Festival do Rio premia filmes ‘A Margem do Rio’ e ‘Elza’ – 11/10/2026 – Ilustrada
O Festival do Rio encerrou sua 28ª edição neste domingo premiando “A Margem do Rio”, de Enock Roble e Matheus Farias, e “Elza”, de Eryk Rocha, uma vez que os melhores longas nacionais nas alas de ficção e documentário, respectivamente. “Santo”, de Maria Luisa Alves, foi escolhido pelo júri solene uma vez que o melhor curta-metragem.
Ambientado no Recife, o primeiro ainda levou o Prêmio Felix, talhado a produções LGBTQIA+. O filme acompanha um rapaz que passa a noite em procura de encontros com outros homens nos manguezais da cidade. Quando encontra Jeremias, um pescador misterioso, verdade e fantasia se alternam nessa relação.
“A Margem do Rio” já havia recebido um prêmio próprio do júri no Festival de Locarno e encerra a participação no evento carioca também com os troféus de retrato, som e atriz coadjuvante, compartilhado por Renna Costa, Artia e Ísis Broken.
Já em “Elza”, sobre Elza Soares, a própria voz da artista, morta há quatro anos, é costurada a arquivos para narrar seu quase um século de vida. “Santo”, por sua vez, integrou uma leva de curtas queer deste festival, com João Pedro Mariano e Pedro Tófani uma vez que dois entregadores que se apaixonam.
Também foram premiados o aguardado “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, que arrematou os troféus de direção de ficção, roteiro e de melhor longa pelo voto popular, e “A Professora de Francesismo”, que levou atriz —para Grace Passô, empatada com Isabel Teixeira, de “Quotidiano do Queimada”—, ator coadjuvante —para Pedro Goifman—, e trilha sonora.
“London”, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, que venceu o Leão Queer da Semana da Sátira no Festival de Veneza, também sai do Rio com três troféus. A produção levou melhor ator —para Di Marco— figurino e o prêmio da Fipresci, a Federação Internacional de Críticos de Cinema.
Encerrando os prêmios do júri, “Cão Sem Plumas” venceu melhor direção de documentário, “Funk”, direção de arte e “A Inédito Vida de Vera Valdez” e “Ela Foi Ali Zelar o Coração na Geladeira” dividiram a láurea de montagem. A animação “O Fruto da Puta” recebeu um prêmio próprio do júri.
Em sintonia com a cerimônia de rombo, que ficou a incumbência da sensação espanhola queer do último Festival de Cannes, “A Esfera Preta”, o fecho foi com outro filme da mesma temática, que causou fúria no evento gálico. “Club Kid”, de Jordan Firstman, encerrou a programação solene —ainda há sessões de repescagem ao longo da semana.
Firstman esteve presente no fecho, que também marca a estreia latino-americana do filme que teve seus direitos de distribuição arrematados por US$ 17 milhões, murado de R$ 85 milhões, posteriormente uma disputa acalorada entre empresas e plataformas.
“Club Kid” acompanha um varão gay na mansão dos 30 anos que passa a vida nas pistas de dança de Novidade York, usando drogas e transando com desconhecidos. Quando ele descobre ter um rebento de dez anos, porém, precisa mudar a rotina, que julga incompatível com as novas responsabilidades de pai.
Ainda nessa seara, a seção do Prêmio Felix destinou láureas a “Em Sigilo”, uma vez que melhor filme internacional, “Pai e Pai”, uma vez que documentário, “Morfeu e Caronte”, com um prêmio próprio, e “Elefantes na Névoa”, com uma menção honrosa.
Na Novos Rumos, fileira destinada a talentos emergentes, “Não Estamos Sonhando” foi eleito melhor longa e “Ondas de Silêncio”, melhor curta-metragem. “Talismã” levou direção, “O Deserto de Luiza”, melhor longa pelo voto popular e atriz, para Nina Prado. Pedro Leão, de “Não Estamos Sonhando”, foi eleito o melhor ator.
Lista dos vencedores
Melhor longa-metragem de ficção
“A Margem do Rio”, de Enock Roble e Matheus Farias
Melhor longa-metragem documentário
“Elza”, de Eryk Rocha
Melhor curta-metragem
“Santo”, de Maria Luísa Alves
Melhor direção de ficção
Gabriel Martins, por “Vicentina Pede Desculpas”
Melhor direção de documentário
Camila Valença, por “Cão Sem Plumas”
Melhor ator
Victor di Marco, por “London”
Melhor atriz
Isabel Teixeira, por “Quotidiano do Queimada” e Grace Passô, por “A Professora de Francesismo”
Melhor ator coadjuvante
Pedro Goifman, por “A Professora de Francesismo”
Melhor atriz coadjuvante
Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por “A Margem do Rio”
Melhor roteiro
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Melhor montagem
Cristina Amaral, Fabio Meira e Juliano Castro, por “A Extraordinária Vida de Vera Valdez” e Cristiane Oliveira e Tula Anagnostopoulos, por “Ela Foi Ali Zelar o Coração na Geladeira”
Melhor retrato
Luciana Baseggio, por “A Margem do Rio”
Melhor direção de arte
Ana Paula Cardoso, por “Funk”
Melhor figurino
Samy Sill, por “London”
Melhor som
Moabe Fruto, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por “A Margem do Rio”
Melhor trilha sonora original
Florencia Di Concilio, por “A Professora de Francesismo”
Prêmio próprio do júri
“O Fruto da Puta”, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite
Longa documentário – voto popular
“Fui Olhar Você Dormir”, de Anna Azevedo
Longa ficção – voto popular
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Prêmio Felix
Melhor filme brasílio
“A Margem do Rio”, de Enock Roble e Matheus Farias
Melhor filme internacional
“Em Sigilo” (“À voix basse”), de Leyla Bouzid
Melhor documentário
“Pai e Pai” (“Father, Father”), de Jake Witzenfeld
Prêmio próprio do júri
“Morfeu e Caronte”, de Jocimar Dias Jr e Luiz Ulian
Menção honrosa
“Elefantes na Névoa” (“Tinīharū”), de Abinash Bikram Shah
Novos Rumos
Melhor longa-metragem
“Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur
Melhor curta-metragem
“Ondas de Silêncio”, de Caio J. Bonfim
Melhor direção
Thais Fujinaga, por “Talismã”
Melhor atriz
Nina Prado, por “O Deserto de Luiza”
Melhor ator
Pedro Leão, por “Não Estamos Sonhando”
Prêmio próprio do júri
Elenco do curta “Um Domingo”, de Maíra Bühler e Rô Albuquerque
Prêmio melhor longa voto popular
“O Deserto de Luiza”, de Alan Minas
O jornalista viajou a invitação do Festival do Rio





