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Fifa não está vendendo a Copa, diz idealizador do plano
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Fifa não está vendendo a Copa, diz idealizador do plano – 30/07/2026 – Esporte

Um dos principais arquitetos do incerto projecto da Fifa para gerar uma empresa mercantil avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) reagiu às críticas e afirmou que a proposta não equivale a vender a Despensa do Mundo nem se assemelha muito à tentativa fracassada de lançar uma Superliga Europeia dissidente.

Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media e assessor mercantil do projeto, disse que a proposta de levantar bilhões de dólares com investidores externos está “muito distante da Superliga”, embora ambas as iniciativas tenham provocado indignação generalizada.

Maffei caracterizou a Superliga —proposta apresentada em 2021 para gerar uma liga fechada de clubes europeus, que rapidamente desmoronou sob o peso da oposição internacional— uma vez que uma tentativa de solidificar a posição de um grupo seleto de clubes.

“Isso é o oposto”, disse Maffei ao Financial Times em entrevista. “Isso significa expor que as 211 associações filiadas à Fifa podem sentenciar o que querem fazer.”

Maffei acrescentou que “isso não é vender a Despensa do Mundo” e disse que as propostas fariam com que a Fifa mantivesse “o controle majoritário para sempre”.

A entidade que comanda o futebol mundial planeja vender uma participação de 20% em uma empresa recém-criada que abrigará os direitos comerciais e de mídia da organização, incluindo os da lucrativa Despensa do Mundo masculina.

A Fifa deu aos filiados até 19 de setembro para sentenciar se apoiam as propostas, reveladas inicialmente pelo FT. A entidade afirmou que o projecto fará com que cada associação —da Inglaterra a Montserrat— receba um pagamento antecipado de US$ 20 milhões e mais milhões de dólares em recursos adicionais nos próximos quatro anos.

A iniciativa foi apresentada depois de uma Despensa do Mundo em que a Fifa recebeu fortes críticas por solevar de forma acentuada os preços dos ingressos e permanecer com uma parcela das vendas no mercado secundário. A organização sem fins lucrativos deve gerar ao menos US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) em receita no atual ciclo de quatro anos, diante de US$ 7,6 bilhões (R$ 38,6 bilhões) no período anterior.

As propostas da Fifa para levantar capital provocaram repúdio de políticos, grupos de torcedores e da Uefa, entidade que comanda o futebol europeu e convocou uma reunião de emergência com as associações filiadas para discutir uma vez que responder.

Maffei ressaltou que a novidade empresa mercantil da Fifa, chamada Fifa Forward Enterprise, terá uma equipe de gestão separada. Outra pessoa familiarizada com a estrutura de governança proposta para a novidade empresa afirmou que o presidente da Fifa, incumbência atualmente ocupado por Gianni Infantino, presidirá o parecer de governo.

Maffei liderou a obtenção da Fórmula 1 pela Liberty Media e teve papel decisivo na recuperação e na expansão da categoria nos Estados Unidos. Ele foi nomeado pela Fifa em segmento por razão da experiência na F1, que administra os direitos comerciais do esporte enquanto é regulada por uma entidade externa.

Segundo Maffei, a iniciativa da Fifa está de conformidade com uma tendência entre federações esportivas —incluindo o PGA Tour, do golfe— de separar as atividades comerciais em empresas próprias. A Uefa mantém uma joint venture com clubes europeus, chamada UC3, para governar direitos comerciais, embora não tenha atraído investidores externos.

“Há uma tendência desse tipo em todo o mundo dos esportes”, disse Maffei. “É um pouco que todo tipo de organização já fez.”

Pessoas próximas à Uefa afirmam que a UC3 não está ocasião a investimentos.

Embora a novidade empresa da Fifa possa remunerar dividendos e captar financiamento por meio de dívida, o que levanta a possibilidade de a entidade permanecer subordinada a um número crescente de investidores, Maffei disse que não há planos para isso.

“Ninguém está falando em tentar alavancar o futebol ou um pouco parecido. Esse certamente não é o projecto”, afirmou. Segundo ele, os investidores e o próprio futebol se beneficiarão do desenvolvimento do esporte resultante da iniciativa.

A Thrive Eternal, veículo de investimento dirigido por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro de Donald Trump, está posicionada para liderar o grupo de investidores.

A relação de Infantino com Trump —que recebeu no ano pretérito o primeiro prêmio da sossego outorgado pela Fifa— tem sido intuito de intenso escrutínio.

“Não posso falar sobre todas as interações entre dois irmãos, mas Jared realmente não esteve envolvido neste negócio”, disse Maffei.

Folha

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