Filme com Javier Bardem em Veneza vê fraquezas de casais – 08/09/2026 – Ilustrada
No início de “Bunker”, a editora Sofía e o arquiteto Miguel, vividos pelo par da vida real Penélope Cruz e Javier Bardem, falam em um jantar sobre a primeira vez em que conversaram. Ele diz que, enquanto a escutava falar, ficou tão enamorado que se comoveu e acabou chorando.
Depois, ele revela a verdade —um gato passou perto, e os pelos do bichano irritaram seus olhos. Todos na mesa riem, e alguém diz: “Até as maiores histórias de paixão já começam com alguma patranha”.
Essa frase com ares de maldição é uma espécie de tese sobre a qual se ergue o longa de Florian Zeller, exibido em competição no Festival de Veneza nesta terça.
Desde o primórdio, Sofía dá a entender que alguma coisa não vai muito no himeneu, que já dura quase 20 anos. Eles são bem-sucedidos em suas profissões, têm filhas saudáveis e moram em uma linda vivenda, mas falta alguma coisa ali.
Tudo vira motivo de confronto. Um vizinho abre um buraco no muro que divide as casas, o que enfurece Miguel, mas Sofía acha que ele exagera. Quando um milionário convida o arquiteto para edificar um bunker pessoal, onde ele possa se esconder quando os miseráveis do mundo se rebelarem contra os ricos, é a vez de Sofía se irritar.
Enfim, ela acha que o marido estará colaborando com um varão que contribui para a disparidade. A crise entre eles fica ainda pior depois que um jornalista mais jovem sai para jantar com Sofía, desencadeando uma possante reação de emulação em seu marido.
Por grande segmento do filme o dilema é se Miguel aceita ou não lucrar milhões para edificar o tal bunker, embora as subtramas da presença do jornalista mais jovem na vida da editora e do vizinho cara-de-pau sua oficina também tenham destaque. O núcleo é mesmo uma radiografia de um himeneu que tinha tudo para ser feliz, mas que emperra.
Não é que o filme diga que casamentos nascem para dar falso, mas labareda atenção para o veste de que o paixão sozinho não é capaz de segurar um relacionamento. Principalmente se a pessoa enfrenta qualquer tipo de insatisfação pessoal ou que, porquê Sofía, precisou perfurar mão de muitas coisas pela união.
E não adianta os cônjuges acharem que um himeneu “perfeito” servirá de bunker para se proteger —alguma fissura surgirá. E só com trabalho a dois poderá ser coberta.
Zeller é espargido por seus trabalhos no palco que depois viraram filme, sobretudo “Meu Pai”, de 2020. “Bunker” ele escreveu para o cinema, e embora exista um resquício de teatralidade em algumas cenas, a obra é muito muito resolvida.
A venustidade de Cruz está radiante, embora de uma maneira menos libidinosso. E sua performance é mais uma vez notável, assim porquê a de Bardem —a dupla, que já é magnífico trabalhando separada, tem ainda mais eficiência quando divide a cena. Sem a cumplicidade de um par real, talvez “Bunker” não tivesse tanta força.
Também na competição, Casey Affleck apresentou “Company”, uma trama confusa, em três tempos históricos. Começa com uma mulher chegando a uma vivenda estranha, em uma noite de chuva, em pleno Natal. Ela é convidada a entrar e logo começa a recontar histórias a alguns convidados, que, diante do tédio da sarau, prestam atenção ao que ela afirma.
Sua narrativa envolve um ermitão da dez de 1950, que acode uma mulher desconhecida, encontrada a firmamento simples, desmaiada, durante uma possante nevasca.
A moça acorda e começa a recontar ao eremita uma outra história, sobre um par camponês no primórdio do século 20, que também ajudou um jovem rapaz encontrado na rua em meio à neve. E, nessa história dentro da história, vemos que o jovem é um poço de ressentimentos, que está detrás de vingança de quem o violentou quando ele era muchacho.
Mais adiante, o testemunha até vai entender a relação entre as tramas, mas o filme é disperso, e as histórias nunca são suficientemente atrativas. Affleck opta por uma direção de retrato em universal muito escura e dá tempo de tela demais ao personagem vivido pelo rebento na vida real, Atticus Affleck, uma espécie de Timothée Chalamet ainda mais genérico.
É o terceiro longa do cineasta, cuja curso de ator foi chamuscada quando duas mulheres o acusaram de assédio sexual —caso depois resolvido com um harmonia.
Porquê diretor, ele fez um trabalho eficiente em “Luz da Minha Vida”, de 2019, que ele também protagonizava. Somente dirigindo, ele demonstra menos habilidade. Sua trama parece uma das histórias que as personagens contam, esgotante e sem chegar a lugar qualquer.





