes filmes não é fácil. Demanda dedicação, risco e fé”, avalia.
Um dos títulos que integram essa proposta é As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, dirigido por Diego Freitas e protagonizado por Any Gabrielly e Giulia Be. Fundamentado no livro de Fernanda Castro e Silva, o longa aborda amizade, luto e recomeço.
Na trama, Gabi, personagem de Any Gabrielly, é uma jovem tímida que prefere a segurança da rotina. Posteriormente a morte da melhor amiga, Julia, interpretada por Giulia Be, ela recebe dez cartas com desafios deixados pela amiga. Cada mensagem a incentiva a enfrentar os próprios medos, testar novas experiências e aprender a mourejar com a perda.
A presença de produções voltadas a diferentes faixas etárias reforça a preocupação do festival em ampliar o contato com o cinema para além do público já habituado às salas e aos circuitos especializados.
Asghar Farhadi
A programação também recebeu o diretor iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de melhor filme internacional, por A Separação e O Apartamento. Em sua primeira visitante ao Brasil, o cineasta apresentou Contos Paralelos (Parallel Tales), que teve estreia mundial na competição solene do Festival de Cannes deste ano.
Estrelado por Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Adam Bessa e India Hair, o longa acompanha uma escritora em crise criativa que passa a observar os vizinhos em procura de inspiração para um romance. A chegada de um jovem contratado para ajudá-la nas tarefas cotidianas transforma a reparo em interferência, aproximando ficção e verdade.
Mercado audiovisual
Além das exibições, o RioMarket, extensão de negócios do festival, promove encontros e debates sobre financiamento, políticas industriais, coproduções e internacionalização do audiovisual brasílico.
“O setor movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,64% do Resultado Interno Bruto (PIB). Os números são de um estudo da Dependência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Universidade Federalista Fluminense (UFF)”, ressalta a diretora do Festival do Rio e do Rio Market, Walkiria Barbosa.
Ela descreve que o volume de recursos evidencia o peso econômico de uma prisão que envolve produtoras, profissionais técnicos e artísticos, distribuidores, exibidores e empresas de serviços.
“Nesse contexto, festivais uma vez que o do Rio contribuem para dar visibilidade às obras, aproximar realizadores de agentes do mercado e estimular oportunidades de negócios”, disse Walkiria.







